09 de julho de 2026
Internacional

EUA não apoiam intervenção na Síria

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou ontem que os Estados Unidos ainda não veem condições de uma intervenção militar na Síria e advertiu contra a “militarização” da crise no país, que passa por conflitos entre oposição e governo há um ano.

 

“Deixamos bem claro que não acreditamos que seja bom neste momento contribuir para uma maior militarização na Síria. Continuamos com o grupo de Amigos da Síria (cerca de 7

países que declararam repúdio ao ditador Bashar al Assad) e esperamos que termine em uma resolução política”, afirmou Carney.

 

Mais cedo, o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, advertiu no Cairo sobre as consequências de uma hipotética intervenção militar na Síria, que, segundo sua opinião, pioraria a situação.

 

“Acho que qualquer aumento das operações militares causaria uma deterioração da situação e a pioraria”, afirmou Annan em entrevista coletiva conjunta com o secretáriogeral da Liga Árabe, Nabil al Araby. Annan preveniu as consequências para a região de “uma má gestão” da crise. “Não queremos que a solução conduza ao aumento dos problemas, devemos ter cuidado quando falamos deste assunto”, garantiu.

 

Por esse motivo, pediu prosseguimento aos esforços diplomáticos para deter a violência na Síria e citou como exemplo a iniciativa árabe e a resolução da Assembleia Geral da ONU, que contêm “boas propostas” que ele analisará com as diferentes partes em busca de uma solução negociada.

 

 

 

Vice-ministro

 

O Departamento de Estado americano anunciou ontem que considera “uma notícia muito boa”, caso se confirme, a renúncia do vice-ministro do Petróleo da Síria, Abdo Hussameddin, revelada por um vídeo de um homem que se diz o funcionário do governo no site YouTube.

 

“Não estamos neste momento em condições de autenticar o vídeo do YouTube em que o vice-ministro fez sua renúncia, mas seria uma notícia muito boa se confirmado”, afirmou a porta-voz do órgão, Victoria Nuland.

 

“Isso está em concordância com o tipo de contatos que a secretária (Hillary Clinton) e o presidente (Barack Obama) estão fazendo com altos funcionários do regime sírio para que rompam suas relações com Assad”, disse.

 

 

 

Unesco condena violações

 

A Unesco, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para cultura e educação, condenou nesta quinta-feira a Síria por sua repressão violenta às manifestações pró-democracia que já duram um ano, mas não expulsou o país de seu comitê de direitos humanos, como pleiteavam árabes e ocidentais, disseram diplomatas.

 

 A resolução enviada por Arábia Saudita, Grã-Bretanha e outros países criticou o governo sírio pela “continuação das violações generalizadas, sistemática e grave dos direitos humanos e das liberdades fundamentais por parte das autoridades sírias”.

 

 

 

Forças de segurança atacam

 

Amã - Forças de segurança sírias feriram três pessoas ontem que participavam do funeral de um manifestante num bairro de Damasco, na Síria, disseram moradores. 

 

O funeral, que se tornou uma manifestação contra o presidente Bashar al-Assad, acontecia no bairro de Mezze quando foi alvo do ataque. O local abriga várias embaixadas e instalações de segurança e é avistado desde o palácio de Assad no topo de uma colina. As manifestações têm aumentado em Damasco, capital do país, apesar de uma maior presença das tropas e do uso de munição contra manifestantes.

 

Fontes da oposição e moradores disseram que os protestos foram motivados pela inflação e pela queda no valor da moeda síria, bem como pela repulsa aos ataques militares na cidade de Homs.