Esta é recente, aconteceu em dezembro de 2011 numa pescaria realizada por uma turma de amigos já acostumados a ir atrás de piaparas, tucunarés, corvinas, bagres e o que for fisgado. Neste caso, estávamos atrás somente dos bocudos e corvinas, pois era período de piracema.
Foi no rio Grande, divisa com Minas Gerais, caminho para Uberaba, rio muito preservado de águas límpidas e cristalinas que tem seu curso interrompido em alguns pontos por algumas barragens de usinas hidrelétricas.
O caso aconteceu numa manhã ensolarada lá pelas bandas de Miguelópolis, em trecho do rio, logo abaixo da Usina de Volta Grande. Ali o leito principal tem forte correnteza, pois ainda não chegou ao remanso da represa de jusante.
Ao lado do rio existem várias lagoas separadas deste apenas por uma estreita faixa de terra que em alguns locais permite acesso destas com o leito do rio.
Durante o fato, estávamos em três, eu, meu primo Zé e o piloteiro chamado carinhosamente de "Caverna". Fomos bem lá para baixo, no remanso do lago da represa de jusante e nada dos tucunas, lançávamos isca artificial, isca viva e nada de tucunaré. O nosso guia sugeriu então que subíssemos até uma das lagoas onde dizia que era bastante piscoso e que outro dia mesmo, havia pegado vários amarelões.
Lá chegando, logo que o Caverna apoitou fiquei extasiado com a beleza do lugar e a transparência da água, totalmente cristalina, dava para ver o fundo do rio, as plantas no seu eterno vai e vem, um verdadeiro jardim subaquático. A profundidade ali era de mais ou menos de dois a três metros.
Como sou muito curioso, avistei no fundo do rio uns buracos formando um círculo e perguntei para o Caverna o que era aquilo. Ele nos explicou que eram locas de tilápia. Começamos a pescar e logo o Zé fisgou um bocudo dos bons, mas deu uma vacilada para trazer, e o bicho foi para o enrosco.
Solicitamos ajuda do nosso amigo piloteiro para desenroscar, mas olhando melhor a trajetória da linha naquela água cristalina, vi o empate brilhar e logo após este, a linha que era colorida enfiada numa das locas. Percebi que o tucunaré estava logo na boca, pois a linha após o empate era curta. Avisei o Caverna e este com um sorriso matreiro disse:
- Zé, você não é da cidade grande? Chama o bichinho pra passear praquelas bandas! Quem sabe ele sai!
O Zé, sem acreditar muito arriscou e chamou o tucuna! E adivinhem os caros amigos o que foi que aconteceu? O bicho veio com mala e tudo! Vejam a foto do Zé segurando o peixe.
O pior é que o coitado do tucunaré dançou. Nós paramos numa ilha no meio do rio para assar uns peixes na grelha (vejam a outra foto da turma) na hora do almoço, e o coitado foi junto na assada. Nem chegou na cidade grande!
Daí o título da história (com h) "Tucunaré Deslocado" porque realmente aconteceu. E quem duvidar é só perguntar para o Caverna de Miguelópolis.
Edson Almeida é pescador e contador de causos