09 de julho de 2026
Bairros

Chuva inunda Bauru em meia hora

Bruna Dias colaborou Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

A manhã de ontem foi chuvosa em grande parte de Bauru, mas logo o sol apareceu e o céu “‘clareou”. No entanto, uma frente fria que chegou ao litoral do Estado de São Paulo na tarde desta quinta-feira trouxe uma tempestade que assustou muita gente em apenas meia hora. Carros e motos foram arrastados na avenida Nações Unidas, o telhado de uma sala de aula da Unesp caiu, choveu granizo na Vila São Paulo e vários engavetamentos foram registrados na altura do quilômetro 342 da rodovia Marechal Rondon. 

 

De acordo com a meteorologista Zildene Pedrosa Emídio, do Instituto de Pequisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a tempestade teve início por volta das 16h2

e terminou às 18h3

.

 

Quem estava na rua pôde notar a mudança no céu, que começou a ficar repleto de nuvens escuras. Logo escureceu e, praticamente, o dia virou noite. Em pouco mais de meia hora de chuva, a avenida Nações Unidas parecia um rio com forte correnteza.

 

Pessoas tentavam se proteger sob os pontos de ônibus da via e dentro de estabelecimentos. Mas ainda houve aqueles que decidiram enfrentar a força das águas e atravessar a avenida. Um jovem, que não quis revelar o nome e nem a idade por estar em estado de choque, conduzia a motocicleta Honda Titan de placas BZZ 38

5, de Bauru, na quadra 13 da via sentido bairro-Centro quando foi levado pela enxurrada.

 

“Nós vimos que tinha outro rapaz de bicicleta, que disse para ele que dava para passar. E ele foi. A água logo derrubou ele e a moto. Nós corremos para tentar tirá-lo debaixo da motocicleta e levamos uma corda. Ele ainda enroscou o pé em uma boca-de-lobo e machucou a perna”, conta João Aires, que trabalha em um estacionamento de veículos próximo e ajudou a vítima.

 

“Ele tentou atravessar a avenida, mas não deu. A força da água é incrível. Ninguém consegue imaginar”, acrescenta o colega de trabalho Ivanildo Pereira Braga Júnior, que também auxiliou no salvamento do rapaz. A vítima tremia muito. “Eu não quero falar nada. Não estou em condições. Não me machuquei muito”, disse o rapaz.

 

Do outro lado da avenida era possível ver dois automóveis parados, logo depois de terem sido arrastados pela chuva. Antônio Correa, 72 anos, morador de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), seguia conduzindo seu automóvel Santana de placas CKB

83

pela Nações Unidas, sentido Centro-bairro, levando sua esposa Cláudia Francisca de Souza Correa, 7

anos.

 

“Eu tinha acabado de ir com ela ao médico e estávamos voltando para casa quando começou a chover e, como começou a alagar aqui, eu ia pegar aquela alça que fica a alguns metros daqui para sair da avenida. Mas veio uma onda e cobriu o carro. A água começou a invadir o veículo e levá-lo para trás. Conseguimos sair por sorte. Nunca vivi algo parecido”, conta.

 

Cláudia ficou muito nervosa e teve que ser atendida por uma Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros, que já se dirigia ao local por conta da inundação. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

 

Poucos metros antes do carro de Antônio estava o Fiat Palio de placas CKB 663

, de Bauru. Nele estava Osvaldo de Oliveira Barbosa, que também viveu o mesmo momento de pânico. A água invadiu o seu veículo, mas ele conseguiu sair a tempo. Em um dos pontos mais críticos de inundação da via, na pista sentido bairro-Centro, em frente ao Poupatempo, o carro de Carlos Nery Villas Boas ficou coberto quase até o teto.

 

O condutor trafegava pelo local às 16h3

de ontem e, ao avistar um caminhão passando pela água, deduziu que seu veículo, um C4 Pallas, também pudesse passar pelo local. 

 

“Eu não tinha dimensão da profundidade da enchente. Eu estava atravessando, mas o motor do carro afogou e, depois, não consegui mais dar partida. Quando saí, a água já estava no meu joelho”, contou.

 

Os dois lados da pista foram interditados pela Polícia Militar e pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). O veículo, porém, só poderia ser retirado depois que o nível da água baixasse. 

 

 

 

Pontos de alagamento

 

O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, afirmou na noite de ontem, que a tempestade resultou em 17 pontos de alagamento que se espalharam pelas avenidas Nações Unidas, Alfredo Maia, rotatória de cruzamento das avenidas Duque de Caxias e Castelo Branco, avenida Comendador José da Silva Martha e rua Felicíssimo Antônio Pereira, na Vila Independência.

 

Segundo o Corpo de Bombeiros, aproximadamente 12 árvores caíram na cidade durante a chuva. “Muitos semáforos não funcionaram e a situação ficou crítica na rua Benevenuto Tiritan, onde o rio Água da Forquilha subiu e destruiu parte das calçadas. Amanhã (hoje) a Secretaria de Obras fará a contenção do local, mas por enquanto a via está interditada”, pontuou Brito.

 

A casa de Marta Caputo, moradora da quadra 6 da rua Augusto Bastazini, Vila São Paulo, foi invadida pela lama, já que a via em que reside ainda está à espera por asfalto. “Perdi móveis e a pintura que havia feito na casa. A pavimentação da rua está prevista para agosto, segundo a prefeitura. Estamos esperando”, disse a moradora. 

 

Brito ainda alerta novamente para os riscos de tempestades como esta. “A orientação é nunca sair de casa em uma chuva como esta. Se estiver na rua, evite vias que comumente alagam. Nunca confie no motorista da frente que conseguiu passar pela enxurrada. Este pode ter danificado uma tubulação ou uma ponte”. 

 

Na Vila São Paulo chegou a chover granizo, segundo relatos de moradores à Defesa Civil, e um veículo capotou. Em nenhuma das situações houve vítimas. Ninguém ficou desalojado ou desabrigado. “Não houve nenhum registro de acidente grave. Podemos levar em consideração também que a chuva caiu em um horário que não era o de pico”, finalizou Brito.

 

 

 

Tempestade

 

De acordo com dados colhidos junto ao IPMet de Bauru, a tempestade registrada em Bauru na tarde de ontem contabilizou 7

,8 milímetros e ventos com velocidade de 46,2 quilômetros por hora, às 16h2

 

“A tempestade começou às 16h2

e terminou por volta das 18h3

com final menos intenso. Essa tempestade é o resultado de uma frente fria que chegou ao litoral do Estado e gerou áreas de instabilidade”, esclareceu a meteorologista Zildene Pedrosa Emídio.

 

Apesar das áreas Centro e Sul terem sido mais afetadas, dados do sistema do IPMet registraram chuva em todos os pontos da cidade. Para hoje, a previsão é de céu nublado e 8

% de possibilidade de pancadas de chuva. A temperatura máxima pode chegar aos 3

graus e a mínima não passa dos 21.

 

Para amanhã, a estimativa é de mais chuva. O céu deve permanecer nublado com possibilidade de pancadas de chuva com trovoadas no final da tarde. A temperatura máxima deve ser de 3

graus e a mínima de 2

. No domingo, a possibilidade de chuva diminui para 3

%. O dia deve ser quente com temperatura máxima de 31 graus e mínima de 2

 

 

 

Sem teto, sem aula

 

Em várias salas de aula da Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (Faac) da Unesp de Bauru, o forro do teto cedeu. As classes 79 a 84 - sendo a 79 a mais danificada pela chuva - ficaram interditadas por conta de inundação e os alunos não tiveram aula na noite de ontem. 

 

 

 

Tráfego na Rondon ficou prejudicado

 

As fortes chuvas desta quinta-feira prejudicaram o tráfego e causaram diversos acidentes no perímetro urbano da rodovia Marechal Rondon, de acordo com a Polícia Rodoviária de Bauru. Entre os casos, estão três engavetamentos. Os policiais informaram que cerca de três carros estavam envolvidos em cada acidente. Todos com vítimas leves.

 

Além disso, outro problema foi a remoção dos veículos, já que a concessionária disponibilizou apenas um guincho. Outro reboque foi solicitado, mas como vinha de Piratininga, demorou a chegar e atrasou ainda mais a liberação do fluxo na rodovia.

 

Para controlar os acessos, a polícia chegou a interditar as vias sentido Capital-Interior da avenida Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Nuno de Assis. No entanto, todas as saídas foram liberadas por volta das 19h.