Cabul - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, pediu ontem aos Estados Unidos que retirem suas bases militares nos povoados afegãos.
Ele prometeu garantir sua própria segurança em 2
13 e não em 2
14, como estava previsto.
“Estamos agora prontos para assumir o conjunto da segurança”, declarou Karzai, expressando-se durante uma entrevista na capital afegã com o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, que chegou anteontem ao Afeganistão em meio à crise decorrente do massacre de afegãos cometidos por um soldado americano.
O presidente afegão afirmou que “ambas as partes precisam trabalhar para que a transferência de poder”, que começou em julho do ano passado, “complete-se em 2
13 ao invés de 2
14”.
Karzai também pediu que a Isaf (Força Internacional de Assistência à Segurança) da Otan no Afeganistão, constituída em dois terços por tropas americanas, seja retirada dos povoados afegão e posicionadas nas bases principais.
Taleban suspende diálogo
Representantes do grupo Taleban anunciaram ontem a suspensão das negociações preliminares em curso com os EUA para encerrar os conflitos no país.
O anúncio marca o aumento da tensão no Afeganistão, principalmente depois do episódio da queima de exemplares do Corão numa base militar ocidental, culminando com o massacre em Candahar, no qual o soldado americano matou 16 civis, incluindo crianças.
O massacre detonou uma onda de protestos pelo país, reforçados por uma escalada de ameaças do Taleban.
EUA minimizam pedido afegão
Washington - Militares americanos minimizaram ontem o pedido do presidente afegão Hamid Karzai para retirada das tropas estrangeiras - majoritariamente americanas - de suas cidades e de uma reorganização nas bases no país.
Este pedido não afeta o cronograma da retirada gradual das tropas estrangeiras do Afeganistão, ressaltou um assessor do secretário de Defesa Leon Panetta, que chegou em Abu Dhabi vindo de Cabul.
“Neste momento, não há razão nenhuma para pensar em mudar o calendário e o presidente Karzai não pediu qualquer mudança no cronograma” durante as reuniões com Panetta, declarou à imprensa o funcionário, que pediu anonimato.