Lençóis Paulista – Um ambiente que deveria ser de aprendizado transformou-se ontem de manhã em palco de uma ação policial. Um professor substituto de Língua Portuguesa foi flagrado no início da tarde com quase 300 gramas de cocaína em uma escola estadual de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). De acordo com a polícia, ele já cumpriu pena por tráfico de drogas e estava em liberdade há cerca de um ano.
Após denúncias feitas por pais de alunos de que um professor estaria vendendo entorpecente dentro da Escola Estadual Dr. Paulo Zillo, localizada na rua Treze de Maio, no Centro, o setor de inteligência da Polícia Civil identificou o suspeito como sendo Moacir José de Moura Junior, 29 anos, que também dá aulas em outra escola estadual da cidade.
Ontem, por volta das 12h20, ele foi abordado pelos policiais civis quando saía da unidade. No bolso da calça dele, foi apreendido um pacote com 100 gramas de cocaína. Na mochila do professor, em meio a caixas de giz e lápis de cores, foram encontrados quase 200 gramas da droga, além de R$ 1.010,00 em dinheiro.
Em depoimento ao delegado Luiz Cláudio Massa, o professor confessou que o entorpecente lhe pertencia, mas negou que estivesse vendendo a droga dentro das escolas onde leciona. A polícia não acredita na versão já que, em meio a porções maiores de cocaína, foram encontradas dez porções menores prontas para a venda.
Moura Junior alega que, durante o período em que esteve preso, acumulou uma dívida com traficantes da cidade e que, para saldar esse débito, guardava o entorpecente pertencente a eles. O professor não quis revelar nomes, mas a Polícia Civil informou que dará prosseguimento às investigações para tentar identificar o verdadeiro dono da droga.
Apesar de buscas na residência do acusado, nada de ilegal foi encontrado. Segundo o delegado, a prisão do professor, que por si só já seria um fato grave, adquire contornos ainda mais preocupantes quando levado em conta a faixa etária dos seus alunos, que varia de 15 a 16 anos.
Massa conta que, até o momento, todas as evidências apontam para o envolvimento de Moura Junior na venda de drogas a usuários e pequenos traficantes, que seriam alunos das escolas estaduais. Segundo o delegado, a profissão exercida pelo acusado seria uma forma encontrada por ele para ocultar sua atuação criminosa.
Antecedentes criminais
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação diz que as equipes gestoras das escolas estaduais Paulo Zillo e Professora Antonieta Grassi Malatrasi, de Lençóis Paulista, não registraram qualquer ocorrência que envolvesse venda de drogas a alunos em seu interior. “Cabe salientar que ambas as unidades contam com câmeras de segurança”, afirma.
Segundo a Secretaria, Moura Junior lecionou eventualmente nas duas escolas para cobrir ausência de professores apenas neste mês e não prestou serviços anteriormente às escolas estaduais do município ou da Diretoria Regional de Ensino de Bauru. “Vale ressaltar que o professor não atuará mais na rede”, informa.
A pasta da Educação declarou ainda que, de acordo com o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo, não há exigência legal para apresentação de antecedentes criminais e que, na rede estadual de ensino, os docentes ingressantes devem firmar, de próprio punho, declaração de boa conduta, o que foi feito pelo docente em questão. “A fim de esclarecer os fatos a pais e alunos, a equipe gestora de ambas as unidades vai agendar, para a próxima semana, uma reunião com a comunidade escolar”, anuncia.