10 de julho de 2026
Geral

Gestão do ?novo? Centrinho pela USP é passo decisivo para medicina em Bauru

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

Foi anunciado ontem um passo importante para a concretização de um antigo sonho bauruense: a Faculdade de Medicina. O superintendente de Saúde da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Boulos, esteve nos últimos dois dias na cidade como coordenador da comissão que analisa a viabilidade da implantação do curso em Bauru. A novidade é que o novo prédio do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) será gerido pela fundação da Faculdade de Medicina da USP.


O processo deve ter início a partir do dia 30 de abril, quando está prevista a conclusão das obras da unidade, localizada na Vila Universitária e orçada em R$ 26 milhões. Para que o Estado de São Paulo repasse recursos para equipar e custear o funcionamento do hospital, a Secretaria do Estado de Saúde vai receber a permissão de uso do local e transferir a gestão para a fundação. “É preciso ressaltar que o prédio continua fazendo parte do patrimônio da universidade”, ponderou Boulos.


Um dos objetivos na gestão pela Organização Social da Faculdade de Medicina da USP é de ampliar em Bauru as vagas de residência médica para garantir a formação profissional, visando ao atendimento à demanda do novo hospital e o futuro curso médico na cidade.


Boulos lembra que, quando estiver funcionando de forma plena, o novo hospital do Centrinho, que tem 12 andares, 164 leitos e 20 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), vai precisar de aproximadamente 200 médicos. “Bauru não tem esses recursos humanos para oferecer atualmente. E é nisso que precisamos pensar em primeiro lugar. Trazer e formar os profissionais aqui, ampliando as especialidades”, pontuou.


A mobilização política também é fundamental para viabilizar a ampliação das vagas de residência, segundo Marcos Boulos. Ele afirma, porém, que isso já acontece, citando o empenho do deputado Pedro Tobias (PSDB), do Governo do Estado, da USP e até mesmo do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.


Com o embasamento de quem dirigiu a Faculdade de Medicina da USP entre 2006 e 2010, Boulos afirmou categoricamente que Bauru comporta o curso de medicina, dando ênfase ao grande centro médico existente na cidade. “A formação dos profissionais é o principal ponto e isso será trabalhado. Não podemos falar em datas porque não se cria uma faculdade de uma hora para outra, inclusive por ser necessária a aprovação do Conselho Universitário”, afirmou.


No entanto, o coordenador da comissão explicou que outros processos anteriores à criação do curso podem ser antecipados. A expansão das vagas de residência, por exemplo, deve começar no ano que vem e se concretizar em 2014, quando o novo Centrinho deve passar a funcionar plenamente.



Pós-graduação


Além disso, Marcos Boulos admitiu a possibilidade de criação de outro curso na área da Saúde antes da implantação da Medicina, com forte inclinação para o de Ciências Biomédicas.


Como o Jornal da Cidade já havia antecipado, Boulos confirmou também que, antes da graduação, cursos de mestrado e doutorado, com foco na formação de professores para a faculdade, devem ser implantados. “Isso pode acontecer muito rapidamente, inclusive no começo do ano que vem. Já estamos provocando os profissionais nesse sentido”, adiantou.


Marcos pontuou que todo o processo deve ser conduzido com muita cautela e rigor técnico para garantir a extensão da excelência do curso de Medicina da USP. “Tenho certeza que Bauru não quer apenas uma faculdade. Quer uma faculdade com a qualidade da USP. Nós estamos entre as 50 melhores do mundo e já superamos todas as latinas, inclusive as francesas”, enfatizou Boulos.

 

 

Alckmin apoia Medicina


Bauru conta também com forte apoio político para a viabilização da Faculdade de Medicina. O médico e governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou, no ano passado, ser favorável à implantação do curso na cidade. Além disso, o tucano defendeu que a ampliação da residência médica deveria ser o primeiro passo para que a cidade alcance seu antigo sonho.


O tom apresentado por Marcos Boulos ontem à imprensa é convergente à posição do governador, que elencou o investimento na formação profissional de médicos e professores como prioridade para a cidade.

 

Tobias destaca investimento estadual


O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) comemorou os avanços na discussão em torno da Faculdade de Medicina em Bauru e destacou o grande investimento que deverá ser feito pelo Governo do Estado para equipar o novo hospital. “Não temos ideia do montante, mas sabemos que a USP não teria condições de bancar isso sozinha”, observou.


Também foi destacada pelo parlamentar a qualidade técnica da Fundação da Faculdade de Medicina da USP, que assumirá a gestão da unidade. “É ela que administra o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), o primeira hospital eletrônico do País, com 700 leitos”, lembrou o tucano.


Por conta dos investimentos necessários, permitidos apenas após a concessão do uso do novo hospital à Secretaria do Estado de Saúde, a previsão é de que o prédio, previsto para ser entregue em 30 de abril, comece a atender em 2013 de forma parcial, para deslanchar em 2014.

 

Centrinho vai dividir especialidades com o Hospital Estadual


A informação de que os atendimentos no Centrinho seriam ampliados com a inauguração do novo prédio foram confirmadas ontem por Marcos Boulos. Ele explicou, porém, que o hospital não vai atuar em todas as especialidades. “Não haverá concorrência de demanda com o Hospital Estadual (HE). O que já existe por lá não vai existir no novo Centrinho”.


De acordo com o superintendente de Saúde da USP, porém, o novo Centrinho deve focar nos casos que abrangem as áreas do pescoço e da cabeça, além de priorizar os atendimentos pediátricos. “Queremos atender todas as especialidades entre esses dois hospitais. É claro que se determinada demanda for maior em um ou em outro, há a possibilidade de mudanças”, pontuou Boulos.


Essa discussão será conduzida por um Conselho de Saúde, que terá membros da Secretaria de Saúde, da USP, do Centrinho, da Fundação da Faculdade de Medicina e da Prefeitura de Bauru. Segundo o coordenador da comissão, a transferência de debate para o grupo que será formado é a próxima etapa dos trabalhos. “Vai ser a passagem de plantão”, metaforizou, lançando mão do jargão médico.




Lucy Montoro


Outra frente de atendimentos do novo hospital poderá ser a instalação de uma unidade da Rede Lucy Montoro, um centro médico de reabilitação para deficientes físicos, projetada inicialmente para atuar em São Paulo, Campinas, Marília, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e outros dois municípios no Vale do Paraíba.


As tratativas estão sendo conduzidas pelas Secretarias de Saúde e dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Por aqui, o serviço deve ocupar um andar inteiro e a metade de outro do prédio em fase final de construção.

 

Sem prefeito, governo se coloca à disposição


O coordenador da comissão que discute a implantação da Medicina em Bauru não foi recebido pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) em sua visita à cidade. Na quinta-feira, o chefe do Executivo estava em Brasília. Já na sexta, segundo ele, alguns desencontros de informações inviabilizaram uma audiência.


Na sede do Centrinho, era dito que o prefeito ainda estava em Brasília. Rodrigo, por sua vez, disse ter recebido a informação de que Marcos Boulos não estaria mais hoje na cidade. No entanto, deixou escapar que ‘ficou esperando um convite’ na tarde de ontem.


No primeiro dia de visita de Boulos à cidade, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, foi quem conversou com o superintendente de Saúde da USP. “Ele foi passar a mensagem de que a prefeitura está à disposição para o que for necessário para garantir a vinda da faculdade”, disse Rodrigo.


Segundo Boulos, a participação do município no Conselho de Saúde que vai discutir o funcionamento do novo hospital do Centrinho é fundamental. “É da cidade que parte a demanda inicial e é a prefeitura que faz o encaminhamento. Nós precisamos dialogar para definirmos as demandas”, explicou.

 

Tobias: hospital terá o nome de “Tio Gastão”


Marcos Boulos e o deputado Pedro Tobias contaram ontem que o novo prédio do Centrinho será denominado José Alberto de Souza Freitas. “Mas esse nome tem que ser menor. O hospital tem que ser conhecido como Tio Gastão”, disse o representante da USP. Já o parlamentar se comprometeu a apresentar a proposta na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).


Tio Gastão é o principal símbolo dos serviços de excelência prestados pelo Centrinho. “Fiquei muito bem impressionado com tudo o que é feito aqui. Podemos ver o resultado na evolução dos pacientes. Não há serviço igual no Brasil e isso precisa ser ampliado”, comentou Boulos.


O ex-diretor da Faculdade da USP observou também que a visita a Bauru foi útil para esclarecer dúvidas geradas sobre o futuro do novo hospital junto à equipe do Centrinho. “Não sabiam o que estava sendo discutido, mas sabiam que era sobre eles. As conversas foram importantes para tranquilizar a todos. O hospital e o Centrinho vão funcionar de forma independente, mas entrosados e interligados”, garantiu.