10 de julho de 2026
Turismo

História de pescador: Pescaria no Paraíso


| Tempo de leitura: 3 min

Caros leitores, pescadores e amigos que sempre se deliciam com este caderno. Hoje não vou contar propriamente um causo, uma estória, ou uma pescaria gostosa que nos aconteceu. Quero só um pouquinho da atenção de vocês, pescadores ou não, "botequeiros" ou não, amantes da cervejinha e do petisco, ou não, jogadores de bola ou não, enfim, pessoas normais como todos nós. Mais do que isso, simplesmente, amigos. Eu sei que muitas pessoas não experimentaram ainda a amizade solidamente constituída num bar ou numa pescaria ou no velho futebol. Afinidades como estas, de gostar de pesca, de brindar a alegria com um copo de cerveja bem gelada, de bater uma bolinha ou de se lembrar de como o faziam, num clima de amizade verdadeira, digo isto como um pleonasmo, pois a amizade, por si só, deverá sempre ser verdadeira e quiçá, eterna! Que prazer enorme conviver por poucas horas, quase todos os dias, nos bares do Leão, Vagnão, Makalé, Espanhol, Teté, o antigo Marinheiro, Amadeus, Espuma Fria e outros que possa ter me esquecido de citar. Com pessoas ímpares, únicas com suas personalidades marcantes, com suas manias, seus defeitos, algumas um pouco ranzinzas, até gozadoras, brincalhonas. Mas todos amigos de velhos tempos, hoje reunidos com suas lembranças alegres e emotivas que o tempo guardou com carinho, emoldurando suas faces com cabelos de algodão e colocando em seus olhos a serenidade da alegria e da felicidade que ainda vivem. Gente, como é gostoso sentir esta companhia, sem preconceitos de cor, credo, socioeconômico, etc., mas com a certeza de vibrar com almas afins que promovem a paz. Confesso que convivo com eles há pouco mais de 5 anos, embora muitos já os conhecesse de velhos carnavais. Mas infelizmente nada é eterno, além de nosso Deus Todo Poderoso! E o tempo corre célere e inexoravelmente, deixando para trás o bem e o mal vividos. A saudade sempre se faz presente numa confraria tão maravilhosa como é a desses grandes amigos. Recentemente, mais precisamente em 2011, sem nos avisar nem pedir licença, nos deixaram dois grandes companheiros. No começo do ano, o homem da chimbica antiga, do ferro velho, da sanfona mágica, o querido Benildo, pescador dos "causos intermináveis". Logo depois em abril, foi-se embora o Denézio Ferrari, nosso querido "Maisena", outro solerte pescador, gozador e que ficava bravo quando alguém tirava um sarrinho nele. Desconheço a origem do apelido, pois já o conheci "Maisena". A gente dizia brincando que o "Maisena" ia engrossar e virar mingau. Duas almas a menos entre nós, mas dois corações a palpitar em grandes pescarias com os anjos no Paraíso. Ao contrário da Academia Brasileira de Letras, onde os notáveis são substituídos, aqui no nosso imenso reduto de inesquecíveis amigos pescadores, seus lugares jamais serão preenchidos, a não ser por uma saudade infinita. Aos familiares do Benildo e do "Maisena", a certeza da amizade gostosa e verdadeira vivida e correspondida com todos nós. Para não esquecer nenhum amigo, nossa homenagem aos dois saudosos companheiros vai de A a Z ? Antoninho Pipoca... e Zinho. Até um dia, Benildo, até um dia Maisena, guardem um lugar no barco e arrumem um bom piloteiro para nós todos. Nas fotos ao lado, os dois grandes amigos.

Fernando Lucilha Júnior ? pescador/botequeiro/quase jogador de bola/tocador de timba e apaixonado por tão bela amizade! Beijos a todos.