08 de julho de 2026
Regional

Motorista é acusado por cinco mortes

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – Estão sendo velados na manhã desta sexta-feira (2) os corpos das vítimas do acidente que ocorreu na quinta-feira (1), em Botucatu. O velório acontece no Ginásio Prefeito Milton Monti de São Manuel e o enterro será às 16h no Cemitério Municipal.


Entenda o caso

O motorista Renato Anselmo, de 33 anos, que estava dirigindo sob efeito de bebida alcoólica, provocou grave acidente ontem de manhã, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Quatro trabalhadores de uma usina de São Manuel morreram no local. Uma quinta vítima morreu ao dar entrada no Pronto-Socorro (PS) do Hospital das Clínicas (HC). Até o fechamento desta edição, três vítimas permaneciam internadas, uma delas em estado grave. O acusado foi preso em flagrante por homicídio com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de matar), sem direito à fiança, e recolhido à Cadeia Pública da cidade. O advogado dele considerou o acidente uma fatalidade.

O acidente ocorreu por volta das 8h10, na altura do quilômetro 176 mais 900 metros da rodovia Geraldo Pereira de Barros (SP-191). Segundo o boletim de ocorrência (BO) registrado pela Polícia Civil, Renato Anselmo, que conduzia o Voyage, placas EVS-7412, de Piracicaba, no sentido São Manuel-Santa Maria da Serra, colidiu na traseira do reboque tracionado pela perua Kombi, placas DUK-7063, de São Manuel, que transportava seis trabalhadores rurais.

 

Com o impacto, a perua foi arremessada em direção à pista contrária. A van Sprinter, placas CQH-3076, de Jundiaí, que seguia sentido São Manuel, não conseguiu desviar e colidiu contra a lateral da Kombi, que parou além do acostamento da via. Manoel Odilon dos Santos, 56 anos, José da Costa, 50 anos, Jefferson Lima dos Santos, 22 anos, e Reginaldo Mendes, 30 anos, todos passageiros da perua e trabalhadores da Usina Açucareira São Manoel, morreram no local.

 

Francisco Dionísio da Silva, 47 anos, que também era passageiro do veículo, chegou a ser levado com vida ao PS do HC, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no início da tarde. O motorista da Kombi, Rodrigo César Carnietto, 26 anos, e Nelson José Destro, 45 anos, que estava ao lado dele no veículo, tiveram ferimentos leves e também foram levados para o HC. Já a condutora da van, Ângela Maria da Silva Guimarães, 32 anos, ficou gravemente ferida.

 

Após o acidente, o condutor do Voyage fugiu sem prestar socorro às vítimas. Com as características dele e placas do carro, policiais militares e rodoviários efetuaram cerco na região e localizaram o veículo abandonado na altura do quilômetro 149 da rodovia, em Anhembi, cerca de 28 quilômetros após o local da colisão. Anselmo foi detido em um posto de gasolina no quilômetro 224 da rodovia SP-304, a cerca de dois quilômetros de onde estava o Voyage, quase uma hora após o acidente.

 

Como apresentava sinais de embriaguez, ele foi submetido ao teste do etilômetro (bafômetro), que constatou a presença de 0,62 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões. Em conversa informal com os policiais, Anselmo teria dito que esteve em uma pizzaria de Avaré na noite de quarta-feira, onde consumiu quatro garrafas de cerveja. Ele também teria alegado que havia dormido em uma pousada e seguido viagem pela manhã com destino a Piracicaba, onde reside.

 

No caminho, ele conta que sofreu um “apagão” e que só se recorda dos momentos após a colisão. Após a confirmação da embriaguez, o jovem foi conduzido à Central II de Polícia Judiciária de Botucatu, onde preferiu manter-se em silêncio. Ele foi autuado em flagrante pelo delegado Antenor de Jesus Zeque pelos crimes de homicídio com dolo eventual, embriaguez ao volante e fuga do local do acidente. No final da tarde, ele foi recolhido à cadeia da cidade.

 

No início da noite, os corpos dos cinco trabalhadores seriam submetidos à exame necroscópico. De acordo com a empresa funerária de São Manuel responsável pelo velório e sepultamento das vítimas, a liberação dos corpos às famílias só deveria ocorrer na madrugada de hoje. 

 

 

‘Fatalidade’

 

O advogado de Renato Anselmo, Riad Georges Hilal, considerou o acidente uma “fatalidade” e disse que seu cliente “só vai falar em juízo” porque não tem “condições emocionais” de prestar depoimento. “Ele bateu na carreta da perua, a perua eu acho que atravessou a pista, estava vindo uma van e a van bateu no meio da perua. Eu acho que por isso houve a fatalidade”, afirma. “Ele fez redução de estômago e tem hipoglicemia e diabetes. Eu não sei se ‘deu um branco’, se ele ‘apagou’, se ele dormiu”.

 

Segundo Hilal, Anselmo mora em Piracicaba, havia ido até Avaré a trabalho, jantado no município, e estava retornando para casa. “É uma pessoa que nunca foi processada, em 33 anos de idade nunca pisou em uma delegacia, estava trabalhando na empresa do pai dele, onde eles consertam máquinas de usina, e estava indo a Piracicaba de manhã para encontrar com a esposa dele”, declara. “Foram seis famílias arrasadas – as das cinco vítimas e a dele”.

 

Quando questionado sobre a embriaguez do jovem, comprovada pelo teste do bafômetro, o advogado desconversa. “Para mim, ele não disse nada. Tem exame de bafômetro, mas eu ainda não tive acesso. Eu vou fazer essa análise posteriormente”, pontua. Ele conta que vai pedir a liberdade provisória de seu cliente alegando que ele é reu primário e tem bons antecedentes. Se o pedido for negado, ele revela que vai ingressar com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ).