São Paulo - O Banco Central ampliou ontem o alcance do Sistema de Informações de Crédito para operações de empréstimo acima de R$ 1.000.
A mudança tem duas funções: exigir que as instituições bancárias tenham mais informações do pequeno tomador, segmento que mais contribuiu para a expansão do crédito no país, e permitir que o Banco Central tenha maior supervisão das operações de crédito.
Até agora, somente empréstimos acima de R$ 5.000 exigiam informações detalhadas do cliente, como faturamento, da microempresa, ou renda, das pessoas físicas.
A medida quadruplica o volume de dados no Sistema de Informações. São mais 155 milhões de operações e R$ 166 bilhões em recursos. Com a medida, o BC passa a monitorar 96% das operações de crédito no país.
A expectativa do Banco Central é que a medida reduza os riscos de inadimplência e promova a redução do “spread” bancário - diferença entre a Selic, taxa usada nas operações interbancárias, e os juros cobrados do consumidor final.
Na opinião de Alexandre Tombini, presidente do BC, a medida anunciada ontem tem abrangência de uma minirreforma econômica. “É uma medida forte para fazer que o sistema reduza de maneira importante o “spread’, principalmente no segmento de renda menor e das microempresas”, disse.
O BC quer minimizar o risco de crédito com a democratização dos financiamentos no Brasil. O crédito pulou de 25% do PIB, em 2000, para quase 50%, em 2011.
O número de tomadores de empréstimos passou de 5,6 milhões, em 2003, para 29 milhões, em 2011. O total de contas bancárias, de 93 milhões, em 2006, para 121 milhões, no ano passado.
Todo esse acesso ao sistema financeiro resultou em mais calotes. A inadimplência de pessoas físicas cresceu de 5,7% para 7,4%, em 2011. Segundo Murilo Portugal, presidente da Febraban, um terço da composição dos “spreads” resulta da provisão contra a inadimplência. Com maior controle dos tomadores, a tendência é que haja queda nesse indicador, com reflexos nas taxas de juros para tomadores finais a médio prazo.
Murilo Portugal disse que o país vive expansão benigna, não bolha no crédito. “Não há registro histórico de bolhas de crédito em países com taxas de juros positivas e elevadas. Há expansão benigna, não um bolha no crédito”, disse. Para ele, o crédito migrou do setor público para o privado.