08 de julho de 2026
Articulistas

Saúde pública

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

Não são raros os episódios de mal, quando não, de nenhum atendimento de pessoas necessitando de saúde. No quesito mortalidade infantil, a despeito das conquistas da Pastoral da Criança que a reduziu significativamente, ainda convivemos com um quadro preocupante. O índice brasileiro é um dos mais altos da América Latina: é maior do que do Peru, Colômbia, México, Belize, Argentina, Uruguai, Costa Rica, Barbados, Chile, Bahamas e Antígua e Barbuda, Venezuela e Cuba.

A mortalidade materna teve uma pífia redução, pouco condizente com um país que é a 7ª economia mundial. Aliás, quanto e refere a mulheres, os investimentos sempre são bem menores. Ainda mais preocupante é o do retorno de enfermidades já tidas como superadas em um passado recente: dengue, tuberculose, hanseníase, leishmaniose, dentre outras. Por outro lado, aceleram galopantemente os lucros do agronegócio que, com intensivo uso de pesticidas cada vez mais agressivos, contamina solos, águas, ar, provocando enfermidades graves e fatais. Oportuníssima, pois, a Campanha da Fraternidade (como todas as anteriores) deste ano que versa sobre a Saúde Pública.

Conhecida é a batalha vencida pela renovação da CPMF que propiciava um importante ingresso para o setor da saúde. Ademais, também se sabe que, os desvios de recursos da Saúde Pública é uma praga generalizada. Aqui, como em outros estados, desvia-se desde instrumentos sofisticados até seringa e gaze. Não se pense, como costumeiramente, que os autores são pessoas pobres e necessitadas. Pelo contrário, quase sempre, são detentores de diploma universitário, e têm renda alta. Acrescente-se a incúria com que é atendida a população empobrecida, justamente a mais atingida por uma gama de desvantagens em saúde. Deixa-se que equipamentos e prédios se deteriorem para parecer que o SUS é inviável. Assim, completa- se o quadro da penúria a que se reduziu, em alguns locais, a saúde pública.

A tentativa de desmantelamento do SUS, após duas décadas de árdua construção de um sistema de saúde que tem tudo para ser o melhor do mundo, é o mais preocupante. Inventam-se as mais variadas organizações para burlar a publicidade da saúde que oferece o SUS. Não sem razão, delegadas e os delegados da 14ª Conferência Nacional de Saúde, 30 de novembro a 04 de dezembro de 2011), rejeitaram veementemente todas as formas de privatização da saúde (Organizações Sociais, Fundações Estatais de Direito Privado, Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIPs, Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBSERH e Parcerias Público-Privadas). Se queremos garantir o direito da população, como um todo, à saúde, é preciso que defendamos corajosamente o SUS, tal como foi concebido coletivamente nos árduos anos da Constituinte.


O autor, Iolanda Toshie Ide, é colaborada de Opinião