Depois de mais de duas horas de chuva intensa em Bauru na tarde desta quinta-feira, o dia de ontem foi de averiguação dos estragos causados pela força das águas. O meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo, destaca que as chuvas intensas geralmente atingem mais a área rural. No bairro Matosinhos, zona rural de Bauru, moradores estão ilhados com a queda de uma ponte há quase dez anos.
José Leite Vieira, 51 anos, é apenas um dos moradores da área, que possui cerca de oito propriedades rurais. Como vive no Matosinhos há exatos 22 anos, ele vivenciou a queda da ponte que passa sobre o rio Batalha e dá acesso ao bairro.
“Faz mais ou menos uns dez anos que esta ponte caiu e nós improvisamos o conserto para que, pelo menos, os carros pequenos passassem. Para ter acesso com veículos de grande porte, precisa acessar outra ponte que passa sobre o córrego Água do Paiol, que também está em obras”, criticou.
Vieira conta que ônibus e ambulâncias, por exemplo, não conseguem chegar às propriedades. “Para as crianças pegarem a condução para irem até a escola, é preciso passar pela água e encontrar o veículo, que para do outro lado, antes da ponte. É um absurdo porque a Prefeitura nunca arruma essa ponte”.
Oito anos
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru informou em nota, a ponte do Matosinhos, localizada nas proximidades de Val de Palmas, está interditada há oito anos.
A previsão do secretário de Obras Eliseu Areco Neto, é que o conserto definitivo do acesso seja concluído no programa de recuperação de pontes de madeira situadas na zona rural, que será lançado no segundo semestre deste ano. Esta deverá ser prioridade, já que o programa dará preferência à recuperação das ligações essenciais, ou seja, as mais utilizadas pelos proprietários agrícolas.
A ponte que passa sobre o córrego Água do Paiol, - afluente do rio Batalha -, que já está em obras, deve ter sua recuperação concluída até a próxima quarta-feira. Este acesso é muito utilizado pelos proprietários rurais no deslocamento do distrito de Tibiriçá à Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, passando pela Estação de Val de Palmas.
Várias salas de aula da Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (Faac) da Unesp também estão passando por reparos. Durante a chuva de quinta-feira, o forro do teto cedeu, e os alunos das classes 79 a 84 - sendo a 79 a mais danificada pela chuva - ficaram sem aula por conta da inundação.
Serviço
O telefone de contato do IPMet da Unesp de Bauru para orientação sobre a meteorologia é aberto ao público: (14) 31 3-6 29.
Mais tempestades
O meteorologista do IPMet da Unesp de Bauru e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo, alerta que essas tempestades são comuns nesta época do ano e deverão acontecer com mais frequência no período de transição do verão para o outono, que este ano acontece no dia 2
de março. A Defesa Civil de Bauru também confirma o alerta.
“As tempestades, como a que caiu em Bauru ontem (anteontem), são comuns nessa época do ano e devem acontecer com mais frequência na transição do verão para o outono. Ontem (anteontem) choveu 66 milímetros em uma hora, e isso é preocupante. Se esse volume chovesse durante todo o dia, é normal. Mas é um grande volume para pouco tempo”.
O meteorologista acrescenta o fato de Bauru possuir vasta área rural. “Bauru tem a vantagem de ter grande área rural, então, grande parte da chuva vai para lá. Por isso é que é importante que a população esteja sempre alerta. Se notarem nuvens muito escuras no céu, podem ligar no IPMet para saber se há risco de tempestade”, disse.
Figueiredo pontua que até terça-feira o tempo deve ficar mais estável, com possibilidade de pancadas de chuva. “Os Estados que vão sofrer são Rio de Janeiro e Minas Gerais. Aqui a temperatura deve permanecer alta com possibilidade de chuvas isoladas”.
Os dados do site do IPMet de Bauru são de tempo agradável para o final de semana. As possibilidades de chuva são remotas, apenas 5%, as temperaturas máximas devem permanecer na casa dos 31 graus e as mínimas de 21 graus.
Córrego transbordou devido ao lixo, diz Defesa Civil
Em diversos pontos de Bauru, principalmente nos 17 pontos de alagamento que foram contabilizados em diversas ruas e avenidas da cidade, o dia de ontem foi de restabelecer a ordem. De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, uma das principais causas do córrego Água da Forquilha ter transbordado novamente na rua Benevenuto Tiritan é o acúmulo de lixo.
“A população continua jogando lixo naquele local. Ali podemos encontrar até sofá e outros móveis velhos, o que também causa obstrução nas bocas de lobo. Agora é preciso fazer a desobstrução, mas se a população não colaborar, vai entupir tudo novamente e o córrego vai voltar a transbordar”, alertou.
O JC noticiou no dia 15 de fevereiro a mesma situação nesta rua. Depois de uma chuva intensa no dia anterior à reportagem, o mesmo córrego transbordou e a via teve que ser interditada, como na noite de anteontem. Segundo a Defesa Civil de Bauru, ontem a rua já estava novamente liberada para o tráfego.