Henry Thoreau, em sua obra-prima "Solitude", descreve alguns dos momentos mais felizes de sua existência, quando se isolou em uma pequena cabana às margens do "Walden Pond" (Lago Walden), nas proximidades da pequena Vila de Concord, Massachussetts, onde pôde compartilhar intimamente com as maravilhas da natureza. Deus em sua infinita misericórdia permitiu que eu também compartilhasse desse mesmo amor pela natureza. Vivo em uma floresta que eu mesmo plantei e aqui convivo com as criaturas de Deus.
As árvores me oferecem sombra onde posso descansar e ler, os sabiás encantam os meus ouvidos, os Íbis Sagrados do Egito, os Jacus e os Bem Te Vis bem como os sagüis se alimentam das frutas e dos caracóis. Contudo, os meus maiores companheiros que me fazem louvar a Deus pela companhia que me oferecem sãos meus cães Lobos Malamute. Descendentes de lobo do Alaska e cão malamute. São animais dóceis, de postura majestosa e fidelidade incontestável. Uivam de alegria e me abraçam calorosamente a cada manhã e sempre que volto para casa depois de qualquer ausência. A única tristeza que sofro por eles é quando movidos pelo instinto de caça escapam e podem matar frangos de algum vizinho que tento ressarcir imediatamente, mas não consigo deter a ira destrutiva que alguns seres "racionais" destilam em seus corações. Cada cão envenenado é como se parte do meu coração tenha sido esmagado irremediavelmente.
Henry Thoreau declara: "Apesar de tudo, eu encontro o mais inocente e companheirismo encorajador em qualquer objeto da natureza. Não pode haver melancolia obscura para aquele que vive no meio da natureza. Alguns dos meus melhores momentos foram aqueles durante as tempestades da primavera e do outono que me confinavam dentro de meu abrigo."
O mesmo acontece comigo, a natureza me traz conforto e meus lobos a companhia que tanto me conforta. Durante as tempestades que ocorrem ultimamente, fico na varanda cercado pelos lobos, que sobreviveram aos envenenamentos dos últimos meses, e nos tornamos parte da renovação da natureza em meio aos trovões e das águas puras que generosamente caem do céu. Junto com esses meus irmãos, como São Francisco os considerava, agradecemos ao Criador pelo dom da vida e me recordo com saudade daquela noite junto com minha filha, meu genro e meus netos e meu primeiro lobo "Gubbio" então com três meses de idade, que também eventualmente foi envenenado por algum "maledetto" Mephistopheles da minha vizinhança aqui do Brasil, acampamos ao lado de um riacho borbulhante de águas alpinas ao sopé do vulcão "Shasta" no Oregon e participamos do chamado da floresta "The call of the wild" quando uma alcatéia uivava das encostas mais altas da montanha e nós respondíamos com imitações desafinadas, como o salmista, louvamos ao Senhor juntamente com suas criaturas.
Professor Benedito S. Guedes de Azevedo