09 de julho de 2026
Internacional

Síria: 31 mortos durante visita de Annan


| Tempo de leitura: 4 min

Damasco - Pelo menos 31 pessoas morreram vítimas da repressão do regime de Bashar Assad em diversos locais da Síria, onde ontem o enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, se reuniu com o líder do país.

 

O grupo opositor Comitês de Coordenação Local indicou que a área mais atingida foi a província de Idlib, na fronteira com a Turquia, com 19 mortos - 16 em uma emboscada das tropas leais ao regime, na cidade de Jisr esh Shogur, e três na capital homônima da província, depois de soldados do regime invadirem suas casas.

 

Entre as demais vítimas, oito morreram em Deraa - cinco deles soldados desertores fuzilados pelo Exército -, três na periferia de Damasco e um na província de Homs.

 

Enquanto isso, forças rebeldes disseram ter derrubado um helicóptero militar e destruído dois tanques do Exército do regime, em uma região montanhosa do norte da província de Idlib.

 

Annan se reuniu ontem na capital com o ditador Assad, em um encontro que transcorreu em “um ambiente positivo”, segundo informou a agência de notícias oficial síria, “Sana”.

 

A organização opositora acrescentou que, nesta cidade, vários imóveis foram destruídos pelos bombardeios das forças governamentais contra as áreas de Sheikh Zulz e no bairro da universidade, enquanto helicópteros do Exército sobrevoavam os locais.

 

Essas informações não puderam ser checadas de forma independente devido às restrições impostas pelo regime ao trabalho dos jornalistas.

 

Annan iniciou conversas com Assad para tentar estabelecer bases a um diálogo entre as partes envolvidas no conflito político interno. Enquanto isso, no Cairo, os ministro das Relações Exteriores da Liga Árabe se reúniram ontem com o chanceler russo, Sergei Lavrov, que insiste na rejeição a uma hipotética intervenção militar estrangeira na Síria.

 

Segundo dados da ONU, mais de 7,5 mil pessoas morreram na Síria desde o início dos protestos há um ano, mas os opositores elevam esse número a mais de 8,5 mil.

 

A diplomacia não resultou de imediato na interrupção da violência.

 

No início do dia Annan se reuniu no Cairo com o chanceler russo, Sergei Lavrov, numa evidência do papel crucial que a Rússia, um dos poucos países amigos de Assad, poderia desempenhar na solução do conflito. De acordo com o Ministério de Relações Exteriores russo, Lavrov reiterou o chamado da Rússia para o fim da violência e início do diálogo, e enfatizou a oposição do país à interferência estrangeira na Síria.

 

As divergências internacionais paralisaram as ações na questão síria. A Rússia e a China se opõem aos apelos de países árabes e do Ocidente pela renúncia de Assad, que herdou o poder do pai 12 anos atrás.

 

Annan também planeja se reunir com dissidentes sírios antes de partir de Damasco, no domingo.

 

 

Rússia e a Liga

 

Nações árabes e a Rússia firmaram acordo em que concordam que a violência na Síria tem de acabar e também com um monitoramento não tendencioso da situação, a oposição à intervenção estrangeira no país, a entrega de ajuda humanitária e o apoio ao enviado da Liga árabe e da ONU à Síria, Kofi Annan, segundo relataram chanceleres reunidos no Cairo ontem.

 

O acordo sobre os cinco pontos foi anunciado neste sábado depois de o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, ter participado de uma reunião de chanceleres de países árabes no Cairo para discutir a crise síria. Lavrov e o primeiro-ministro do Catar, xeque Hamad bin Jassim al-Thani, anunciaram o acordo em uma entrevista conjunta à imprensa, durante a qual não responderam a perguntas dos repórteres.

 

 

Solução

 

Lavrov, disse a ministros árabes ontem que uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU tem uma “chance” de ser aprovada se não for motivada por um desejo de garantir que rebeldes tomem o controle das ruas na Síria. “Essa resolução tem chance de ser aprovada se nós não formos todos guiados pelo desejo de apoiar grupos armados de oposição para que ganhem as batalhas nas cidade”, disse Lavrov em dicurso de abertura numa reunião de ministros de Relações Exteriores da Liga Árabe. “Mas se nós estivermos guiados pelos desejos de assegurar que não haverá combates nas cidades e vilas, então as propostas relevantes estão na mesa e nós temos plenas oportunidades de concordar sobre elas”, disse.

 

Os Estados Unidos elaboraram um rascunho de uma nova resolução do Conselho e Segurança da ONU sobre a Síria, que está sendo discutida por potências mundiais.