08 de julho de 2026
Geral

Falta de água gera revolta em bairros

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Sem água há dois dias, ontem à noite, a paciência de alguns moradores dos bairros Parque Jaraguá, Núcleo Nove de Julho e Parque Santa Edwirges se esgotou e eles foram até a Unidade de Reservação (UR) do Departamento de Água e Esgoto (DAE) que fica na alameda Ptolomeu para protestar. Alguns mais exaltados invadiram o local para tomar banho usando a água de um encanamento. A previsão da autarquia é de que a situação na região só seja resolvida a longo prazo, com a perfuração do poço do Bauru 16.


Revoltados, os moradores exigiam dos funcionários que cuidam do prédio uma resposta da presidência do DAE para a situação que, segundo eles, é frequente. Com a chegada da Polícia Militar (PM), os ânimos foram contidos. Segundo os populares, ontem, a água chegou por volta das 6h, mas logo acabou. A faqueira Marlene Maria de Oliveira Burger, 38 anos, que mora na quadra 1 da rua Yoichi Ogihara, no Parque Jaraguá, conta que tem três filhos e que, desde sábado, toda a família está sem tomar banho.


“Meus filhos estão sem almoço, sem café da manhã, só tomaram leite. Amanhã (hoje) eu levanto às 5h para trabalhar e imagina a situação”, diz. “Eles falaram que iam mandar um caminhão-pipa para abastecer minha caixa d’água e, até agora, nada. Aí nós viemos aqui, nós não temos o que fazer. Faz mais de um mês que está assim. Sem luz a gente fica, mas sem água não tem como”.


A irmã dela, a faqueira Marilene de Oliveira, de 35 anos, que mora na quadra 1 da rua Maria Benedita Cury, também no Parque Jaraguá, reclama que paga caro por um serviço que não está tendo. “Eu estou sem tomar banho, com minha pia cheia de louça”, revela. “A gente só quer água, só quer uma resposta. Ninguém quer brigar, ninguém quer quebrar nada, ninguém quer fazer bagunça. A gente quer simplesmente a água para poder sobreviver”.


O pedreiro Euclides Pifer, que mora na quadra 17 da rua Ayrton Busch, mostrou à reportagem um protocolo, datado da última sexta-feira, onde ele solicita ao DAE uma solução para o problema do desabastecimento no bairro por meio de um abaixo-assinado com 202 assinaturas. Segundo ele, apesar das contantes reclamações feitas ontem, a autarquia informou que a água só deveria retornar às torneiras durante a madrugada.


O diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, Igor Beckmann Fournier, informou ontem à noite que todos os poços, além da Estação de Tratamento de Água (ETA), estavam funcionando normalmente. “Hoje, a ETA teve um pouco de limitação por conta de água barrenta e diminuiu um pouco a produção durante o dia, mas já retomou no final da tarde”.


Ele diz que a falta de água na região que compreende os bairros Bauru 16, Parque Roosevelt, Jardim Vânia Maria, Vila Dutra, Parque Jaraguá, Parque Real, Industrial, Nova Esperança é crônico e pontua que “os moradores estão sendo muito tolerantes”. Contudo, segundo ele, a solução definitiva para o problema só virá com a perfuração do poço profundo no Bauru 16, obra prevista para ser executada ainda neste ano.


Ainda de acordo com Fournier, o forte calor do final de semana contribuiu para aumentar o consumo de água, resultando em desabastecimento. “Quem dera, todo o sistema do DAE fosse interligado e eu tivesse uma obra para remanejar água de um lugar para o outro”, desabafa. O diretor acredita que o início da operação dos poços Cardia e Marabá, previsto para ocorrer em 40 dias, também possa ajudar a minimizar o problema.