08 de julho de 2026
Nacional

Dilma troca a liderança no Senado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A insatisfação da base aliada com o Palácio do Planalto fez sua primeira vítima: o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi destituído ontem do cargo.

 

Conhecido entre colegas como “eterno” líder do governo, Jucá desempenhou a função para Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e, agora, Dilma Rousseff. Entre idas e vindas, ocupa o cargo há 13 anos. Nessa última vez, estava no posto desde 2

6.

 

O senador perdeu o apoio após a primeira derrota de Dilma Rousseff no plenário da Casa, na semana passada, quando um indicado por Dilma para o comando da ANTT, órgão regulador do setor de transportes, teve seu nome rejeitado em plenário.

 

Jucá foi apontado como um dos mentores da operação orquestrada pelo PMDB, além de descumprir ordens do Palácio do Planalto.

 

A presidente da República bateu o martelo sobre a substituição durante reunião ontem com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) assumirá a vaga com a missão de ampliar a influência do Palácio no Congresso.

 

Sua escolha atende ao  grupo “independente” de senadores do PMDB, que reclamava da concentração de poder nas mãos de Jucá, de Renan e do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

Na versão oficial, Dilma pretende fazer um “rodízio” na articulação política, argumento que alimenta rumores sobre a destituição do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), também alvo de críticas no primeiro escalão.

 

Um dos cotados para seu lugar é o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP).

 

O Executivo debita na conta de Jucá a rejeição de Bernardo Figueiredo para o comando da ANTT.

 

A derrota, na quarta-feira passada, tornou-se simbólica. Jucá, apesar de alertado por colegas sobre o risco de revés, manteve a votação. Minutos depois, Dilma foi informada da traição da base. 

 

Ele também não cumpriu uma orientação expressa do Planalto e retirou da pauta um projeto que a presidente pretendia sancionar amanhã em sua visita ao Congresso, sobre os salários das mulheres.

 

A expectativa do governo é fazer um acompanhamento mais rigoroso das votações, assim como medir melhor o ânimo dos congressistas, para evitar novas surpresas.

 

Os partidos que integram a coalizão atravessaram 2

11 acumulando queixas ao tratamento da presidente. Ela vetou indicações políticas; não liberou recursos para as emendas parlamentares na proporção reivindicada e não poupou da “faxina” aliados acusados de irregularidades.