11 de julho de 2026
Bairros

Família denuncia negligência em suspeita de dengue hemorrágica

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Tudo começou com uma simples dor de cabeça, que com o passar dos dias evoluiu até chegar a desmaios e sangramento debaixo das unhas, pelo nariz, ouvidos, gengiva e urina. Cristiane Luques Germano Dourado, 34 anos, viveu quatro dias de desespero e angústia sem diagnóstico preciso. Passou pelo Pronto-Socorro Central (PSC) e Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Bela Vista por diversas vezes e foi liberada. A família da jovem, mãe de quatro filhos, denuncia negligência no atendimento recebido e suspeita que ela tenha sido acometida por dengue hemorrágica.   

 

Regina Aparecida de Oliveira, 27 anos, cunhada de Cristiane, contou à equipe de reportagem do JC o desespero dos familiares com o caso da jovem. “Há cerca de 15 dias, ela começou a ter dores de cabeça. Essas dores foram ficando mais fortes e a pressão estava alta, então ela procurou atendimento no Pronto-Socorro Central na última sexta-feira. Ela foi medicada e a liberaram”, disse.

 

No sábado pela manhã, Regina encontrou Cristiane desmaiada em sua residência, que fica no Núcleo Nova Esperança. “Ela estava com as unhas roxas e desacordada. Levamos ela para o Hospital de Base. Ela ficou o dia todo internada e já estava com sangue na urina. Quando trocou o plantão, às 19h, conversei com o médico, que disse que não tinha o que fazer. Ela fez um eletroencefalograma e a suspeita era de que estava com AVC, mas o exame descartou a possibilidade”, acrescentou Regina.

 

Apesar de ter recebido alta médica à

h, a manhã de domingo de Cristiane não foi diferente. A dor de cabeça forte continuava e a pressão arterial ainda estava alta, para desespero da família. A paciente novamente recebeu medicamentos endovenosos e foi liberada. 

 

Anteontem a jovem sofreu outro desmaio pela manhã, e sangramentos começaram a aparecer debaixo de suas unhas, pelo nariz, ouvidos, gengiva e na urina. “Ficamos desesperados e levamos ela mais uma vez para o Pronto-Socorro. Lá o médico já deu um laudo para internação na UPA Bela Vista e um pedido de exame de sangue. Ela também fez uma tomografia”, conta Regina.

 

 

 

Longa espera

 

No início da noite de ontem, Cristiane continuava internada na UPA da Bela Vista. O resultado do hemograma ainda não havia sido emitido, segundo a família. “Nós queremos que descubram o que ela tem. Ainda não pararam os sangramentos e estamos preocupados. Eu, minha sogra e o marido dela (Denis da Silva Dourado) estamos nos revezando para cuidar das crianças e ficar com ela enquanto estiver internada”, desabafa a cunhada de Cristiane.

 

 

 

Hipótese descartada

 

Em resposta aos questionamentos feitos pela equipe de reportagem do JC, a diretoria do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto-Atendimento da Secretaria Municipal de Saúde informou em nota que, realmente, Cristiane Luques Germano Dourado, 34 anos, foi atendida várias vezes durante mais de duas semanas de evolução no seu quadro clínico. 

 

No último atendimento, foi realizada uma tomografia e a paciente foi liberada para aguardar em casa o resultado, que só será emitido nesta sexta-feira, segundo familiares. “O resultado do exame demora. Então, como ela não melhorou, o ideal era que ficasse internada nestes dias”, opinou Regina Aparecida de Oliveira, 27 anos, cunhada de Cristiane. 

 

Apesar da afirmação da família, a secretaria frisou que “em nenhum momento a paciente apresentou sangramento ou outros sinais hemorrágicos, além dos exames realizados não apontarem para suspeita de dengue hemorrágica”.

 

Ou seja, a hipótese de dengue hemorrágica está descartada, de acordo com o Departamento de Urgência da Secretaria de Saúde. Ontem, a paciente permaneceria internada na UPA da Bela Vista à espera de uma vaga no Hospital Estadual (HE), onde passará por novos exames na tentativa de diagnosticar as causas de suas dores de cabeça e do aumento da pressão arterial.

 

Até o fechamento desta edição, seu quadro de saúde era estável. “O conjunto de sintomas e a evolução clínica tornaram absolutamente improvável a hipótese de dengue, uma vez que o principal sinal, que é a febre, não se manifestou de forma importante no quadro clinico”, destacou a secretaria em nota enviada ao JC.