10 de julho de 2026
Política

Há verba para raio-X do Alto Batalha

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O Comitê de Bacias Hidrográficas aprovou a liberação de R$ 325 mil que vão viabilizar a execução de um projeto desenvolvido pela Ong Pró-Batalha. O objetivo da proposta é recuperar a capacidade de produção de água das nascentes que desembocam no Rio Batalha, a partir de um profundo de diagnóstico do uso e ocupação de solo do mais de 12.500 hectares da Bacia do Alto Batalha, que engloba áreas em Bauru, Agudos e Piratininga.


O mérito é louvável. Afinal, o abastecimento de água é um dos principais problemas urbanos bauruenses e a captação de água do Batalha é responsável por 40% do total. No entanto, a capacidade de produção está comprometida, em função do assoreamento do rio, ocasionado pela degradação da vegetação da bacia ao longo do tempo, além da prática de técnicas agropecuárias não-sustentáveis na região.


O projeto da Pró-Batalha foi apresentado em janeiro ao Comitê e já foi aprovado. A verba será liberada pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro). “Falta apenas uma reunião que vai formalizar esse processo e deve acontecer na primeira quinzena de abril”, pontuou o diretor-executivo da Ong, Eliel Pacheco Júnior.


Os trabalhos serão desenvolvidos por profissionais de uma equipe multidisciplinar e a previsão é de que sejam construídos até o segundo semestre de 2013.


Um dos principais focos do projeto está justamente nos produtores rurais da Bacia do Alto Batalha. Existem cerca de 200 propriedades, a maioria delas pequenas. No entanto, grande parte da área total é utilizada para a criação de gado, uma das atividades mais prejudicais ao solo,  que afeta, consequentemente, a saúde do rio e de seus afluentes.


De acordo com Eliel, o projeto vai desenvolver um diagnóstico sócio-ambiental, definindo os perfis dessas propriedades e as características de cada uma delas sob o aspecto da preservação ambiental. A partir disso, a ideia é orientar e sensibilizar os produtores para que adotem técnicas agrícolas adequadas e sustentáveis. “Há uma rivalidade histórica entre produtores e ambientalistas. No entanto, queremos ser parceiros e dialogar. Eles já tiveram um contato prévio com o projeto, que foi muito bem recebido”, garante Eliel.


O ambientalista explica que ninguém vai impor o tipo de cultura ou atividade que deve ser desenvolvido em cada propriedade. “Vamos apresentar diretrizes e argumentos. Os produtores que se adequarem poderão receber um certificado, que será, inclusive, uma exigência de mercado, estabelecida pelo novo Código Florestal, que não é bom, mas organiza algumas dessas questões”, observa.




Imagens de satélite


Para a definição das diretrizes para uso e ocupação do solo agrícola no Alto Batalha, o projeto vai desenvolver um ‘Atlas Geo-Ambiental’, que será viabilizado a partir da contratação de imagens de satélite de ótima resolução. “Não serão imagens de arquivo. Por serem utilizados, vão possibilitar a criação de um amplo banco de dados que vai nortear a maioria de nossas atividades”, conta Eliel.




Gargalo da água


A grande expectativa do projeto é que, a partir do mapeamento, da orientação e da sensibilização junto aos produtores agrícolas da região do Alto Batalha, os impactos no solo diminuam e possibilitem a recuperação da capacidade de produção de água do rio Batalha e dos afluentes. Eliel conta também que serão propostas também alternativas para barragem de águas na época das chuvas a fim de garantir reservação na estiagem.


Segundo Pacheco, porém, a grande vilã dos problemas de desabastecimento é a perda de imenso volume de água produzida, cerca de 40% do total. “É preciso ampliar os mecanismos de controle e redução de vazamentos. O aceitável seria perda de 20%”, pontua.


O diretor-executivo da Ong lembra que a perfuração de poços como alternativa deve ser tratada com bastante cautela, pois abrem brechas para a contaminação de aquíferos. “Os critérios técnicos precisam ser rigorosos. Além disso, se um poço é perfurado muito próximo do outro, a capacidade de produção de ambos será bastante reduzida”, afirma.