Ele tem 34 anos de idade, 1
deles dedicados à carreira de ator. Pedro Garcia Netto nasceu por acaso em Caraguatatuba, mas passou boa parte de sua infância e toda a adolescência em Bauru. Desde quinta-feira, ele está na cidade ao lado do tio, Edson Celulari, onde apresentam a peça “Nem Um Dia Se Passa Sem Notícias Suas”, encenada no Teatro Municipal até hoje.
De volta a Bauru, onde descobriu o teatro, Pedro conta suas histórias pessoais e profissionais ao Jornal da Cidade: “Estudei no Silvério São João, no Christino Cabral e tive a adolescência marcada por uma cidade muito gostosa de se viver. Sempre fui muito tímido, mas depois do teatro eu virei “gaiato”, queria fazer graça em todos os lugares, inclusive na escola”, lembra.
Apaixonado pelo teatro, Pedro também já coleciona trabalhos na TV, como papéis nas novelas da TV Globo: “Insensato Coração”, “Caras & Bocas”, “Eterna Magia” e “Filhas da Mãe”.
Apesar das inevitáveis comparações com o trabalho do tio e suas influências profissionais, ele faz questão de dizer que houve interesse verdadeiro pela profissão e que sua dedicação ao teatro, envolvimento com produção e tudo mais fazem parte do seu espaço e do seu jeito de pensar a arte.
Amante dos esportes, o atual morador do Rio de Janeiro pedala como hobby e fala sobre a importância das amizades no meio artístico. Quanto ao coração, ele confessa estar apaixonado. Confira estas e outras declarações na entrevista a seguir.
Jornal da Cidade – Então você nasceu por acaso na praia?
Pedro Garcia Netto – Esta é uma boa história (risos). Minha mãe, grávida de oito meses, foi passar o feriado de Ano Novo em Caraguatatuba e fez tudo o que tinha direito: andou de bicicleta, tomou sol a ponto de pegar insolação...Isso porque os médicos disseram para meu pai tomar cuidado com a estrada, os buracos e tudo mais... E foi assim que eu nasci, de oito meses, sem enxoval, sem dinheiro...Ah, e com bolinhas no nariz por causa do calor. O Edson estava com um pessoal de férias por ali e foi todo mundo me visitar de sunga, aquele auê na maternidade (risos).
JC – Bauru foi palco da sua vida por um bom tempo. Quais são as lembranças dessa época?
Pedro – Morei uns seis anos com meus avós, pais do Edson. Estudei no Silvério São João, no Christino Cabral e tive a adolescência marcada por uma cidade muito gostosa de se viver. Meu primeiro curso de teatro também foi em Bauru, com o Paulo Neves, inclusive minha primeira peça amadora, uma coletânea de poesias, foi feita na cidade. Tenho amigos dessa época que também continuam trabalhando na área. Na verdade tenho muitos amigos da época de Bauru. Minha família também é enorme na cidade. Não consigo visitá-los com grande frequência, mas ao menos uma vez por ano eu retorno a Bauru.
JC – Quando você se descobriu ator?
Pedro – Tudo foi muito curioso. No início, o curso de teatro veio como o inglês, a datilografia ou qualquer outro curso que eu fiz. Mas acabei me interessando por atuar e mergulhei de cabeça nas aulas, muitas vezes fazia teatro em tempo dobrado. Eu operava som e luz também, quer dizer, misturei-me ao teatro e à galera de tal maneira que quando vi estava estudando e estudando para seguir a carreira.
JC – O início da sua carreira foi marcado por boas histórias?
Pedro - Eu decidi que iria estudar teatro fora de Bauru, fosse em São Paulo ou Rio de Janeiro, quando eu tinha 18 anos de idade. Pois bem, eu estava no terceiro ano do ensino médio do Cristino Cabral. A dúvida era se eu passaria de ano para seguir com o teatro fora de Bauru ou se iria ser reprovado e, assim, teria de continuar na cidade. Minha professora de matemática era muito severa e me colocou contra a parede. Minha mãe [Elvira, irmã de Edson] não morava mais na cidade e veio para acompanhar o resultado da prova. Quando eu disse a ela que havia passado de ano, ela começou a chorar desesperadamente (risos). Achei muito diferente e engraçada a reação dela, mas era por causa daquela preocupação de mãe. Ela acreditava que eu ainda não estava pronto e que devia me preparar melhor para a vida.
JC – Então você não foi um bom aluno (risos)?
Pedro – Não (risos). Mas estudei muito e acertei mais de 9
% da prova. Sempre fui muito tímido, mas depois do teatro eu virei “gaiato”, queria fazer graça em todos os lugares, inclusive na escola. Mas isso era coisa de adolescente.
JC – E imagino que o Edson Celulari tenha sido uma de suas principais influências e referências artísticas...
Pedro – Ah, sim. Com certeza. Eu vivi cinco anos da minha infância com ele, quando meus pais se separaram. Dessa forma, ele foi um pouco tio, um pouco pai, enfim, uma referência masculina bem bacana, de dar educação mesmo, sabe. Mas é claro que depois, quando comecei a perceber o mundo, eu vi o quanto ele é um homem bem sucedido na profissão que escolheu. Mas houve um interesse verdadeiro da minha parte pela profissão. Já tenho 1
anos de carreira e minha dedicação ao teatro, envolvimento com produção e tudo mais, faz parte do meu espaço e do meu jeito de pensar a arte. Tanto que essa peça que atuamos juntos, “Nenhum Dia se Passar Sem Notícias Suas” é uma história feita por uma garota de 3
anos, muito talentosa, e eu apresentei o texto a ele. É uma peça que emociona. Um produto de arte de altíssima qualidade.
JC – É a primeira vez que vocês contracenam juntos?
Pedro – Sim. De alguma maneira eu estou envolvido na produção e na escolha desse texto. Poderia ser uma produção do Edson com participação minha. Mas também estou na carreira e também tenho coisas a oferecer. O aprendizado acontece em todos os momentos quando estamos no palco.
JC – Há projetos para depois da peça?
Pedro – Estaremos com ela até julho. Na verdade, tenho o projeto de uma outra produção que estou começando a captar recursos, mas ainda não está engatilhado. Quanto à televisão, estou sempre tentando entrar em produções da Globo. Estou batalhando, mas ainda não há nada certo para o segundo semestre na TV.
JC – Com 1 anos de carreira, eu imagino que a sua relação com as fãs já deve ter rendido boas histórias...
Pedro – Olha, a história com as fãs é muito engraçada. Eu acho que o assédio é engraçado. Você estando nas novelas, acontece com maior intensidade. Mas como eu não sou um cara tão famoso, às vezes até passo despercebido, o que também é muito bom. Agora, é claro que tenho boas histórias. Por exemplo, já terminei novelas, fui fazer peça no Nordeste e o carinho dos fãs foi até assustador. Eles não têm o hábito de ver artistas passeando ou se apresentando por lá, então é um alvoroço de você parar o shopping.
JC – E o que assusta mais, esse alvoroço ou não ser notado?
Pedro – Eu já tive os dois lados e acredito que no meu caso é até equilibrado. Acho bacana, mas não é uma coisa do outro mundo. Vendo o Edson de perto e a maneira como ele lida com isso, tudo muito saudável, eu aprendi que a relação com as fãs faz parte do trabalho de um ator, já que entramos na casa das pessoas. Por outro lado, não dá para você acreditar nesse tipo de fama e de popularidade. Um ator não pode se achar melhor ou pior ou valorizar o seu trabalho por causa disso.
JC – O que a sua profissão representa para você?
Pedro - Nosso trabalho é árduo, é dedicação, é busca, é autoconhecimento, produção, pesquisa para saber o que é pertinente falar...Na peça que estamos apresentando hoje, por exemplo, falamos sobre família, descendência, sangue...Isso vai interessar para o público atual? Como é que a gente vai instalar essa peça para que a plateia se interesse? Então são muitos elementos e precisamos estar atentos a tudo. É uma profissão que você não pode relaxar, mas que também te dá muitas oportunidades.
JC – Quais foram as oportunidades que você já teve com a carreira?
Pedro – Ah, foram muitas. Eu viajei em 2
8 com a peça “Um certo Van Gogh”, inclusive foi com essa peça que eu representei no Teatro Municipal de Bauru pela primeira vez. Nesse tempo nós viajamos por 34 cidades do Brasil. Quem tem a chance de trabalhar e viajar ao mesmo tempo? E com esse trabalho atual vamos viajar por 13 capitais do País. Além disso, temos outras coisas bacanas, como você encontrar pessoas e ouvir delas que seu trabalho mexeu positivamente com ela de alguma forma. Então o teatro é assim, você faz uma peça ao vivo e tem a resposta do público ao vivo.
JC – Quem é o Pedro longe dos palcos e da telinha?
Pedro – Eu adoro pedalar. Sinto-me até um ciclista e faço subidas até o Cristo Redentor. Pratico muito esporte mesmo e também adoro ir ao cinema. Tenho muitos amigos, inclusive na área, e graças a Deus a gente conversa muito, um estimula e ajuda o outro...Temos o mesmo perfil e idade, mas nosso núcleo é unido. É muito bacana você ver nos seus amigos pessoas que podem te ajudar e não só competir com você.
JC – E como está o seu coração?
Pedro – Eu tenho namorada. Estou namorando há quatro meses e uma das coisas que mais gosto de fazer é namorar em casa, tomar um vinho...