Quando nos confrontamos com um problema médico grave, seja em nós mesmos ou em algum familiar, sempre desejamos ter o melhor profissional a nossa disposição. Alguém que saiba avaliar, planejar e executar ações de maneira exemplar. Colocar alguém que não tem a capacidade técnica para realizar uma operação de alto risco seria temerário. Mas a Prefeitura de Bauru inverte esse valor. Brinca com coisa séria. Faz tudo pelo avesso.
Reproduzo trecho da matéria publicada neste jornal sobre o sistema viário da cidade, dando enfoque ao novo-velho viaduto. "Ewerton adianta que não haverá circulação de ônibus circular pelo viaduto. Isso porque não terá como colocar ponto de embarque e desembarque em toda a extensão da alça." O senhor Ewerthon citado na matéria é o diretor de Sistemas Viários e Transporte da Emdurb. Agora pergunto: qual é o sentido em se colocar um ponto de ônibus no meio de um viaduto? Qual viaduto de Bauru possui ponto em sua extensão? Qual a vantagem de uma pessoa desembarcar em um viaduto a muitos metros do solo?
Na verdade, a frase faz sentido dentro do contexto em que vivemos. Um sistema viário confuso e sem alternativas, transporte coletivo com linhas defasadas, horários terríveis, onde o mais importante é se a catraca é moderna ou se o ônibus é novo (mas não necessariamente confortável). E daí que ele passa a cada uma hora e meia? E daí que quando ele passa está superlotado? E daí que não tem ônibus de sábado e domingo? Bauru entrega um ponto vital de sua estrutura a alguém que, aparentemente, quer colocar ponto de ônibus nos viadutos. Só falta agora querer colocar uma linha de circular debaixo do rio Batalha.
José Augusto Júnior - estudante