08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O RISCO É NÃO TER RISCO ALGUM


| Tempo de leitura: 2 min

Outro dia um leitor se manifestou indignado com o fato de uma escola particular, no centro de Bauru, não tomar providências para impedir que as crianças escorregassem pelo corrimão de uma escada. Segundo ele, isso oferecia um risco de vida inaceitável e deveriam impedir antes que alguma criança se machucasse ou "algo pior". Faço gancho neste ponto.

Quando criança, no final de 70, costumávamos pedir "piruá" ao pipoqueiro na saída do velho Mercedez Paz Bueno. Ele guardava os restos não estourados de milho numa gavetinha suja de seu carrinho e disputávamos para ver quem ganhava mais sobras! Por certo devia ser horrível, mas era divertido. Hoje, alguém diria que pode dar alguma cólica intestinal ou, pior ainda, morrerem engasgadas ou rasgarem as vísceras com os grãos secos e quebradiços. Chamem a vigilância sanitária e confisquem o carrinho!

Balinhas. Ah, as balinhas. Se caíssem no chão apenas tirávamos a terra de cima e mandávamos para a boca. E o mais terrível: fazíamos isso de mãos sujas!! Ninguém estava preocupado com as mortíferas bactérias dos dias atuais; afinal, elas parecem ter aumentado o índice de maldade nos últimos 30 anos, embora estejam no planeta há 2,5 bilhões de anos.

Subíamos em muros, andávamos em telhados, fazíamos irresponsáveis guerras de pedradas, corríamos de bicicleta (meu Deus) sem as mãos!! Tudo bem, às vezes se quebrava um dedo, um braço ou um dente. Ralados na pele então, eram semanais. Maldito iodo em cima da carne ralada!! Mas vivíamos! Éramos felizes!!

Pela ideia que se alimenta hoje, eu teria que me perguntar: como sobrevivi a tantos perigos mortais e cheguei à idade adulta?! Ou será que as crianças de hoje são mais idiotas que as de ontem?

Amigo(s) leitor(es): pode deixar seu filho ou sobrinho escorregar pelo corrimão. Deixe-o correr, voar, cair e, por que não, se machucar às vezes. Faz parte de suas lembranças, seu desenvolvimento psico-motor e de seu aprendizado pessoal sobre responsabilidade. Lembre-se que um dia ele terá que tomar sozinho uma decisão e não terá parâmetros se um "adulto" não estiver ao seu lado. Deixe-o crescer!


Ivan Goffi