Derrotado no último dia 11 nas eleições pela presidência do Corinthians, o empresário Paulo Garcia, dono da Kalunga e filho do presidente noroestino Damião Garcia, promete abrir a “caixa preta” do pleito realizado no clube de Parque São Jorge. Pelo menos foi isso que indicou nas rápidas palavras que concedeu ao repórter Jota Augusto, da Rádio Auri Verde, ontem, quando esteve em Bauru para acompanhar a partida entre Noroeste e Rio Claro pela Série A-2 do Campeonato Paulista.
“As eleições serão anuladas porque até morto votou”, acusou o empresário que encabeçava a chapa oposicionista Pró-Corinthians, representando a oposição. Garcia foi derrotado por Mário Gobbi Filho que, apoiado pelo presidente licenciado Andrés Sanchez, confirmou o favoritismo e foi eleito com enorme vantagem – 1.852 votos contra 1.242.
Segundo Garcia, houve manipulação nos sócios votantes. “Não está bem esclarecido (a eleição). Vocês terão uma surpresa esta semana, vai ser anulada a eleição. Se tiver bom senso, vai ser anulada, porque até morto votou. Já foi comprovado. Mais de duas mil pessoas votaram sem condição de voto, eles alteraram as carteirinhas. Estou falando com exclusividade (à Rádio Auri Verde), as eleições serão anuladas. Está confirmado”, disse.
Garcia também não poupou críticas ao grupo eleito. “Esse pessoal vive do Corinthians, e nós vivemos para o Corinthians”.
Aos 57 anos, o proprietário do Grupo Kalunga é sócio do Corinthians desde 1970 e teve frustrada sua terceira tentativa de ser presidente.
Uma das “bandeiras” de Garcia pela presidência foi sair em defesa do atacante Adriano. Em entrevistas que antecederam o pleito, Garcia questionou o modo que a diretoria - que seguia formada pelo presidente Roberto de Andrade, o diretor Duílio Monteiro Alves e o gerente Edu Gaspar, ex-volante do Corinthians - vinham tratando o Imperador. “Estão contratando jogadores para a mesma posição, ele está sendo humilhado, e com auto-estima baixa não rende”, disse, na ocasião.
Ainda no dia da eleição, em entrevista ao site Globoesporte.com, Garcia mostrou revolta e já antecipava sua posição de ataque contra a organização promovida pelo clube para que os sócios pudessem votar. Garcia acusou Mário Gobbi de bloquear a entrada dos sócios no Parque São Jorge devido à sua suposta vitória parcial na disputa. “São um bando de incompetentes. Os sócios estão lá bloqueados porque estamos levando vantagem aqui na eleição. Eles só deixam entrar quem eles querem, estão selecionando eleitores” afirmou, visivelmente irritado, ao Globoesporte.
Sempre tratado como “agressivo” pelo adversário, na ocasião, Garcia disse que Gobbi devia explicações por sua campanha. “Eu não sou agressivo. Se eu fosse falar tudo que devia... Ele é um vergonhoso delegado de polícia que tem um ex-bicheiro na chapa. Eu só queria saber de onde veio o dinheiro da campanha dele, se foi do jogo do bicho, do Kia Joorabchian, sei lá de onde”, contestou, novamente ao Globoesporte.
Dos cerca de 11 mil sócios do clube que estavam aptos a votar, apenas 3.300 participaram da eleição.
Em coletiva, quando soube do resultado de sua derrota, Garcia foi muito menos incisivo. “Perdi, não quero ficar falando, dando desculpa. A eleição está perdida. É muito difícil competir com quem está há 20 anos no poder”, afirmou.