08 de julho de 2026
Polícia

Fagundes não tem data para depor

Tisa Moraes com redação
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr. 

Segundo delegado Kleber Granja, inquérito sobre o caso será concluído em até 6

dias

Acusado de matar a vendedora Fernanda Tripodi em 2

9, Roberto Carlos Fagundes, 44 anos, continua preso em cela separada no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, mas não há previsão de quando deverá ser interrogado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Segundo o titular da unidade, Kleber Granja, que preside o inquérito do caso, novas provas e informações ainda precisam ser anexadas aos autos e, até que toda documentação seja organizada, o indiciado não será chamado.

 

“Tenho 3

dias, prorrogáveis por mais 3

, para concluir o inquérito. Ele deve ser ouvido dentro deste prazo. Não posso dar detalhes sobre o andamento do nosso trabalho para não prejudicar as investigações. Mas, no final, divulgaremos todas as informações à imprensa”, adianta o delegado. 

 

Dentre as medidas para subsidiar o inquérito, Granja deve pedir à polícia de Santa Catarina cópia de documentos sobre as agressões cometidas por Fagundes contra sua atual companheira, a diarista Vera Regina Luiz da Silva, 41 anos. Foi por conta desta ocorrência que ele foi preso no último sábado, em Balneário Camboriú, e descoberto pela polícia bauruense. 

 

A expectativa é de que o depoimento da mulher reforce a personalidade violenta do acusado. Além de responder pela agressão à diarista e por homicídio duplamente qualificado e ocultação do cadáver de Fernanda, Fagundes já tinha passagens por lesão corporal, quando esfaqueou um homem, e embriaguez ao volante. Extraoficialmente, entretanto, ele continua negando as acusações. 

 

A DIG cogita ainda realizar uma reconstituição do crime, que não poderá ser acompanhada pela imprensa. Outra investigação em andamento é a participação de mais pessoas no homicídio. Quando Fernanda desapareceu, dois homens, amigos de Fagundes, chegaram a ser presos, mas foram liberados 6

dias depois, por falta de provas. 

 

Na época, o corpo de Fernanda ainda não havia sido encontrado. A identificação da ossada, localizada apenas em outubro do ano passado, só foi confirmada neste mês por meio de exame de DNA, conforme o JC divulgou com exclusividade.

 

Granja não descarta ainda a abertura de um novo inquérito para apurar se os familiares do acusado o ajudaram durante este tempo. Extraoficialmente, Vera Regina chegou a afirmar que a irmã e um cunhado dele costumavam visitá-lo em Santa Catarina.

 

O advogado de Fagundes, Sidiney Nery de Santa Cruz, não quis comentar a informação. Disse que aguarda ter acesso ao inquérito para poder adotar alguma providência jurídica ou mesmo se manifestar à imprensa. “Combinei com o delegado da DIG de esperar alguns dias para que ele pudesse juntar alguns laudos e documentos que ainda faltam. Não posso dizer nada, por enquanto, porque não tenho conhecimento dos autos”, observa. 

 

O defensor contou que, anteontem, conversou com seu cliente apenas sobre os trâmites preliminares de sua prisão. “Sobre o fato em si (morte de Fernanda), só irei conversar quando tiver acesso ao inquérito”, reitera.

 

Quando Fagundes foi apresentado à DIG de Bauru, Santa Cruz chegou a afirmar que eram grandes as chances de ele pedir a revogação da prisão de seu cliente. Ontem, no entanto, declarou que ainda irá avaliar os documentos do processo para tomar uma decisão.