10 de julho de 2026
Esportes

Diário de bordo - Torneio Interligas - Brasil - Argentina - 2012


| Tempo de leitura: 3 min

Experiência inédita

 

O primeiro dia de disputas internacionais do Itabom começou muito mal. Irreconhecível em quadra, o time foi presa fácil para o Peñarol de Mar Del Plata. Se todos já sabiam que seria muito difícil um jogo internacional, contra um dos melhores times argentinos e na casa deles, qual o motivo da decepção se a equipe bauruense atuou com três jogadores vindos da base e ainda sem seus quarto principais atletas? “Nem que estivéssemos com o time completo, seria difícil. Faltando um ou dois minutos esses caras (argentinos) iam segurar uma falta aqui e outra lá para ganhar tempo. Isso sem contar a arbitragem. Jogar aqui é outra história”, disse Guerrinha, em breve conversa hoje pela manhã no hotel em que a delegação está hospedada. 

 

O treinador não escondeu o descontentamento com a primeira derrota. Ainda mais de como ela veio. Tanto que resolveu mudar de estratégia. Guerrinha fez do treino de ontem pela manhã uma “dinâmica inédita”. O treinador reuniu os jogadores no salão de imprensa do hotel e convidou Jorge Hernández, técnico do próprio Peñarol e também da seleção da Argentina, para conversar com o grupo.

Hernández falou por cerca de 2

minutos, elogiou o grupo, parabenizou pela iniciativa de Guerrinha, e passou seu recado aos jogadores. “Sempre, até o último minuto de sua carreira, pensem em melhorar”.

 

Sobre o estilo de jogo, o treinador ressaltou que, na troca de experiências, o brasileiro precisa aprender a jogar em conjunto como o argentino.

 

Quem também comentou no encontro foi Sérgio Domenici, Gerente Executivo da Liga Nacional de Basquete (LNB), que organiza o Novo Basquete Brasil (NBB). 

 

“Esta disputa do Interligas significa muito. Não só para o futuro do basquete nacional, mas o futuro de cada atleta. Vocês estão construindo nossa trajetória”.

 

 

 

36 anos do Golpe 

 

As ruas da região central de Buenos Aires estiveram mais coloridas, movimentadas e barulhentas do que o de costume. Milhares de pessoas foram às ruas em marcha pelo Golpe Militar que ocorreu 36 anos atrás. Foram sete anos de regime ditador. Vários grupos se dividiram nas principais ruas da cidade e se reuniram no Obelisco para marcha até a praça mais famosa da Argentina, a “Plaza de Mayo”. “É uma ação com duas finalidades: para que não se esqueça e para que nunca se repita”, explicou Jorge Augusto, dono de uma banca de revistas em uma das esquinas próximas à praça, na Avenida Cevallo. 

 

Já o jornalista Fabian Binaghi, que possui um site dedicado ao basquete argentino (www.webasquetball.co m) e acompanha os jogos do Interligas, reflete sobre o tem e diz ser contra o movimento. “Existem duas verdades. O que acontece é que muita gente não quer escutar a verdade. Temos que escutar não apenas com o ouvido da esquerda, mas com o da direita também. E por isso que temos dois ouvidos e a mente entre eles. Para ouvir os dois lados e pensar antes de tudo”, comenta, se referindo a iniciativa do movimento esquerdista em organizar a passeata.

 

Questionado sobre qual seria então a outra verdade, o jornalista argentino – que se diz fã do Brasil e do “Timón”, o Corinthians – explica de um jeito fácil para o brasileiro compreender: “Qual é a verdade? Pense como o Brasil. Sofreram com governo ditador de Castello Branco. E agora se dizem um país democrático com José Sarney”.

 

No jogo de ontem, antes do início da segunda partida, entre Itabom e Obras, foi respeitado um minuto de silêncio “em memória a todos que lutaram por nossa liberdade”, nas palavras do serviço de som. Diferente do que muitas vezes acontece, o minuto foi realmente respeitado.

 

 

 

Drama das diferenças

 

Cansaço, desgaste de viagens seguidas, quatro desfalques, café da manhã sem bananas, comida sem sal...para incrementar ainda mais a lista de adversidades superadas pela equipe bauruense, uma delas pode refletir mais tarde. Acontece que o time estava acostumado a jogar com as bolas da patrocinadora do NBB, a Penalty, e desde a Liga das Américas, joga com as fabricadas pela Motlen.

 

“Ainda bem que vamos emendar uma competição da Fiba em outra (Liga das Américas, Interligas e Liga das Américas novamente). Mas depois temos decisões pelo NBB. Vamos sentir diferença”, comenta Guerrinha.