11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Evolução da classe média puxa crescimento da economia brasileira

Da redação JCNet
| Tempo de leitura: 3 min

Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que a classe média será a principal responsável por sustentar um crescimento acumulado de 40% projetado pela entidade para a economia brasileira até 2020.

O estudo "A evolução da classe média e o seu impacto no varejo", divulgado hoje, chama de classe média as famílias que formam a classe C definida pelas faixas de rendimento da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por esse critério, integram a classe média famílias com renda mensal de R$ 1,4 mil a R$ 7 mil.

A pesquisa também prevê que, até 2020, a população brasileira crescerá de 7% a 8%, passando de 207 milhões de habitantes – quase 70% em idade economicamente ativa. Com isso, o PIB per capita deve crescer mais de 30% em termos reais até o final desta década. Ao mesmo tempo, o País terá que arcar com as aposentadorias de mais cinco milhões de pessoas. “Isso traz grandes consequências políticas, econômicas e sociais que necessitam de atenção desde já”, alerta Abram Szajman, presidente da FecomercioSP.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda per capita foi de R$ 19.342 em 2010. A FecomercioSP projeta que, entre 2011 e 2020, o consumo per capita deve crescer 30% para as faixas de renda A e B, e quase 50% para as demais. Dos cerca de R$ 2 trilhões que o Brasil deve adicionar ao PIB até 2020, R$ 1,4 trilhão virá do consumo das famílias. Esse crescimento de poder de consumo será mais evidente na classe C, que já abrange 54% da população brasileira e detém um poder de consumo de mais de R$ 1 trilhão, o que equivale a 51% de toda a renda das famílias. “A tendência do Brasil é subir na escala e crescer mais que a média mundial”, afirma Antonio Carlos Borges, diretor executivo da entidade.

 

Mudanças em curso

As transformações previstas pelo estudo “A evolução da classe média e o seu impacto no varejo” já estão em curso. Com uma renda familiar mensal de R$ 2,9 mil o perfil do consumidor brasileiro está mudando, e rápido. “Além de consumir mais, as famílias estão gastando melhor”, pondera Borges.

Uma das mudanças mais claras está no setor de alimentação. O brasileiro passou a comer mais vezes fora de casa e, com isso, o gasto com alimentação em bares, restaurantes e lanchonetes cresceu 26,6% entre 2003 e 2009, atingindo R$ 145,59 por mês. Apesar de comer mais vezes fora de casa, o brasileiro está se alimentando melhor. O consumo de carne bovina de boa qualidade aumentou 4,2% enquanto o consumo de frango recuou 11,8%. Outro exemplo é a substituição do óleo de soja pelo azeite de oliva, que avançou 13,8% no período analisado.

Os gastos com telefonia móvel são, talvez, a melhor demonstração das transformações vivenciadas pela sociedade brasileira. Os gastos mensais dos brasileiros com aparelhos celulares teve impulso de 63,3% entre 2003 e 2009, saindo de R$ 17,68 para R$ 28,93. Entretanto, se olharmos os gastos divididos por faixas de renda, fica claro que os maiores aumentos aconteceram nos estratos menos abastados. A classe “C”, por exemplo, ampliou os recursos destinados ao serviço em 70%; já na classe “E”, os gastos subiram 312%.