08 de julho de 2026
Geral

Mais de 400 fazem diálise em Bauru

Bruna Dias colaborou Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Quando o assunto é patologia, todos se preocupam. O que poucos sabem é que doenças como a hipertensão e o diabetes podem ser facilitadoras para o desenvolvimento de doenças renais crônicas, intituladas DRC. Hoje, no Dia Mundial do Rim, levantamento feito a pedido do JC mostra que mais de 4

pessoas em Bauru fazem diálise peritonial e hemodiálise para conseguirem suprir a insuficiência renal, segundo a Associação Bauruense de Apoio e Assistência do Renal Crônico (Abrec).

 

De acordo com dados colhidos junto à assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, até o momento, 41 pacientes do Hospital de Base (HB) de Bauru aguardam ansiosamente por um doador compatível e, assim, realizar o transplante de rim. Na região este número passa dos 1.37

, como é o caso de Angela Ribeiro, 49 anos, moradora de Lins que faz hemodiálise no Hospital Estadual (HE) de Bauru (leia mais abaixo).

 

A nefrologista e professora da Faculdade de Medicina da Unesp de Bauru Jaqueline Caramori explica que a DRC é uma condição em que se reúnem várias doenças. “Reúne uma série de doenças e condições que, mesmo que distantes do rim, podem estar levando ao seu acometimento. Eu falo distantes porque a população muitas vezes não entende que doenças como hipertensão arterial e diabetes, que acontecem no corpo como um todo, podem ocasionar a doença renal”.

 

 

 

Diagnóstico

 

Jaqueline pontua que o diagnóstico da doença no seu estágio inicial é muito importante e, para isso, é preciso também manter o controle das patologias. “As pessoas que tiveram algum tipo de agressão no rim e essa lesão ainda ficou, pode voltar ao longo dos anos por conta da cicatriz ter ficado. Outro fator que a população deve estar alerta é a ocorrência da doença na família. O diagnóstico precoce advém do conhecimento que a pessoa possa ter sobre a sua condição”, acrescenta.

 

Diante da complexidade do assunto, em abril de 1983 a  Abrec foi fundada por iniciativa de médicos, nefrologistas, técnicos, pacientes renais crônicos e colaboradores vinculados à questão do doente renal crônico. 

 

A entidade apoia, orienta e assessora os pacientes, transplantados.

 

Para isso, conta com uma equipe multidisciplinar formada por assistente social, psicólogo, pedagoga, terapeuta ocupacional e um quadro de voluntários que desenvolvem um trabalho de emancipação e educação social e preventiva.

 

 

 

Diálise x hemodiálise

 

Há uma diferença entre diálise e hemodiálise, dois tratamentos aplicados na fase avançada da doença renal crônica (DRC). De acordo com informações da Associação Bauruense de Apoio e Assistência do Renal Crônico, a hemodiálise é um procedimento artificial que filtra o sangue, como faria o rim normalmente. São retiradas do sangue substâncias que o organismo acumulou em virtude do órgão não estar funcionando e que, em excesso, trazem prejuízos ao corpo, como a ureia, potássio, sódio e água. 

 

Na diálise peritonial também são retiradas as impurezas do organismo. Neste procedimento se utiliza a membrana peritoneal para a filtragem. O peritôneo é membrana que reveste a parede interna do abdome e cada órgão ou estrutura contida em seu interior.

 

  • Serviço

A Associação Bauruense de Apoio e Assistência do Renal Crônico (Abrec) fica na rua Santa Terezinha, 12-45. O telefone para contato é (14) 3232-3

27. 

 

 

 

Prevenção e tratamento

 

O tratamento das doenças renais crônicas depende do estágio em que o problema se encontra: fase leve, moderada ou avançada. Nestas primeiras fases, o tratamento ainda é clínico, baseado no controle das doenças que podem estar ocasionando a deficiência nos rins, segundo a nefrologista e professora da Faculdade de Medicina da Unesp de Bauru Jaqueline Caramori. “Existem práticas de orientações dietéticas, importantes de serem acompanhadas individualmente. A prevenção está ligada à restrição de proteínas, de sal, de alguns lipídios, enfim, uma dieta que possa ser aplicada individualmente para cada situação. Isso são os tratamentos destas primeiras fases”, disse.

 

Na fase avançada o tratamento é mais incisivo, com diálise ou hemodiálise. “Nessa fase há a necessidade de substituir a função do rim. Isso é possível com tratamentos que se chamam diálise, hemodiálise e transplante renal. Nas diálises, não quer dizer que a pessoa fique curada, mas a doença vai estar controlada com essas medidas. Existem medicações específicas que são protetores do rim, chamados nefroproterores, que podem ser aplicados de acordo com cada caso”, observa Jaqueline.

 

 

 

Horas perdidas? Não, convívio com uma ‘segunda família’, diz paciente

 

Imagine ter, três vezes por semana, um compromisso de cerca de cinco horas. Agora, pense que não há data para que esta obrigação termine. É assim que vivem as pessoas que fazem hemodiálise. Entretanto, as dificuldades desta rotina acabam formando, conforme os próprios pacientes dizem, uma “segunda família”.

 

É exatamente esta definição que Denise Martins Toledo dos Santos, 37 anos, faz do tratamento e do convívio com outros pacientes e os profissionais da saúde. Ela vai toda segunda, quarta e sexta-feira ao Hospital Estadual (HE) para fazer hemodiálise. Horas perdidas? “Não. É exatamente o contrário. São horas que estou ganhando da minha vida”, responde a mulher que, por conta de uma infecção no rim adquirida em 2

1, acabou perdendo o órgão.

 

Segundo ela, apesar do “compromisso semanal”, a doença não lhe impõe limitações. Porém, não é o que a maioria das pessoas imagina, principalmente no momento em que o problema é descoberto. 

 

É o caso de Suelen da Silva. Com apenas 25 anos, ela conta que a notícia da perda do rim foi o pior momento de sua vida. “Foi em 3 de junho do ano passado. Por conta de pressão alta, perdi o rim. Não acreditava naquilo. Como sou jovem e nunca fiquei doente, não acreditava. Fiquei seis meses lutando contra a ideia de fazer a hemodiálise”, relembra.

 

Hoje, a jovem conta que já fez muitos amigos nas sessões e afirma: “Não é um bicho de sete cabeças”. Junto das novas amizades, ela vive na expectativa de receber a doação do rim. “Estou na fila para o transplante. Mas meu irmão, de 43 anos, quer doar. Tenho medo de que possa ter algum problema com ele. Estamos avaliando ainda”, completa. A sorte de ter alguém na família apto para o transplante não é a mesma de Ângela Aparecida Ribeiro, 49 anos, dos quais 8 foram fazendo hemodiálise. “Só tenho uma irmã e ela também tem problema no rim. Então, não pode doar. Estou há cinco anos aguardando na fila”, conta. Ela, que é de Lins, viaja mais de 1

quilômetros até Bauru para fazer a hemodiálise no HE. Porém, não perde as esperanças de desfazer esta rotina. “No começo, aceitar é mais difícil. Hoje, depois de tanto tempo, aceito, mas não me conformo. Na verdade, não podemos nos conformar. Temos que lutar contra o problema e nunca perder a esperança de acabar de vez com ele”, finaliza.