08 de julho de 2026
Polícia

Ciúme teria motivado assassinato

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), confirmou ontem que a ossada encontrada em outubro do ano passado é da vendedora Fernanda Tripodi, desaparecida desde dezembro de 2

9. A identificação que põe fim a um mistério que rondava Bauru há mais de dois anos foi divulgada, com exclusividade, na edição de ontem do JC. Agora, a polícia revela, inclusive, o que teria motivado o crime: ciúme.

 

O desaparecimento ocorreu em 17 de dezembro de 2

9.  Na ocasião, Fernanda, que tinha 26 anos e era mãe de dois filhos - hoje com idades de 6 e 11 anos -, sumiu após sair de sua residência. Uma semana depois, o veículo dela foi localizado no Núcleo Mary Dota com grande quantidade de sangue no porta-malas.

 

Em meio às investigações, o marido da vendedora, Roberto Carlos Fagundes, 44 anos, foi considerado o principal suspeito no caso. Com a prisão decretada, ele fugiu e, até hoje, não foi localizado (leia mais abaixo).

 

Segundo o delegado Kleber Granja, titular da DIG, não há qualquer dúvida de que Fagundes tenha participado do crime. “Ela tinha a intenção de abandoná-lo. Além de não aceitar isso, ele desconfiava muito de Fernanda. Foi isso que motivou o crime. Na ocasião, falaram que ela estava com dinheiro. Até hoje, não há provas de que este dinheiro tenha existido”, conta.

 

A própria família de Fernanda confirma que o relacionamento do casal era marcado por confusões. Em entrevista ao JC ontem, os familiares disseram que ela tentou deixá-lo várias vezes, porém, após ser ameaçada, a vendedora sempre voltava.

 

Em mais de 26 meses de investigações, o inquérito, de quatro volumes, já soma mais de 1.2

páginas. A expectativa da polícia é de que, dentro de menos de 3

dias, consiga encerrar as investigações.

 

“Por meio do ‘ponto zero’, o local onde a ossada foi encontrada (na estrada municipal Bauru-Santelmo), iremos cruzar informações por meio do serviço de inteligência da Polícia Civil para comprovar que os suspeitos estavam na cena do crime. É esta a diligência que falta”, completa.

 

 

 

Tiro e desova

 

Ao contrário da hipótese inicial de que Fernanda Tripodi havia sido morta com golpes na cabeça, o laudo final da ossada impõe outra circunstância. Com traumas fortes no lado esquerdo da cabeça, próximo à nunca, e também na “maçã” direita do rosto, suspeita-se que ela tenha levado um tiro que transfixou seu crânio.

 

“Não descartamos a hipótese de uma execução mesmo. Pelo motivo fútil do crime (ciúmes) e também pelo modo que impediu a vítima de se defender, o caso passa a ser de homicídio duplamente qualificado”, explica Kleber Granja.

 

Além disso, os indiciados irão responder por ocultação de cadáver. “Acreditamos que o local onde os ossos foram localizados não foi onde a vítima foi morta. Justamente pelo sangue que havia no porta-malas, a hipótese mais provável é de que o corpo foi transportado e ocultado”, conclui.

 

 

 

Três suspeitos

 

O titular da DIG, Kleber Granja, afirma que as buscas por Roberto Fagundes, o principal suspeito do crime, continuam. “Ele ainda está com a prisão decretada e, há mais de dois anos, é considerado foragido. Já foram feitas buscas, inclusive, em outros Estados”, explica.

 

Entretanto, além do marido de Fernanda Tripodi, há outros dois suspeitos de terem participado do assassinato. Ambos seriam amigos de Fagundes. Na época do crime, eles chegaram a ficar presos. “Eles cumpriram 3

dias de prisão temporária, que, depois, foi prorrogada por mais 3

. Porém, como não havia um corpo, eles foram liberados”, conta Granja.

 

Ao fim do inquérito, a polícia pode pedir a prisão preventiva de todos os suspeitos. O fato não é descartado pelo delegado. 

 

 

 

‘Paz? Nunca mais’, diz mãe da vítima

 

Alívio e tristeza. Dois sentimentos totalmente antagônicos que, dificilmente, ocupariam o “mesmo espaço”. Entretanto, a notícia de que os ossos eram de sua filha mudaram a realidade para Antônia Maria de Oliveira Tripodi, 55 anos.

 

“Fiquei aliviada por ter acabado esta angústia, mas triste ao mesmo tempo. Dei graças a Deus que acharam ela, mas não queria que tivesse acabado assim”, conta a mãe de Fernanda.

 

Conforme já havia dito ao JC no ano passado, seu “coração de mãe” não deixava dúvidas de que os ossos achados em outubro eram da filha. 

 

Questionada se a confirmação traria um pouco de paz, ela, ainda abalada, é direta: “Paz? Nunca mais depois do que fizeram com minha filha”.

 

Por fim, Antônia Tripodi, que está hoje com a guarda dos dois filhos de Fernanda, faz um apelo para que os responsáveis sejam presos. 

 

“Peço que a polícia pegue eles. Quem tiver informações, que nos ajude”, finaliza, em tom emocionado de apelo.

 

 

 

A chave

 

Agora, com o inquérito quase no fim, o delegado Kleber Granja revela a fagulha que, na época do desaparecimento, impôs toda a reviravolta no caso e colocou Roberto Fagundes no centro das investigações: a chave do carro localizado.

 

“O carro foi achado todo trancado. Quando a perícia estava no local, o Fagundes tinha as chaves do veículo. Questionado, ele contou que aquela era a única chave e que não havia outra reserva. Foi aí que as suspeitas se viraram contra ele”, conta.