08 de julho de 2026
Bairros

Ruas com mesmo nome causam confusão

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru tem, segundo informações da Prefeitura, 3.174 ruas. Sendo assim, transitar pela cidade sem ajuda de um mapa ou GPS não é tarefa fácil nem para os motoristas mais experientes.

 

Mas, em alguns casos, nem mapas ou GPS’s parecem ser suficientes. Isso porque muitas vias da cidade têm nomes muito parecidos ou iguais, embora se tratem de vias diferentes e estejam localizadas em bairros distintos.

 

Um exemplo é as ruas Professor José Ranieri e Doutor José Ranieri, localizadas, respectivamente no Centro e no Jardim Cruzeiro do Sul. Com nomes bastante parecidos, a única forma de não se confundir é prestar muita atenção se o endereço em questão está localizado na rua do professor ou na do doutor.

 

Com essas mesmas características temos a avenida Sorocabana, na Vila Industrial, e a rua Sorocabana, no Centro; a rua São Sebastião, no Jardim da Grama, e a Travessa São Sebastião, na Vila Cardia; a avenida São Paulo, na Vila Dutra, e a rua São Paulo, na Vila Seabra; entre outras. Nestes casos, o ideal é se informar sobre qual bairro a tal rua está localizada.

 

Soraya Elisa Segatto Ferreira, diretora de apoio legislativo da Câmara Municipal de Bauru, explica que confusões como essas se tornaram comuns na cidade devido ao atraso na informatização do processo catalogação e atribuição dos nomes de ruas e, especialmente, ao período em que a nomeação era feita pelos prefeitos, sem passar pela Câmara.

 

“Até 199

, antes da Lei Orgânica, o prefeito era responsável por decretar o nome às ruas. Com tantos afazeres para dar conta, algumas repetições acabaram acontecendo. Fora isso, a falta de informatização dificulta a catalogação das ruas já existentes”, justifica.

 

Outra característica comum dos nomes de ruas de Bauru que confunde muitos motoristas é a existência de homenageados de uma mesma família e com nomes bastante parecidos, como ocorre com as ruas Vereador Joaquim da Silva Martha e Comendador José da Silva Martha.

 

“Nunca sei qual é qual”, confunde-se Valdilene de Almeida.

 

 

Dá pra mudar? 

 

A Lei Orgânica de 199

proíbe a alteração de nomes de ruas, exceto em caso de duplicidade comprovada. Contudo, mesmo a existência desta exceção não é suficiente para fazer com que a prefeitura decida eliminar pelo menos um dos nomes repetidos.

 

“Optamos por não mexer, já que a mudança afetaria o cotidiano e o trabalho de moradores e comerciantes locais, bem como de carteiros e transportadoras, que estão acostumados e organizados com o atual nome da rua”, explica Soraya Elisa Segatto Ferreira, diretora de apoio legislativo da Câmara Municipal de Bauru.

 

Entre letras e números

 

“É no Mary Dota. O nome da rua é Pedro Salvador, mas, chegando aqui, pode perguntar pela antiga rua 3

que todo mundo conhece”. Certamente, quem já precisou se localizar em bairros como o Núcleo Mary Dota já passou por situações parecidas com esta.

 

Isso porque muitas ruas ficaram conhecidas por números ou letras, mesmo, atualmente, tendo outro nome.

 

“É que quando um loteamento é feito, o loteador precisa dar um nome provisório às ruas e um número às quadras. Nestes casos, os números são utilizados. Depois, é feito o processo permanente de nomeação e os números são substituídos”, explica o pesquisador Irineu de Azevedo Bastos.

 

Em alguns casos, a mudança do nome demora longos anos para ser feita, o que faz com que os moradores do local se acostumem com os “nomes-números”.

 

Um levantamento feito pela proScore, Bureau de Informação e Análise de Crédito, revelou que o logradouro mais comum no Brasil é a rua Dois, com 1.534 registros. Em seguida vem a rua Três e a rua Um, com respectivamente 1.513 e 1.444 registros .

 

No caso das letras, a mais comum no País é a rua B, com 1.38

registros; seguida da rua A e da Rua C, com 1.299 e 1.239 aparecimentos, respectivamente.