Gosto desses calendários em que se pode destacar a folhinha do dia. Esses que todos os dias estão num único bloco, pois eles me dão certa calma, já que não apresentam 365 desafios de uma só vez. É apenas 1 dia a lhe encarar, a lhe convidar para viver ou sobreviver. Também gosto desses calendários porque parece que posso controlar o tempo; adiantá-lo transformando em papel picado a solidez do presente ou fingir que aquele dia especial ainda não terminou. Doce engano! O tempo não nos pertence e seu ofício é passar.
O tempo é deus na música "Oração ao tempo" de Caetano Veloso, gravada agora por Maria Gadú. Na letra, o "compositor de destinos" recebe um pedido, um acordo lhe é proposto. O tempo é realmente um deus que controla a ampulheta-mundo. E nós, grãos de areia a cair. No último sábado, o horário de verão terminou: uma noite mais longa num ano que durará 1 dia a mais, por ser bissexto. Mais tempo para o trabalho? Mais tempo para diversão? Eterno mistério: o tempo não nos pertence e seu ofício é passar... e nos levar junto.
Lydia Rodrigues, estudante de jornalismo da Unesp