09 de julho de 2026
Articulistas

Nossas águas superficiais e subterrâneas

Antonio Cícero de Oliveira
| Tempo de leitura: 2 min

A vida econômica está ligada aos cursos de água, são fontes de regadios que fecundam a terra. Antigas civilizações, cidades modernas, assim como nossa cidade, tiveram suas origens a partir de um rio ou córrego. Possuímos ótimas redes de drenagens de água superficiais, como o rio Batalha, nosso principal manancial. Apesar de sua competência, em alguns trechos são como lâmina de água, e sem a mínima cobertura vegetal, e mesmo assim consegue abastecer 40% da população. O Brasil, graças à sua localização intertropical, ao clima e à geologia, tem abundantes águas superficiais e subterrâneas. Entretanto, há dados de pesquisa que revelam que 90% de nossos rios estão assoreados ou poluídos. No Dia Mundial da Água é bom saber: o Brasil é um país abençoado. A Bacia Amazônica possui 16% de água doce do planeta, temos aquíferos até então intocáveis, apesar de que nossas águas estão mal distribuídas, visto as concentrações populacionais nas regiões centro sul. "O processo tecnológico, a amplitude cada vez maior dos horizontes urbanos ante a um aumento demográfico explosivo e a crescente da produção industrial, contribui acelerando a perda de recursos naturais hídricos". Sendo assim, para atender à demanda da nossa cidade, recorremos ao Aquífero Guarani com 60% de suas águas, sendo este considerado o último recurso hídrico que a humanidade possui. Suas águas estão reservadas para o presente, mas não esquecemos as gerações futuras. Mesmo suas águas profundas são vulneráveis à contaminação em zonas de recargas. Os cenários hídricos atuais não são nada animadores, nosso mananciais, nascentes, rios e córregos sofrem toda sorte de perturbação em áreas rurais e urbana, como nascentes desprotegidas, assoreamentos, lixões e desmatamentos. O rio Batalha tem sua capacidade a se esgotar até o ano 2020, o aquífero tendo seus níveis baixando pela superexploração, sem contar os desperdícios, vazamentos em nossas remendadas rede de distribuição. O desafio que enfrentará a humanidade é ver diminuída a capacidade de distribuição e a qualidade de água própria para o consumo humano. Nossas águas, nossos santuários, merecem mais atenção. Um novo olhar, uma nova atitude, com políticas sustentáveis de recuperação de nascentes, rios e córregos. Objetivando, assim, aumentar sua vazão, sendo alternativas futuras de manancial de abastecimento. Em nossas mãos está, sociedade civil organizada, iniciativa privada, poder público, cuidar do bem mais precioso que a humanidade possui, patrimônio ambiental do planeta, essencial à continuidade da vida. "No princípio a terra estava vazia e sem forma e um vento impetuoso soprava sobre as águas". (Gn 1,2).


O autor, Antonio Cícero de Oliveira, é licenciado em geografia