Cristina Moreno de Castro
São Paulo - Um homem de 67 anos e uma mulher de 57 morreram ontem após um acidente entre um ônibus e um carro em um cruzamento da avenida Vereador José Diniz (zona sul de São Paulo). Uma outra pessoa ficou ferida. Segundo testemunhas, os semáforos da via estavam desligados no momento e o ônibus trafegava em alta velocidade.
Alfred Shorno e a secretária dele, Ana Camila Nyarady, estavam em um carro Mitsubishi ASX que subia pela rua Demóstenes. Ao chegar no cruzamento com o farol apagado, o motorista do veículo seguiu devagar, observando se tinha passagem, de acordo com testemunhas.
Naquele momento, um ônibus que seguia pelo corredor exclusivo da avenida Vereador José Diniz atingiu o Mitsubishi, que capotou e foi prensado pelo ônibus contra um poste no canteiro central.
Quando os bombeiros chegaram, ao menos um passageiro do ônibus estava ferido, e as duas pessoas no carro já estavam mortas.
O motorista do ônibus e três testemunhas foram ouvidas pela polícia ontem. Todas relataram que o ônibus estava em alta velocidade.
“Parecia uma locomotiva fora do trilho, a toda velocidade”, diz o empresário Leonardo Gragnano, 38 anos, que estava em um estacionamento ao lado do local da batida.
O também empresário Roberto Carvalho de Oliveira, 46 anos, que estava atrás do Mitsubishi, teve a mesma impressão. “Se não houvesse o poste, o ônibus teria capotado e haveria mais vítimas.”
Segundo o delegado João Paulo Cerqueira de Carvalho, do 27.º DP, o tacógrafo do ônibus parou a cerca de 5
km/h (velocidade máxima da faixa exclusiva) na hora da batida, mas antes disso o veículo freou por cerca de 2
m e arrastou o carro por outros 9 m. Para o delegado, isso indica que o ônibus estava acima da máxima permitida na via. Uma perícia vai confirmar a velocidade do veículo.
Com base nos depoimentos e nos dados do tacógrafo, Carvalho indiciou o motorista Jonas Santana da Silva, 27 anos, sob suspeita de homicídio doloso (quando se assume o risco de matar).
Júlio César Neves, advogado do motorista, nega que o ônibus estivesse acima da velocidade, diz que o carro entrou na frente do veículo e acusou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de responsabilidade no acidente.