Um clima de tensão se instalou no Fórum de Bauru, ontem, durante a primeira audiência do caso Sandro Fernandes. Seis meses depois de ser acusado de molestar quatro pessoas de sua família, foi a primeira vez que o advogado bauruense esteve bem próximo das supostas vítimas. Ele, inclusive, tentou conversar com uma delas, o que levou o advogado que as representa a avaliar o pedido de revogação da prisão domiciliar do réu.
Durante as seis horas de depoimento, a intensa movimentação da imprensa, vítimas e réus provocou a curiosidade de funcionários, profissionais do direito e pessoas que passavam pelo local. Das 13h às 19h, as quatro vítimas foram ouvidas pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Bauru, Jaime Ferreira Menino. Sandro e sua esposa, Fernanda Fernandes, acusada de coautoria nos crimes por ter sido omissa, também estavam no Fórum, mas não participaram da audiência e prestarão depoimento em data ainda a ser agendada.
Logo nas primeiras horas, as equipes de reportagem foram proibidas de permanecer no primeiro andar, onde vítimas e réus estavam. Antes disso, no entanto, foi possível acompanhar uma breve e acalorada discussão no corredor, quando Sandro tentou se aproximar do familiar mais novo, de 1
anos, ao final do depoimento do garoto.
O advogado da assistência da acusação, Evandro Dias Joaquim, interveio e, em voz alta, pediu para que o réu se afastasse, lembrando-o de que sua atitude poderia levá-lo de volta à cadeia.
Antes do início dos trabalhos, Joaquim pediu para que Sandro e Fernanda fossem impedidos de acompanhar a audiência para evitar constrangimentos. A solicitação foi acatada pelo juiz e o casal permaneceu praticamente todo o tempo em uma sala ao lado. Mas, conforme o JC apurou, Sandro chegou a ir até a sala onde todas as vítimas estavam e abriu a porta para entregar documentos aos três advogados que o defendem.
Burburinho
O fato teria ocorrido durante o depoimento do garoto de 1
anos, que foi o primeiro a ser ouvido pelo juiz. Ele falou por cerca de uma hora e meia e, ao sair – de boné quase cobrindo o rosto e abraçado por uma mulher -, foi chamado por Sandro pelo nome.
A criança chegou a olhar para o réu, que estava na porta da sala ao lado. Sandro foi duramente criticado pelo advogado de acusação e, depois do burburinho, o acesso da imprensa ficou restrito ao andar térreo.
O depoimento mais demorado foi da segunda vítima, uma jovem de 19 anos que teria sido molestada dos 8 aos 16 anos. Ela foi ouvida por cerca de duas horas e meia e, às 17h2
, saiu do Fórum escoltada por policiais para evitar ser fotografada.
Assim como ela, as outras duas vítimas, de 19 e 14 anos, não quiseram falar com a imprensa. Os dois últimos depoimentos, entretanto, foram bem mais rápidos e encerrados aproximadamente às 19h. A informação é de que, ao fim dos trabalhos, o juiz foi comunicado sobre a tentativa de aproximação entre Sandro e uma das vítimas.
Como o processo corre sob segredo de Justiça, o advogado Evandro Dias Joaquim não quis confirmar se fará o pedido de revogação da prisão domiciliar do réu ainda nesta semana, mas é provável que a medida seja adotada nos próximos dias. Hélio Marcos Pereira Junior, um dos advogados que defendem Sandro e Fernanda Fernandes, também preferiu não se manifestar sobre o caso. Sandro e Fernanda deixaram o Fórum de mãos dadas e, após uma breve conversa no estacionamento, saíram no banco de trás do carro de seus advogados.
Revogação da prisão
O advogado da assistência da acusação, Evandro Dias Joaquim, confirmou que já estuda pedir a revogação da prisão domiciliar de Sandro Fernandes depois que ele tentou conversar com uma das vítimas, chamando-a pelo nome no corredor do primeiro andar do Fórum de Bauru. O garoto, que é parente do réu e foi o primeiro a depor, foi abordado por Sandro logo após deixar a sala de audiência.
“Claramente, o Sandro deu mostras de que não respeita a Justiça. Um dos requisitos para que ele continue em casa é não se aproximar das vítimas ou tentar estabelecer qualquer contato com elas. Mas não foi isso que ele fez hoje (ontem) e irá sofrer as consequências por conta deste comportamento”, adianta.
Casal Fernandes ainda será ouvido
Embora tenham sido impedidos de permanecer na sala de audiência, Sandro e Fernanda Fernandes acompanharam toda a movimentação em uma sala separada, no primeiro andar do Fórum de Bauru. Mesmo sem ter acesso ao relato das vítimas, o casal manteve contato constante com os três advogados de defesa, que presenciaram as oitivas.
Ao final de seis horas de depoimento, os dois assinaram a ata da audiência e, posteriormente, poderão ter acesso ao conteúdo integral do que foi dito pelas quatro pessoas que os acusam de abuso sexual. Sandro e Fernanda continuam cumprindo prisão domiciliar e a expectativa é de que sejam ouvidos até o final do ano.
Neste período, ainda terão de ser agendadas audiências para os depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa, além dos próprios réus. Também deve ser ouvida uma ex-empregada do casal, que passou de vítima a testemunha protegida no processo. Entre as testemunhas arroladas pela defesa, estão a delegada que presidiu o inquérito na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchinni de Assunção Alferes, e uma perita criminal.
Enquanto isso...
Enquanto os “holofotes” estavam voltados ao caso de Sandro Fernandes, no mesmo corredor onde as supostas vítimas prestavam depoimento, um jovem de 2
anos era condenado por matar a pedradas um homem de 58 anos em 2
1
. José Augusto de Oliveira Balador foi condenado a 14 anos de prisão pela morte de João Luiz de Mattos. O corpo da vítima foi encontrado com vários ferimentos no dia 19 de setembro na quadra 1 da rua Paulo Kinoshita, no Parque Paulista, em Bauru.
Cerca de 15 dias depois, Balador foi capturado e confessou o crime aos policiais. Na ocasião, o acusado disse que seu pai teria sido preso por conta de João Luiz. A vítima o teria entregado para a polícia e, para se vingar, o jovem o matou utilizando uma pedra.
Ontem, veio a consequência da vingança. Depois da condenação, a mãe e a irmã de Balador deixaram o Fórum chorando bastante. Ele foi conduzido para cumprir sua pena, que será, inicialmente, em regime fechado.
Entenda o caso
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Familiares de Sandro Fernandes convocam a imprensa para relatar os supostos abusos sexuais praticados pelo advogado, que foram denunciados em agosto na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)
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9/2
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Sandro e Fernanda Fernandes comparecem à DDM para depor. Depois de quase 1
horas, deixam a delegacia rumo à prisão
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Sandro é transferido para a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba. Defesa fica sabendo através da reportagem do JC
1/12/2
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O Supremo Tribunal Federal (STF) concede prisão domiciliar a Sandro. No dia seguinte, a Justiça de Bauru estende o benefício a Fernanda. O casal ganha o direito de se ausentar da residência até 2
h
11/12/2
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Justiça de Bauru exclui do processo a quinta vítima que acusou Sandro de abuso sexual. A mulher, que trabalhou na residência da família do advogado, teria feito a denúncia fora do prazo legal
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Advogado de duas vítimas pede na Justiça para que Sandro cumpra prisão domiciliar sem poder sair de casa e que Fernanda volte para a cadeia, mas o casal continua na residência da família
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Advogados de Sandro apresentam à imprensa gravação telefônica em que uma mulher, identificada como a ex-empregada da família, afirma que receberia R$ 5 mil de uma outra vítima para acusar o advogado
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Cópia da gravação telefônica é juntada ao processo. Defesa entende que Sandro pode ter coagido funcionária durante o telefonema
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Diarista nega, em depoimento prestado na DDM, que tenha mantido qualquer contato com Sandro Fernandes. Ela afirma que a voz da gravação apresentada não é dela.
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Primeira audiência do caso. Quatro das supostas vítimas prestam depoimento ao juiz da 2ª Vara Criminal de Bauru, Jaime Ferreira Menino. Presentes na audiência, Sandro e Fernanda, a pedido da defesa das vítimas, não assistem aos relatos.