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Modalidade de investimento ainda bastante presente na cultura brasileira, a caderneta de poupança não apresentou aumento significativo no volume de depósitos em Bauru, no ano passado.
Até novembro, o acumulado alcançou R$ 1,151 bilhão, valor 7,6% maior do que o mesmo mês de 2010. Trata-se da pior variação desde 2005, quando a poupança cresceu pífios 2,2%, segundo dados do Banco Central.
“Só o rendimento da poupança, no ano passado, girou em torno de 6,5%. Significa que, em valores reais, o aumento no total depositado foi quase zero”, destaca o economista Mauro Gallo.
Para o economista Adriano Fabri, o menor crescimento do montante acumulado não representa, necessariamente, que esta modalidade esteja perdendo força na cidade. “O aumento da inadimplência pode ser um dos motivos para a saída de recursos”, pontua, explicando que o dinheiro guardado tem sido usado, frequentemente, para quitar dívidas contraídas.
Segundo ele, a conservadora e segura poupança foi o pior investimento entre os que apresentaram resultados positivos em 2011. Nos últimos dias, estava rendendo apenas o mínimo de 0,5% garantido pelo governo.
“Mesmo assim, para quem não tem experiência com o mercado financeiro, o mais recomendável são os rendimentos de menor risco, como é o caso da poupança ou dos fundos de renda fixa, em que a pessoa já sabe antecipadamente quanto vai receber”, assinala.
Para os demais, contudo, a dica é diversificar para proteger o dinheiro no longo prazo. “O ditado ‘nunca coloque todos os ovos em uma mesma cesta’ vale para os investimentos. Aplicar 75% em renda fixa e 25% em renda variável (bolsa) seria uma proporção interessante”, ensina Fabri.
Sem regra
Para quem não é iniciado, entretanto, Gallo recomenda estratégias menos arrojadas. De maneira geral, os fundos de renda fixa rendem mais que a poupança, embora esta não seja uma regra. Mas, quanto maior for o valor da aplicação inicial, melhores serão as taxas de rendimento.
“Os juros nesta modalidade podem render de 0,9% a 1,2% ao mês. Mas vale lembrar que, dependendo do tipo, volume e tempo (sem resgate de valores) da aplicação, uma parte menor ou maior do rendimento irá se perder devido à cobrança de imposto de renda”, detalha. É preciso estar atento ainda às taxas de administração cobradas pelos bancos, que também podem consumir grande parte dos ganhos.
Tesouro e previdência
Uma boa opção, segundo ele, é o chamado Tesouro Direto, títulos do governo que representam baixo risco de perdas. Ainda pouco conhecido, este tipo de investimento cobra uma taxa de custódia de 0,4% ao ano e rende mais do que a poupança. Também pode ser mais vantajoso que os fundos de renda fixa, já que as taxas de administração costumam ser menores.
Entre as formas de acúmulo de capital que, aos poucos, vem se integrando à cultura dos investidores, está a previdência privada, vista pelos economistas como uma boa forma de garantir renda extra para o período de aposentadoria.
“É uma modalidade que tem sido incorporada de forma clara entre as opções de investimento, apresentando grande evolução no fluxo de depósitos em 2011”, salienta o gerente de negócios do Banco do Brasil José Henrique dos Reis Lima.
O risco varia de acordo com o tipo do plano, mas é preciso conhecer em detalhes as vantagens e desvantagens de cada um deles dentro da modalidade.
Dólar, ouro e ... poupança
O economista Adriano Fabri revela que o dólar e o ouro tiveram os melhores desempenhos entre os investimentos em 2011, embora sejam mais vulneráveis à economia internacional. Mas, devido às quedas sucessivas da taxa Selic, neste ano a poupança pode novamente ficar mais atrativa perante os fundos de investimentos, conforme aponta o gerente de negócios do Banco do Brasil, José Henrique dos Reis Lima.
“As aplicações em fundos de investimento têm sido apreciadas pelos clientes em razão de sua maior rentabilidade. Porém, segundo analistas, com a gradativa redução da taxa Selic, esta lógica se inverte em favor da caderneta de poupança, o que representa preocupação para as autoridades monetárias”, detalha.
Ainda ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu reduzir a Selic de 10,5% para 9,75% ao ano, confirmando o quinto corte seguido na taxa desde agosto do ano passado. A decisão do Copom tem por objetivo estimular a produção e o consumo para, assim, aumentar o Produto Interno Bruto (PIB).
De geração para geração
Com apenas 2 anos e meio, o pequeno Pedro já conta com duas cadernetas de poupança. Uma delas foi aberta pela mãe, a jornalista Marina Ribeiro Cugler, 23 anos. A outra foi uma garantia dada de presente pelo sogro dela.
De acordo com Marina, a cultura poupadora é uma tradição de família que ela espera transmitir para o filho. A própria jornalista abriu sua caderneta ainda na adolescência, estimulada pela educação financeira que herdou da avó paterna.
“Na época de faculdade, já guardava o pouco dinheiro que ganhava em trabalhos eventuais. É uma forma de sempre ter recursos para comprar à vista e não ser refém de juros e dívidas em caso de imprevistos”, ensina.
A opção pela poupança em detrimento de outras modalidades de investimento que podem render mais é explicada pela segurança e comodidade. “É um dinheiro garantido e não gera preocupação nenhuma. É só deixar rendendo, sem risco de perdas”, analisa.