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João Rosan |
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Viaduto pode não desafogar trânsito da região |
Foram anos de espera. Finalmente, o viaduto sobre os trilhos da rede ferroviária parece que deixará de ter o complemento “inacabado”. O serviço foi retomado no começo deste ano. Mas toda a expectativa para a conclusão da obra pode se transformar em frustração. Há um risco do investimento de quase R$ 6 milhões não trazer os benefícios esperados para o trânsito caótico do Centro da cidade.
Isso porque, pelo projeto atual, o fluxo de veículos seguirá um sentido único, e esse sentido será da Vila Falcão para a avenida Nuno de Assis, no Jardim Bela Vista.
De acordo com especialistas em trânsito, particularmente o de Bauru, o ideal seria o inverso, ou seja, da avenida Nuno de Assis para a Vila Falcão. Eles acreditam que o alívio para as sobrecarregadas avenidas Rodrigues Alves, Pedro de Toledo e Duque de Caxias seria maior.
A explicação da prefeitura para manter o trajeto Falcão-Nuno de Assis é que a alça que está sendo concluída foi projetada originalmente para que os veículos seguissem neste sentido.
Tanto que, na chegada à avenida Nuno de Assis, a pista que sai do viaduto se une à pista da Nuno que segue no sentido bairro/Centro. Então, além de manter o projeto original, a prefeitura deixaria de gastar com obras e projetos de engenharia para possibilitar o acesso de veículos no sentido contrário.
Outro argumento do poder público municipal para manter mão única no viaduto é a extensão da pista, considerada muito estreita para suportar veículos nos dois sentidos. Haveria risco de congestionamento caso algum deles apresentasse defeito sobre o viaduto.
Unânimes
De acordo com o projeto em execução, serão duas pistas com três metros de largura cada, mais 2,6
metros de acostamento de um dos lados, totalizando quase 9 metros de largura. Haverá ainda um espaço de pouco mais de 2 metros de largura para pedestres em toda a extensão do viaduto.
Profissionais da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), da Secretaria de Obras e o próprio autor do projeto do viaduto são unânimes em dizer que o ideal, para melhorar o trânsito naquela região da cidade, seria o contrário, ou seja, que os veículos pudessem trafegar no sentido Centro/bairro, que é mais problemático.
Assim, haveria mais uma opção de acesso à Vila Falcão e aos demais bairros que ficam na região oeste da cidade. “Para dar um alívio para o trânsito, o ideal seria o tráfego no sentido contrário (Centro/bairro)”, opina Ewerton Mussi Hunzicker, diretor de sistemas viários e transportes da Emdurb.
A avaliação é compartilhada pelo secretário de Obras do município, Eliseu Areco Neto. “Eu entendo que o fluxo melhor seria da Nuno em direção à Falcão”, comenta. Na opinião de Adelmo Bertussi, servidor municipal recém-aposentado e autor do projeto original do viaduto, deixar a via com apenas uma mão de direção pode frustrar parte dos moradores, porque, apesar do viaduto concluído, não haveria uma melhora significativa no trânsito.
Embora o engenheiro de transportes Archimedes Raia Júnior, pesquisador e professor de Engenharia e Segurança de Tráfego da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), veja coerência em manter o sentido bairro/Centro na alça que está sendo concluída, por ter sido projetada desta forma, ele também pondera que o mais adequado seria oferecer mais uma alternativa no sentido Centro/bairro.
O grande e histórico problema do trânsito em Bauru é exatamente o número reduzido de opções para o motorista que deixa o centro da cidade, ou passa por ele, em direção à Vila Falcão e bairros próximos.
Até janeiro
Todos os dias, exceto sábado e domingo, o trânsito fica extremamente lento, principalmente, entre as 18h e 19h, na região dos viadutos Nuno de Assis (que fica ao lado do Mauá – interditado para recuperação desde setembro de 2
8) e Antônio Eufrásio de Toledo.
Esses são os dois principais acessos à zona oeste da cidade. Muito pouco para a quantidade de veículos que precisam fazer essa ligação.
De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, já foram feitos pedidos para liberação de recursos para a construção da segunda alça do viaduto, que serviria para ligar o centro à Vila Falcão. Um dos pedidos, segundo Rodrigo, foi incluído no Orçamento Geral da União deste ano por meio de uma emenda da bancada paulista de deputados federais.
Somente com a conclusão desta segunda alça seria possível, então, avaliar se todos esses anos de espera pela conclusão do viaduto não foi em vão.