08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

CABEÇAS VÃO ROLAR...


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Há quase 40 anos trabalhando como engenheiro supervisor do Dnit em Teófilo Otoni (MG), 66 anos de idade, tem sob sua responsabilidade quase 3 mil km de rodovias. Trecho da BR 116 por onde circulam diariamente 15 mil veículos é um dos seus "horrores" do dia a dia. À sua disposição, como supervisor de tudo isso, dispõe apenas de um engenheiro auxiliar. Para não ficar no "só isso", José Carlos Ribeiro - é o nome do "herói"...- além de gerenciar os contratos referente aos milhares de km sob sua batuta, tomou para si (por absoluta falta de funcionário), o trabalho de consertar pias, vasos sanitários, computadores e a ridícula função de trocador de lâmpadas. Há três anos atrás, executava serviços de limpeza em geral, absurdo que foi sanado com a chegada de dois auxiliares de serviços gerais. A considerar o tempo que esse "herói" exerceu o mister de botar um pouco de ordem no caos em que se transformou o Dnit - Teófilo Otoni(MG), verifica-se que o solapamento teve origem no governo anterior, não sendo coisa da "mãe do PAC".

Como gerenciamento governamental hoje, é quase sinônimo de ineficiência, e vendo que a coisa caminhava celeremente para a desestruturação do órgão, o CGU propôs e a presidente Dilma concordou com a nomeação no Dnit, de um de seus auditores, que, à frente do órgão há pouco mais de cinco meses, declara estar na direção de uma autarquia falida e sem condições de executar suas principais funções. E desabafa: "O Dnit não tem condições de tocar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O que fazem com ele é uma covardia". Essa denúncia emoldura a página A4 do jornal "O Estado de S. Paulo", edição de domingo - 19/02.

Também na edição de domingo, numa agradável coincidência com o assunto denunciado pelo "Estadão", o Jornal da Cidade, pag. 2, trás o texto da lavra de Rafael Moya Filho, que poderíamos considerar como sendo uma convocação àqueles que hoje continuam ousando fazer uso do exercício da cidadania, a participarem da "1ª Consocial cujo tema central "A Sociedade no Acompanhamento e Controle da Gestão Pública", que ocorrerá no dia 28 próximo, na ITE, das 8h às 17h30. Pessoalmente, considero um tempo exíguo para debater os cânceres que assolam nosso Brasil varonil, porém é um começo já que o assunto tem ressonância nacional e quem está no comando é a CGU via decreto presidencial como a grande parceira do evento. Merece um crédito de confiança - mais um - nesse início da caminhada que será longa e delongará, no mínimo, uma década, em que pese na semana que passou o Supremo Tribunal Federal haver amenizado um pouco o âmago do brasileiro contribuinte e exigente na reciprocidade do adequado uso do dinheiro que lhe é extorquido pelo estado perdulário, onde a esgrima Judiciária botou um freio na fábrica de malfeitos existente em nosso Poder Legislativo, restabelecendo parte do conceito de dignidade que o dono do voto havia perdido. Alguns ainda conseguiram escapar dos efeitos imediatos da Lei da Ficha Limpa.

A esses malditos está reservado o futuro do ostracismo político. Aquela turma da renúncia, o STF providenciou-lhe o devido enquadramento. O ostracismo político é o futuro que está reservado à essa caterva de irresponsáveis por haverem inoculado o vírus da pouca vergonha na representação parlamentar. Alguns, como Natan Donadon (PMDB-RO), Paulo Octávio (DF), Joaquim Roriz (DF), eram nódoas difíceis de serem removidas, porém não emporcalharão doravante, o ainda fétido esgoto político. Severino Cavalcante, aquele "cabra da peste" corrupto que deu o golpe da renúncia, hoje é prefeito de uma cidadela lá do nordeste, e também estará inelegível ao concluir seu mandado municipal. Em nosso Estado, temos um pulha mensaleiro que conseguiu escapar da degola, porém seu destino futuro é o mesmo daqueles que terão a cabeça no cepo para nunca mais pedirem votos aos ainda incautos eleitores. Responsabilidade maior agora,terão os partidos políticos, que terão o ônus de serem nominados por amancebar-se em seus quadros, bandidos e ladrões do erário. Paciência não nos faltarão para aguardarmos dias melhores.

Amém!


Nicanor Amaro da Silva Neto