Meus parabéns, um viva e uma salva de palmas ao jornalista Luciano Dias Pires, que aqui nesta coluna publicou um interessante artigo sobre os "benditos 99 centavos". Que ideia sensacional ele nos deu! Arredondar os trocos em geral do preço para "baixo" ao invés de jogar para o consumidor uma prática de "não precisar dar o troco". Os 99 centavos tomaram conta até dos grandes magazines e ninguém parece querer perder tempo diante de um lucro tão fácil. Exemplo: a etiqueta da mercadoria anuncia RS 29,90 ou R$ 59,99. Quanto pagaremos na realidade? Pagaremos o preço anunciado se tivermos os 90 ou 99 centavos contadinhos em moedas. Caso contrário, pagaremos 30 ou 60 reais. Não é isso que sempre acontece? Principalmente quando todos sabemos que as moedinhas de 1 centavo estão cada vez mais raras nas nossas niqueiras.
Será que essa prática vai continuar sem que qualquer medida seja tomada a favor do consumidor? O povo vai continuar aceitando tranquilamente essa situação, deixando uma moedinha ali, aqui e acolá sem reclamar o troco? Hoje eu estou mais feliz por que percebi que existe mais alguém pensando como eu que me revolto cada vez que visito uma loja e ouço a resposta no caixa: "aceita uma bala?" Será que isso incomoda mais gente também? Aqui cabe um refrão que era usado constantemente pelo meu "nono", um velho italiano que ficava vermelho de raiva cada vez que se deparava com algum tipo de desperdício. Ele dizia: "Quem non guarda um toston, não vale um toston". Será que o nono estava com a razão?
Vamos começar a valorizar e a exigir nossos "tostões". Arrendondar para baixo não seria uma tremenda tática comercial? Pensem nisso, comerciantes. Pensem nisso, consumidores. A sugestão do senhor Luciano Dias Pires é uma ótima propaganda e um alívio para o nosso desperdício diário. Afinal, "de grão em grão é que se enche ou se esvazia o papo".
Kleber B. Silva ? aposentada da educação