Já pensou em abrir a porta de casa e dar de cara com um belo jardim, tomado por sombras abundantes e flores coloridas, capaz de proporcionar uma intensa sensação de paz? Ou que tal poder levar seus filhos diariamente para brincar em um belo bosque, com playground, quadra poliesportiva e muitas árvores e ainda aproveitar para fazer uma caminhada e praticar exercícios físicos na academia ao ar livre?
É inegável que a ideia exposta no parágrafo acima é bastante tentadora, afinal, ter opções de lazer em meio a áreas verdes e viver em um bairro agradável é um dos maiores anseios da sociedade contemporânea, marcada pela poluição, pelo trafego intenso de veículos e pela correria do dia a dia.
Mas, quando o assunto é espaço público que preza pela qualidade de vida, a reclamação de que a prefeitura não cumpre com seu papel vem à tona. Faltam espaços públicos verdes, falta qualidade, falta infraestrutura, faltam opções... Enfim, sobra falta.
Contudo, o que pouca gente se dá conta é que não é preciso esperar pelo poder público para conquistar qualidade de vida nesse sentido. Isso porque cada cidadão pode dar o exemplo e fazer sua parte para uma cidade melhor e mais agradável de viver.
Para mostrar que isso é possível, a equipe do JC nos Bairros visitou alguns bairros da cidade e conversou com moradores que deram sua contribuição e transformaram a cara do local onde moram.
No Novo Jardim Pagani, por exemplo, Osmar Antônio Godoy, 67 anos, e Marlene Baruffaldi Stevanato, 69 anos, transformaram as vielas próximas de suas casas em belos jardins. Osmar optou por algo mais elaborado, com direito a muros grafitados e reaproveitamento de garrafas pets. Já Marlene preferiu a naturalidade e exuberância das flores típicas da cidade, como hibiscos e flores do campo. Em comum, a limpeza, a organização e a paixão pelo espaço.
Na Vila Giunta, um caso parecido: Adélia Videlis Caetano, 84 anos, e sua filha Josefina Videlis Caetano, 61 anos, fizeram de um terreno uma linda praça, repleta de flores e árvores frutíferas.
Adote você também
Sabe aquela área em frente à sua casa ou à sua empresa que sofre com problemas como mato alto, lixo, entre outras mazelas resultantes do abandono? Ela pode ganhar uma cara diferente, só depende de você.
É que uma lei municipal permite que praças, canteiros, bosques, vielas e até mesmo viadutos sejam adotados por moradores, empresas ou associações. Em contrapartida, para fins de identificação, é permitida a colocação de uma placa com dizeres ambientais e a marca ou nome de quem adotou, de forma discreta para não caracterize publicidade.
“Para adotar, basta que a pessoa ou empresa faça uma solicitação à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) por carta ou e-mail, informando o interesse e os dados pessoais. Depois, montamos um processo. Com a aprovação, um contrato de adoção é assinado e tem validade de um ano, prorrogável por mais um”, explica Valcirlei Gonçalves da Silva, secretário da Semma.
Com a adoção, a pessoa ou empresa fica responsável pela manutenção e reforma da área. Em caso de não cumprimento das obrigações, a prefeitura pode retomar a responsabilidade pelo local, cancelando o contrato. Contudo, não existe nenhum tipo de multa ou ônus a quem adota pelo descumprimento do contrato.
Em Bauru, do total de áreas disponíveis, 1
% já foram adotadas. As empresas são maioria entre quem toma esta iniciativa. Mas, de acordo com a Semma, há também quem opte por cuidar da área sem formalizar a adoção.
“Geralmente são pessoas de mais idade, que fazem por puro prazer e desconhecem os trâmites legais. Não proibimos este tipo de iniciativa, mas pedimos para que, de preferência, a adoção seja formalizada. É uma forma de termos controle sobre a manutenção dessas áreas”, justifica Valcirlei.
Bosques
Mas não são somente terrenos baldios e vielas que podem ser transformados em belos jardins. Os bosques também podem receber uma ajudinha da população e tornarem-se espaços agradáveis de convivência.
Não significa que as pessoas devem, necessariamente, adotá-los, mas, sim, contribuir zelando pelo local.
“Fico sempre de olho para não depredarem, afinal, eu também usufruo deste espaço e me sinto na obrigação de zelar por ele”, justifica Wilma dos Santos, vizinha do Bosque do Núcleo Presidente Geisel.