Brasília - Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff sofrer sua pior derrota no Congresso, o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), afirmou ontem que a base aliada não pode colocar a “faca no pescoço do governo” e condicionar a aprovação da Lei Geral da Copa a uma data para a votação do Código Florestal.
Anteontem, o PMDB, principal partido aliado ao Planalto, liderou o motim que levou ao adiamento da votação da Lei Geral da Copa. Bancada ruralista, da saúde e evangélica se uniram contra o governo. “É colocar a faca no pescoço do governo. Veja, a oposição pode falar isso, agora, a base falar: ‘nós queremos a data’. Isso não pode. Olha a situação do governo! A base falando publicamente, pedindo para marcar a data. Que história é essa? O governo quer discutir mérito”, afirmou Tatto. Ontem, o líder petista também diminuiu o tom do discurso contra os ruralistas. Ele admitiu que o clima na Câmara anteontem estava péssimo e que o melhor agora é sentar para conversar.
“Eu não falei mal dos ruralistas ontem (anteontem), falei dos predadores, agora se alguém vestiu a carapuça [...]. O clima estava péssimo em função de toda a situação, agora vamos diminuir o tom do discurso de isso ajudar a aprovar a Lei Geral da Copa [...]. Estou mudando meu discurso, estou mais ‘light’, vamos ver se assim a gente se entende”, disse. Tatto foi vaiado pelos ruralistas ao chamá-los de “predadores” durante a discussão da Lei Geral da Copa. O discurso foi feito após o Planalto orientá-lo a jogar a responsabilidade sobre a não votação da lei da Copa para a bancada ruralista.
Votaçõe suspensas
No dia seguinte à série de derrotas na Câmara, a articulação política do governo suspendeu por duas semanas a votação da Lei Geral da Copa e do Código Florestal. Com a base rebelada, os projetos não entrarão na pauta antes do dia 11 de abril. Depois de várias reuniões no Palácio do Planalto, os articuladores da presidente Dilma Rousseff decidiram não ceder à exigência dos aliados de votar o código antes da Lei da Copa. Também está fora dos planos do governo marcar uma data para votação do código.