09 de julho de 2026
Política

Governo sustenta Sakai na presidência

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Neide Carlos

De frente para o presidente Roberval Sakai, José Roberto Segalla e Chiara Ranieri articulam retaliação da oposição; vereadora queria uma nova eleição da Mesa

Como já era esperado, o clima esquentou na sessão de ontem da Câmara Municipal de Bauru. Insatisfeita com a formalização do apoio do presidente Roberval Sakai (PP) à reeleição de Rodrigo Agostinho (PMDB), a bancada de oposição tentou inviabilizar a permanência do pepista no comando do Legislativo durante 2 horas de discussão em que os trabalhos foram suspensos. Sakai, no entanto, contou com o respaldo da base de sustentação liderada por Renato Purini (PMDB).

 

A ideia dos oposicionistas era esvaziar a Mesa Diretora a fim de forçar a renúncia de Sakai à presidência. Para isso, precisariam Natalino da Pousada (PV), José Roberto Segalla (DEM) e Moisés Rossi (PPS) deixar seus cargos de primeiro secretário, segundo secretário e vice-presidente. Isso porque os trabalhos legislativos não podem acontecer caso haja vacância de algum desses postos, com exceção da vice-presidência.

 

Chiara Ranieri (DEM) era a mais indignada com a postura de Sakai, que migrou para o governo, após ter sido eleito e mantido pela oposição na presidência. Nos bastidores, a vereadora tentou negociar com outros parlamentares a viabilização de uma nova eleição para a presidência do Legislativo, oferecendo os votos do seu grupo caso ninguém ocupasse os cargos eventualmente deixados pelos membros da Mesa.

 

“O ônus dessa crise é nosso”, disparou, ao relembrar que a oposição salvou o mandato de Sakai em maio do ano passado, quando ela assumiu a segunda secretaria após acordo articulado por Marcelo Borges (PSDB) em um momento de vulnerabilidade do presidente, que não contava com o apoio de nenhum dos grupos, justamente, por não deixar claro de qual participava. “Nós já entendemos como funciona. Quando convém, é situação. Quando convém, é oposição”, pontuou.

 

Inicialmente, vereadores do PSDB, DEM e PPS estavam reunidos discutindo qual seria o caminho adotado pela oposição. No entanto, Luiz Carlos Barbosa (PTB) e Natalino da Silva (PV) foram chamados. Os dois pertencem a partidos de oposição, mas atuam como governistas nas votações da Câmara. 

 

Foi aí que surgiram os primeiros impasses aos planos da oposição, pois Natalino não demonstrou segurança em deixar o cargo da Mesa Diretora e levou Sakai para a sala onde estavam reunidos, provocando a saída imediata de Chiara do local. A vereadora, então, foi conversar com os parlamentares da base governista.

 

 

 

Purini ressalta coesão

 

A tentativa de derrubar Sakai foi por água abaixo, porém, quando o líder governista Renato Purini afirmou à oposição que o grupo indicaria nomes para ocupar os cargos eventualmente abandonados na Mesa. “Acho que a oposição não pensou que estivéssemos coesos. Não teria porque arranharmos a imagem da instituição. Nós estamos bem conversados e teríamos nomes para substituições”, afirmou.

 

A decisão da base se deu após os convites a diversos vereadores para que assumissem a presidência da Câmara, após a manobra, classificada por muitos governistas como ‘tentativa de golpe’.

 

Foi Marcelo Borges (PSDB) quem colocou panos quentes sobre os ânimos exaltados, batendo o martelo de que deixar tudo como está seria a melhor alternativa. Antes de toda a polêmica, José Roberto Segalla avaliara que qualquer atitude deveria ser bem coordenada para não causar prejuízos à instituição, discurso adotado posteriormente também por Chiara Ranieri.

 

Protagonista da história, Roberval Sakai preferiu não se manifestar ontem sobre o caso. Ao final da sessão, sua secretária disse à reportagem que o vereador estava cansado, participando de uma reunião com sua equipe. A informação no PP era a de que a decisão da aliança partiu do comando estadual da legenda.