‘É preciso assumir o palco da vida’
Entre dança, canto, chás, teatro, festas e até um livro, elas se divertem e ajudam umas às outras a enfrentar os desafios diários com mais leveza. Elas são o grupo Pink. E quem conta essa história é a precursora do grupo, Stella Viotto Coube Jacob.
“O grupo, que já chega aos 7 anos e conta com 13 membros, surgiu por duas razões: eu queria aprender a sambar e ter um grupo de amigas para reuniões divertidas, assim como meu marido fazia com seus amigos do futebol. Foi tudo na brincadeira e acabou evoluindo naturalmente”, lembra.
Da brincadeira e dos ensaios de dança entre as amigas que se conheceram nos jogos de futebol da escola dos filhos, veio a vontade de encarar desafios ligados às artes. Assim, conta Stella, nasceu o “Embromation” e “Embromation Volume II”. “Depois percebemos que era a hora de novas propostas e vieram o teatro e, em 2011, o lançamento do livro “E o Grande Dia Chegou!”, onde contamos toda a nossa história”, revela a Pink.
Filha de uma das famílias mais tradicionais do Interior, Stella Viotto Coube Jacob também fala na entrevista, abaixo, sobre momentos felizes, dias difíceis, superação, amizade, viagens, além, é claro, das aventuras com o grupo Pink. Acompanhe.
Jornal da Cidade - Como surgiu o grupo Pink?
Stella Viotto Coube Jacob - O grupo surgiu por duas razões. Uma porque eu queria aprender a sambar e, principalmente, porque eu via meu marido com os amigos jogando e se divertindo no Bauru Tênis Clube (BTC). Eu via a alegria deles e toda aquela união. E se os homens podem, porque é que as mulheres não podem se reunir para se divertir. E como sempre sonhei em aprender a sambar, quis unir essas duas coisas. E assim começou o Pink, na pura brincadeira. O grupo vai completar 7 anos e, atualmente, tem 13 membros.
JC - Imagino que as integrantes do grupo já eram suas amigas...
Stella - Então, quando criança, minha filha jogava futebol de salão no colégio em que estudava. E as mães estavam sempre ali por perto, acompanhando e torcendo pelas crianças. A gente se reunia muito por causa das partidas de futebol. E nos dávamos bem, estávamos sempre juntas. Foram essas mães torcedoras que começaram o grupo. E o objetivo da brincadeira segue até hoje, embora a história tenha fica séria. Ideia lançada, passamos a nos reunir em casa para termos aulas de dança com um professor. O grupo é composto por mulheres que apostam na amizade como algo capaz de mudar a vida de uma pessoa. É nessa união que descobrimos que a vida pode ser mais leve e feliz.
JC - O que o grupo foi agregando ao longo do tempo?
Stella - Agregou coragem. Talvez todo mundo tenha trazido comprometimento e determinação. Fizemos muitos shows animadíssimos para as famílias e fomos gostando da coisa. Veio o “Embromation”, em 2005, e “Embromation Volume II”, em 2008. Com tais apresentações de dana, percebemos nossa evolução e decidimos que estava na hora do teatro, que foi um divisor para a gente. Tínhamos que dar a cara a bater, tudo em nome do desafio próprio e nunca apenas para falar “olha”. O teatro veio em 2009 com a experiência de uma aventura chamada “1 Champagne por favor”. Encontramos um ótimos diretor disposto a nos acompanhar e o nosso resultado foi: Eu encarei o desafio, superei e adorei. Estamos em busca constante de novos desafios.
JC - Você sempre gostou de artes?
Stella - Sempre fui muito ligada ao teatro e musicais e sempre que posso assisto aos espetáculos, principalmente em minhas viagens. Não chegamos a fazer cursos profissionais ou algo assim. As apresentações começaram mesmo como um desafio nosso. Não tínhamos experiência, não sabíamos se na hora das apresentações teríamos aquele temido “branco”. Mas encaramos a proposta e até gostamos de dizer que “ser pink” é sair da plateia e subir ao palco. Fizemos tudo isso para nós mesmas. O mais importante de tudo é a consequência desse caminho. Então, o mais importante disso tudo foi encarar e realizar, encarar e realizar. Isso feito, vamos para o próximo desafio.
JC - O livro “E o Grande Dia Chegou!” foi um desses desafios?
Stella - Sim. Em 2009, estávamos entre o livro e o teatro e, por alguma coisa, o teatro veio primeiro. O livro era um projeto mais antigo e as meninas olhavam super reticentes para ele. Em 2011, veio a necessidade de um novo passo. Era a hora de escrever o livro contanto nossa história. O lançamento do livro foi muito legal. Todas muito animadas e envolvidas com o projeto. Fizemos uma grande festa de apresentação. É muito bom você realizar algo que chamais sonhou em fazer.
JC - E qual será o novo desafio Pink?
Stella - Queremos trabalhar com vídeo. Novamente não é nada externo, mas uma realização do grupo. Ainda não sei exatamente o que será.
JC - Você faz parte de uma das famílias mais tradicionais do Interior de São Paulo. Seu avô, inclusive, foi um dos fundadores da Tilibra. Quais são os bons momentos da sua época de menina?
Stella - Minha vida foi totalmente marcada pela marca Tilibra. Eu cresci ouvindo e vivendo a empresa. Toda a história, os momentos bons e os difíceis, fazem parte da minha vida. E o meu marido continua trabalhando lá. Então ainda temos uma ligação forte com a Tilibra. Quando penso em minha infância, eu me lembro daquela família tipo comercial de margarina, sabe? Até que veio o choque da morte do meu pai e de outros familiares.
JC - Foi o momento mais triste de sua vida?
Stella - Sem dúvida. A morte do meu pai veio quando eu tinha 17 anos de idade. Em pouco mais de um ano perdemos meu pai, três tios e uma avó. Foi um baque mesmo. Éramos muito felizes. Meu pai gostava muito de festa, de cantar, de reunir e estar sempre com gente em casa, o que eu trouxe também para a minha vida. Essa minha coisa de agregar a família é uma herança do meu pai e também da minha mãe. Foi a partir daí que vi toda a luta da minha mãe e a família precisando se fortalecer. É por isso que dou a “nota 10” a ela. Naquela época eu fiz dois intercâmbios, o que me ajudou a superar a crise, claro que em partes.
JC - Onde você viveu tais experiências?
Stella - Foram experiências que eu achei fantásticas. Gostei muito mesmo. Vivi nos Estados Unidos e depois na França. Quando morei nos Estados Unidos eu vivi com uma família hospedeira, aquela coisa mais de adolescente, o que me lembro de ter gostado muito. Já na França, eu já tinha mais idade e comecei a viajar muito. Morei em Paris, fiz amizade com uma holandesa, aliás nos falamos até hoje. Vivíamos viajando e conhecendo a Europa. Lá é tudo pertinho e os trens são ótimos.
JC - Quais serão os próximos destinos?
Stella - Viajo muito e ainda tenho alguns roteiros pretendidos, como a vontade de conhecer a Índia, China e o Peru. Talvez a Austrália, também...Algumas viagens me marcaram muito, como a Tunísia. Não sei se é porque eu vinha de uma sequência de desertos, mas...Algo ali me marcou muito. É um lugar diferente onde as pessoas, em um primeiro momento, parecem não ter nem ao menos promessa de melhoria de vida...
JC - Um período importante?
Stella - Eu passei a fazer ioga logo depois que nasceu o meu primeiro filho, há quase 20 anos. Foi o canal de abertura da minha vida. Passei a ter mais coragem, a me conhecer melhor e a deixar um pouco a minha timidez de lado. Acredito que a prática é algo que deva ser recomentada.
JC - Uma situação constrangedora...
Stella - Passamos vergonha no começo do grupo Pink. Era final de campeonato do time das crianças filhas das mães do grupo. Tinha muita gente, não era somente uma escola e decidimos apresentar o “Embromation”. Começamos a primeira música e a gente não ouvia o som, não sabíamos mexer com o equipamento... Nem me lembro direito, eu não enxergava mais nada de tanto constrangimento. Mas tudo aquilo foi importante, principalmente na época do teatro. Aquela exposição foi tão grande que ficamos mais fortes para as próximas apresentações (risos).
JC - Falar sobre hobby é falar de natação?
Stella - Sempre gostei muito de atividades esportivas. Adoro natação. Para mim, nadar vai além da atividade física. Eu relaxo quando estou na água e dou um fim ao estresse. Já a dança foi uma brincadeira que eu só tenho a agradecer, pois foi por meio dela que surgiu o grupo. Nos reunimos em casa para dançar, ensaiar, às vezes até quatro vezes na semana, principalmente quando temos apresentações.
JC - Um momento feliz?
Stella - Posso destacar ao menos três deles: os nascimentos dos meus filhos. Fiz parto normal sem saber o sexo dos meus filhos. É algo que eu indico a todas as mulheres. Na hora do parto, apesar da dor, a emoção sentida ao ouvir o médico dizer que o bebê está vindo e você ali, sem saber quem está chegando e querendo ver a carinha dele ou dela é algo sem igual. Só passando pela emoção para saber. Eu recomendo.
Perfil
Nome: Stella Viotto Coube Jacob
Idade: 46 anos
Local de Nascimento: Bauru
Signo: Áries
Marido: Wagner Jacob
Filhos: Thomas, Clara e Nicholas
Hobby: Dança e natação
Livro de cabeceira: Caim, de Saramago, e “E o Gra de Dia Chegou!”, do grupo Pink
Filme preferido: “O céu que nos protege”
Estilo musical predileto: Sertanejo
Time: Corinthians
Para quem dá nota 10: Para minha mãe, Olga Viotto Coube
Para quem dá nota 0: Para aqueles que discursam com preconceito e sentimento de culpa subentendidos nas palavras
E-mail: jacoub@uol.com.br