08 de julho de 2026
Geral

Lixo reciclável cresce e coleta falha

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

R$ 6

mil. Este é um dos custos estimados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) para resolver o problema na defasagem da coleta seletiva em Bauru. Em um ano, o município registrou aumento em mais de 4

% de lixo reciclável recolhido nas residências. Moradores de diversas regiões da cidade reclamam da situação. A Semma reconhece a “falha” e alega falta de estrutura.

 

“Estamos com muita dificuldade para recolher os materiais em toda a cidade. Nossos caminhões já trabalham no limite. Estamos até pagando hora extra para os coletores, mas não conseguimos dar conta da demanda”, reconhece o secretário do Meio Ambiente em Bauru, Valcirlei Silva.

 

Apesar de existir há mais de dez anos na cidade, a coleta seletiva, segundo admitiu o próprio secretário, mostra-se ineficaz diante do aumento na demanda.  Somente neste ano, a quantidade de lixo reciclável recolhido no município superou em 6

toneladas o total de materiais gerados pelas residências em 2

11, que era de 182 toneladas. Esse número representa um aumento de 4

% em relação a janeiro do ano passado.

 

“Os feriados, as chuvas, a falta de equipamentos e pessoal faz com que as falhas aconteçam. Nessa época de chuva, por exemplo, nosso traballho é prejudicado ainda mais. Os caminhões chegam fazer duas viagens por dia, mas não dão conta de tudo”, completa o secretário.

 

 

 

Quatro caminhões

 

Além do aumento na demanda, existe ainda a ampliação dos trabalhos realizados pela Semma nos bairros.

 

Em 2

11, 75% das residências localizadas na zona urbana eram atendidas pelo serviço. Entretanto, após a compra de dois caminhões, neste ano a prefeitura acabou levando a coleta para outras localidades, totalizando 86% de bairros atendidos. Ao mesmo tempo, outros dois veículos antigos precisaram ser desativados e a coleta começou a falhar.

 

Atualmente a Semma atende Bauru com quatro caminhões, 18 coletores e seis motoristas, um efetivo considerado baixo. A prefeitura aponta que, se dobrada capacidade, a coleta seletiva conseguiria suprir a falta e ainda ampliar o serviço para os 14% de bairros restantes na cidade.

 

 

 

Profissionalização

 

Segundo Valcirlei, a saída identificada pelo órgão gestor do meio ambiente no município é ampliação da relação da prefeitura com as cooperativas de catadores de recicláveis. 

 

“Queremos que esse pessoal se profissionalize e trabalhe por conta própria. Nós daremos toda a estrutura e estaremos na retaguarda, mas precisamos que esse serviço não fique todo centrado só na prefeitura. Estamos analisando o serviço em cidades vizinhas e pretendemos aplicar algo do tipo aqui”, enfatiza o secretário da Semma, ressaltando que um catador pode tirar por mês quase R$ 1 mil, mais benefícios trabalhistas.

 

Questionado quanto a outras medidas para conter o avanço do lixo nos bairros, como o uso de lixeiras comunitárias para centralizar o serviço, o secretário afirma que é preciso pensar que essas situações são arriscadas, pois envolvem depredação.

 

 

 

Mais 2 caminhões são esperados

 

De acordo com o titular da Semma, Valcirlei Silva, pedido de abertura de licitação para a compra dos caminhões está tramitando na Secretaria Municipal de Administração. Para ele, é possível que a prefeitura libere, ainda neste ano, uma verba para a compra de pelo menos dois caminhões destinados a coleta seletiva no município. Sobre o aumento no efetivo de trabalhadores, a Semma alega que existe dificuldades para a realização de concursos para o cargo de coletor por conta de entraves jurídicos na profissão.

 

 

 

Sem dar conta do recado

 

Enquanto a situação não é resolvida, na manhã de ontem moradores da zona sul e de outras localidades mais distantes reclamavam das várias semanas que se passaram sem a coleta dos recicláveis aparecer.

 

“Eles resolveram segmentar a coleta do lixo, mas não estão dando conta do recado”, reclama Alaércio Mesquiati, 76 anos. Ele conta que mora há cerca de dez anos no Jardim Aeroporto, na zona sul de Bauru, e nunca viveu uma situação tão complicada em relação à coleta seletiva.

 

“Coloco o lixo para fora no dia em que a coleta esta marcada, mas eles não passam e aí tem que recolher tudo pra dentro de casa de novo. Senão vem a chuva e acaba espalhando”, completa Mesquiati. As lixeirinhas das residências próximas à quadra 2 da rua Eduardo Vergueira de Loureiro, ainda na zona sul, estavam lotadas de materiais recicláveis. Seriam o resultado de várias semanas sem o serviço.

 

 

 

‘Quando chove...’

 

A doméstica Iara da Silva Santos, 25 anos, estava revoltada com a situação. Ela conta que, para não ter problemas, acaba empilhando os materiais no fundo da casa dos patrões. “O pessoal passa, acaba mexendo e espalha tudo, daí a patroa chega e acha que a gente não limpou direito. Para isso não acontecer acabo colocando na rua e recolhendo o lixo de volta para dentro toda semana”, afirma Iara.

 

Moradora da quadra 3 da rua Alameda Saturno, no Santa Edwirges, Iara também reclamou da situação em seu bairro. “Lá a coisa é bem pior do que na zona sul. Não passa o caminhão recolhendo os recicláveis. E, quando chove, já viu...”

 

Luizângela Scadua, 46 anos, é moradora do bairro Águas Virtuosas, próximo à rodovia João Baptista Cabral Rennó, a Bauru-Ipaussu. Ela aponta que, pelo bairro ser localizado em uma região afastada da cidade, os moradores acabam tomando uma medida arriscada ao incinerar o lixo acumulado.

 

“Nós não temos coleta, fica tudo espalhado. A rua é intransitável e temos que ir caminhando até a pista. Não tenho escolha e nem meus vizinhos. Alguns materiais nós conseguimos vender, mas o resto acabamos queimando tudo”, ressalta.