08 de julho de 2026
Nacional

Dois desistem de prévias no PSDB

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Dois pré-candidatos tucanos decidiram ontem abandonar a corrida à Prefeitura de São Paulo para apoiar o ex-governador José Serra, esvaziando as prévias convocadas pelo PSDB para definir seu candidato à prefeito.

 

O secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, anunciou ontem sua desistência e o apoio a Serra. O secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, anunciará hoje a retirada de seu nome.

 

Aliados do governador Geraldo Alckmin passaram o dia tentando convencer os dirigentes do partido a adiar as prévias, para dar a Serra mais tempo para entrar no processo. As prévias estão marcadas para o próximo domingo.

 

O grupo do governador calcula que 12 dos 18 integrantes da executiva municipal do partido apoiarão o adiamento das prévias. Eles vão se reunir amanhã à noite para discutir a candidatura de Serra. 

 

O ex-governador, que no início do ano dizia não ter interesse na eleição deste ano e mudou de ideia nas últimas semanas, deve formalizar hoje a decisão de concorrer à prefeitura por meio de uma carta endereçada ao partido.

 

As prévias foram convocadas quando Serra se dizia fora do páreo e o prazo para inscrições acabou em fevereiro. Serra aceitou participar das prévias depois de concluir que cancelá-las agora seria um vexame para os tucanos. 

 

Alckmin conversou ontem os outros dois pré-candidatos inscritos nas prévias, o secretário de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli, mas não conseguiu convencê-los a aceitar o adiamento da consulta.

 

Ambos disseram que não se opõem à entrada tardia de Serra na disputa, mas resistem ao adiamento. Os aliados de Alckmin gostariam de ver a votação postergada para o dia 11 ou para 25 de março.

 

“Já mandei carta para eleitor e assumi compromissos”, disse Tripoli, ao justificar sua posição contrária ao adiamento. Para Aníbal, mudar a data da consulta agora só serviria para “tensionar” o partido. “Serra é conhecido por todo mundo”, afirmou. “De que mais tempo ele precisa?”

 

Ao anunciar sua desistência ontem à tarde, Matarazzo lembrou sua ligação antiga com Serra, de quem é amigo. Ele defendeu o adiamento da consulta. “Não vejo problema, não vai adiar mais do que dez dias”, disse o secretário.

 

Covas comunicou sua decisão ontem para Serra e ofereceu uma saída jurídica para sua entrada na disputa, sugerindo que poderia pedir formalmente à executiva do partido a substituição do seu nome pelo do ex-governador.

 

Segundo Covas, o procedimento está previsto na legislação eleitoral brasileira e poderia ser adotado pelo PSDB no caso de Serra, na ausência de norma que trate do assunto no estatuto do partido.

 

Na conversa que teve ontem com o ex-governador, Covas apresentou-se como “um soldado” de sua candidatura. Ele deverá assumir um posto na coordenação da campanha se os tucanos confirmarem a indicação de Serra como candidato a prefeito.

 

Segundo o Datafolha, Serra é o tucano com melhores chances na corrida à Prefeitura. Ele tem 21% das intenções de voto na sondagem mais recente, concluída em janeiro. Mas o ex-governador também enfrenta alto índice de rejeição. Um de cada três eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum.