Beirute - O presidente da Síria, Bashar al-Assad, enfrentou ontem a cólera cada vez maior do Ocidente por impedir a entrada de ajuda humanitária em um bairro devastado da cidade de Homs e pelas acusações de abusos aos direitos humanos, que incluem fotos que supostamente mostram vítimas de tortura em um hospital da cidade.
Dezenas de homens, mulheres e crianças voltavam a pé para Baba Amr, informou a televisão estatal, passando pelos edifícios danificados e cravejados de balas, dias depois de os combatentes rebeldes saírem em retirada após uma forte operação militar.
A Cruz Vermelha aguardava aprovação para distribuir ajuda ao bairro que ficou sob cerco durante um mês.
Os moradores que fugiram do bairro contavam histórias sobre corpos em decomposição sob os destroços, esgoto misturado com lixo nas ruas e uma campanha de prisões e execuções.
“O cheiro de morte estava por toda parte. Podíamos sentir o cheiro dos corpos enterrados sob os destroços o tempo todo”, disse Ahmad, que fugiu para o Líbano. “Vimos tanta morte que, no final, a visão de um corpo desmembrado não nos comovia mais.”
Apesar do coro de descontentamento dos líderes ocidentais diante dos relatos mais detalhados sobre o cerco a Baba Amr, eles descartaram uma intervenção militar na Síria como a ocorrida na Líbia, temendo que a ação possa deflagrar um conflito maior no Oriente Médio.
A Casa Branca informou ontem que o presidente Barack Obama está comprometido com os esforços diplomáticos para cessar a violência, dizendo que Washington busca isolar Assad, cortar suas fontes de renda e estimular a união entre seus opositores. No entanto, aumentam os pedidos por uma ação para proteger os civis.