09 de julho de 2026
Nacional

Crise na base provoca novo adiamento de votação da Lei da Copa


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Brasília - A crise na base aliada do governo teve mais um capítulo ontem com o novo adiamento da votação da Lei Geral da Copa na Câmara dos Deputados. Os líderes dos partidos da coalizão governista preferiram obstruir a discussão do texto para evitar que fosse imposta mais uma derrota ao Executivo.

 

A Lei Geral da Copa cria um marco legal para a realização da Copa do Mundo de 2

14 e da Copa das Confederações de 2

13 no país, ditando as regras para comercialização de produtos dos patrocinadores da Fifa, definindo as responsabilidades civis do governo e do setor privado e até o preço das entradas para os jogos.

 

A votação de ontem no plenário da Câmara era aguardada pela Fifa depois que a presidente Dilma Rousseff se reuniu com o presidente da entidade, Joseph Blatter, na última sexta e disse que o Brasil cumpriria todos os compromissos assumidos para a realização do torneio.

 

Mais uma vez, demonstrando estar sem controle sobre os aliados e sofrendo muitas pressões, o governo teve que aderir ao adiamento. Até o novo líder indicado pelo Palácio do Planalto na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), liberou a base aliada para votar como achasse melhor no requerimento que pedia a retirada da matéria da pauta, numa demonstração de falta de confiança na vitória governista.

 

“O líder do governo admitiu que não tinha controle sobre os liderados”, disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), um dos principais porta-vozes do descontentamento na base aliada, pouco antes da sessão ser encerrada por falta de quórum.

 

Apenas três legendas -PT, PSB e PCdoB- dos 16 partidos da coalizão do governo na Câmara mantiveram a posição de votar a Lei Geral da Copa ontem, mas não conseguiram reunir os 257 votos necessários para manter aberta a sessão no plenário.

 

O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), disse que é cedo para dizer que o governo perdeu o controle dos aliados, mas admitiu que os líderes dos partidos ficaram confusos e sem poder de liderança com tantas idas e vindas na negociação do ponto da lei que trata da venda de bebidas alcoólicas nos estádios.

 

Desde a semana passada, o governo tem tentado construir um texto que permita a liberação de bebidas alcoólicas nos estádios, o ponto mais controverso da Lei Geral da Copa e um dos que mais que interessa à Fifa, que tem uma cervejaria entre seus principais patrocinadores.

 

No texto enviado ao Congresso no ano passado, o Executivo apenas suspendia parte do Estatuto do Torcedor que impede o comércio de álcool. Depois, apoiou o relator, deputado Vicente Cândido (PT-SP), que regulamentou detalhadamente a comercialização de bebidas nas arenas. Agora, o governo voltou a defender apenas a suspensão de parte do Estatuto do Torcedor.

 

Se for aprovado desta forma, a Fifa terá que negociar com alguns Estados que sediarão jogos da Copa para que eles modifiquem suas legislações que impedem o consumo de álcool nas arenas. “Talvez não tivéssemos votos suficientes para aprovar o texto se fosse votado hoje (ontem). Seria muito ruim uma derrota para o governo nesse caso”, disse Alves. Ele acrescentou que a maioria da sua bancada não aceita votar a Lei Geral da Copa sem discutir a reforma do Código Florestal. “Eles querem votar o Código antes”, disse.