"Nenhuma pessoa pode destruir o que não pode criar; ninguém pode tirar o que não pode dar." Diógenes de Sinópe, célebre fisósofo da Grécia Antiga. Diz, igualmente com plena sabedoria, um provérbio popular que "onde passa um boi, passa boiada". Alguns poucos países aprovam legalmente a eutanásia ativa ou passiva, a pedido do enfermo ou da família, com ordem ou autorização judicial. Devido a doença incurável, coma prolongado, sofrimentos ou dores se contenção.
O certo ou provável é que com passar do tempo, outras causas ou razões menores serão aventadas para se abreviar a vida, mesmo ante recu rsos e tecnologia cada vez maiores ou melhores para se curar, lenir dores e se prolongar a vida, com segurança e qualidade. Ou mesmo curar doenças antes tidas incuráveis, pessoas que retornam saudáveis de comas prolongados e supressão de dores e sofrimentos diagnosticados como sem remédio!
Deste modo, pelo caráter com que se reveste, a eutanásia se configura como eufemismo do suicídio ou autocídio por parte do próprio paciente em não aceitar doença, dor, sofrimento, incapacidade, abandono, solidão, rebeldia perante os desígnios divinos, não raro insondáveis (causa na vida presente ou pregressa),etc.
Ou, da parte dos familiares ou a mando ou pedido de terceiros, um verdadeiro homicídio, por vezes doloso, não por simples - ou falsa - piedade ou compaixão, a esconder razões escusas e inconfessáveis como má vontade, desejo de se desvencilhar de familiares doentes, idosos, portadores de males maiores ou deficiências, ambição desvair ada, rancores passados.
Ou tão somente por não quererem sofrer, ter trabalho, cuidados com o paciente, ser humano a igual filho de Deus, indefeso e infenso ou inofensivo. - Aplica-se, assim, autêntica pena de morte em inocente - atitude genocida, em ação ou cumplicidade coletiva, ou como ato indesculpável, inconsciente de depuração da espécie? E o que pode vir depois?!
Toda vida é sagrada, e não podemos julgá-la, qualquer que seja, pelo crivo de nosso subjetivismo - porque somos o "outro" também no universo das relações - afirmava A. Schweitzer, sábio e grande humanista europeu, que muito amou e defendeu os fracos e os carentes nas selvas de Lambarené, na nossa querida África, berço de nossos antepassados e de nossa cuvulização...
Para ilustrar um tanto mais nossa apagada defesa e promoção da vida e de pacientes ainda mesmo terminais, recorramos à obra espírita codificada pelo mest re, pesquisador e grande pedagogo francês, discípulo de Pestallozzi (Yverdun, Suíça; séc. XIX) Prof. Rivail, H.L. D., quando questiona sobre a eutanásia a São Luís,* autor espiritual e membro da falange Espírito (de) Verdade - conforme promessa do próprio Jesus, expressa no Evangelho Segundo São João, N.T., sobre o Consolador Prometido (e suas razões): "Um homem está agonizante, vítima de cruéis sofrimentos; sabe-se que seu estado é desesperador; é permitido poupar-lhe alguns instantes de angústia, apressando-lhe o fim?" - E o sábio e santo homem responde: - "Quem, pois, vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode Ele conduzir um homem à borda do fosso para daí o retirar, a fim de fazê-lo retornar a si mesmo e de o conduzir a outros pensamentos? Em qualquer extremo que esteja o moribundo, ninguém pode dizer com certeza que sua última hora chegou. A ciência jamais se enganou em suas previsões? Sei muito bem que há casos aos quais se pode considerar, com razão, como desesperadores, mas se não há nenhuma esperança fundada de um retorno definitivo à vida e à saúde, não existem inumeráveis exemplos em que, no momento de dar o último suspiro, o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes?
Pois bem! Essa hora de graça que lhe é concedida, pode ser para ele da maior importância, porque ignorais as reflexões que poderia fazer seu Espírito nas convulsões da agonia, e quantos tormentos pode lhe poupar um relâmpago de arrependimento. O materialista, que não ve senão o corpo, e não considera a alma, não pode compreender essas coisas, mas o espírita, que sabe o que se passa além do túmulo, conhece o valor do último pensamento.
Abrandai os últimos sofrimentos quanto esteja em vós; mas guardai-vos de abreviar a vida, não fossr senão de um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro." * O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.5 Bem-Aventurados os Aflitos. Kardec, A. Paris, França; 1860.
Rubens Colacino