A viagem das sacoleiras e lojistas começa já na Praça Rui Barbosa onde se reúnem para embarcar na excursão que as leva até a rua 25 de Março, Feira da Madruga e ladeiras e mais ladeiras de compras. Lista de presentes completa, elas e eles - a maioria elas -, partem para o estacionamento do shopping Azulão, no Brás, em São Paulo. O grupo acompanhado pelo JC saiu de Bauru na quarta feira às 21h45, chegou ao destino na quinta às 3h e retornou a Bauru às 15h. Foram 12 horas de compras, aventuras e batalha pelo pão de cada dia.
O bagageiro do ônibus que vai praticamente vazio, ocupado apenas pelos carrinhos com rodinhas, volta recheado por sacolas e caixas que disputam lado a lado cada vão do espaço. Acostumadas com a rotina quase que semanal, elas vão preparadas e o mais confortáveis possível.
Cobertores, travesseiros, roupa e sapato confortáveis são itens necessários para a viagem. Na ida, o descanso é fundamental e o silêncio prevalece para o sono que é quebrado apenas com uma parada na estrada para um lanche rápido e aquela esticada nas pernas.
Ainda é muito cedo quando as “turistas de toda a semana” chegam em São Paulo. A primeira a sair do ônibus é a guia, Clarice Teófilo Astolfe, que prepara o café da manhã do grupo. Ela explica que a primeira refeição do dia é importante para deixar o pessoal em pé depois de entrar e sair de tantas lojas e de carregar as sacolas com as mercadorias escolhidas.
E o café é completo. Pães, biscoitos, café, chocolate quente e frutas não podem faltar. Com a lua ainda brilhando no céu, algumas começam a descer do ônibus para pegar as melhores mercadorias na Feira da Madrugada. Enquanto isso, outras aproveitam para dormir enquanto esperam as lojas da 25 de Março abrirem.
Operação compras
Dinheiro, cartões, celular, documentos e lista de compras vão bem guardadas em uma bolsa na frente do corpo para evitar os comuns roubos. Normalmente, os “gatunos” são espertos a ponto de cortar a bolsa, retirar os pertencer sem ao menos a vítima perceber.
Pessoas chorando pelo prejuízo é cena comum na região. Por isso, todo cuidado é pouco. Muitas realizam as compras em um determinado lugar, levam as sacolas no ônibus, a pé ou de táxi, e voltam para comprar mais. Assim, as mãos ficam livres para mais sacolas e as compras ficam seguras.
O que é bastante comum são os fretes de carrinho de mão. Homens que ficam em determinados pontos e cobram um valor que depende da distância a ser percorrida com a mercadoria.
Cliente vip
Outra dica das consumidoras é a atenção e a pesquisa na hora das compras. Os preços e a qualidade dos produtos variam de loja para loja ou de banca para banca. E como negociar nem sempre é possível, o segredo está na pesquisa.
O que é bastante comum é a sacoleira fidelizar as compras, ou seja, eleger as que para ela são as melhores lojas e ir direto ao ponto. Com isso, ela ganha tempo, atenção das vendedoras que já a conhece e a chama pelo nome ou até apelido, além de mimos das donas das lojas, como cafezinho, refrigerante...
Sacoleira ‘reina’ na 25 de Março
A viagem das sacoleiras e lojistas começa já na Praça Rui Barbosa onde se reúnem para embarcar na excursão que as leva até a rua 25 de Março, Feira da Madruga e ladeiras e mais ladeiras de compras. Lista de presentes completa, elas e eles - a maioria elas -, partem para o estacionamento do shopping Azulão, no Brás, em São Paulo. O grupo acompanhado pelo JC saiu de Bauru na quarta feira às 21h45, chegou ao destino na quinta às 3h e retornou a Bauru às 15h. Foram 12 horas de compras, aventuras e batalha pelo pão de cada dia.
O bagageiro do ônibus que vai praticamente vazio, ocupado apenas pelos carrinhos com rodinhas, volta recheado por sacolas e caixas que disputam lado a lado cada vão do espaço. Acostumadas com a rotina quase que semanal, elas vão preparadas e o mais confortáveis possível.
Cobertores, travesseiros, roupa e sapato confortáveis são itens necessários para a viagem. Na ida, o descanso é fundamental e o silêncio prevalece para o sono que é quebrado apenas com uma parada na estrada para um lanche rápido e aquela esticada nas pernas.
Ainda é muito cedo quando as “turistas de toda a semana” chegam em São Paulo. A primeira a sair do ônibus é a guia, Clarice Teófilo Astolfe, que prepara o café da manhã do grupo. Ela explica que a primeira refeição do dia é importante para deixar o pessoal em pé depois de entrar e sair de tantas lojas e de carregar as sacolas com as mercadorias escolhidas.
E o café é completo. Pães, biscoitos, café, chocolate quente e frutas não podem faltar. Com a lua ainda brilhando no céu, algumas começam a descer do ônibus para pegar as melhores mercadorias na Feira da Madrugada. Enquanto isso, outras aproveitam para dormir enquanto esperam as lojas da 25 de Março abrirem.
Operação compras
Dinheiro, cartões, celular, documentos e lista de compras vão bem guardadas em uma bolsa na frente do corpo para evitar os comuns roubos. Normalmente, os “gatunos” são espertos a ponto de cortar a bolsa, retirar os pertencer sem ao menos a vítima perceber.
Pessoas chorando pelo prejuízo é cena comum na região. Por isso, todo cuidado é pouco. Muitas realizam as compras em um determinado lugar, levam as sacolas no ônibus, a pé ou de táxi, e voltam para comprar mais. Assim, as mãos ficam livres para mais sacolas e as compras ficam seguras.
O que é bastante comum são os fretes de carrinho de mão. Homens que ficam em determinados pontos e cobram um valor que depende da distância a ser percorrida com a mercadoria.
Cliente vip
Outra dica das consumidoras é a atenção e a pesquisa na hora das compras. Os preços e a qualidade dos produtos variam de loja para loja ou de banca para banca. E como negociar nem sempre é possível, o segredo está na pesquisa.
O que é bastante comum é a sacoleira fidelizar as compras, ou seja, eleger as que para ela são as melhores lojas e ir direto ao ponto. Com isso, ela ganha tempo, atenção das vendedoras que já a conhece e a chama pelo nome ou até apelido, além de mimos das donas das lojas, como cafezinho, refrigerante...
2 anos de estrada
Clarice Teófilo Astolfe tem uma loja de bijuterias e presentes na quadra 1 da rua Batista de Carvalho, em Bauru, mas há 2
anos ela atua como guia e freta ônibus para levar sacoleiras a São Paulo.
“Isso já faz parte da minha vida. As viagens fazem parte da minha rotina duas vezes na semana. Fiz muitas amizades ao longo desses anos e vi de tudo um pouco”, conta.
Entre as idas e vindas, Clarice lembra que já riu muito. Uma de suas histórias mais pitorescas diz respeito a uma dentadura. Isso mesmo. A guia lembra que uma passageira entrou rindo no ônibus e deixou cair a dentadura.
“Ela disse que não voltaria para Bauru sem os dentes e foi aquela algazarra. Todo mundo ria enquanto procurava o objeto perdido. Enfim, um senhor encontrou a dentadura e a mulher colocou na boca com terra e tudo. Foi hilário”.
Pronta para o que der e vier
“A gente precisa estar preparada para viver um dia intenso. O tempo pode virar a qualquer momento, a rua pode estar tranquila e, de repente, ficar lotada de pessoa e com o trânsito congestionado. As lojas podem apresentar coisas repetidas e ser preciso pesquisar muito para achar produtos diferenciados...”, relata a comerciante Márcia Yadomi, que tem uma loja de acessórios para festas, semijoias e presentes na galeria 21 Center, em Bauru.
Márcia ainda relata que é muito comum se ver diante de confusões envolvendo polícia, camelô e roubos. Em um piscar de olhos a bolsa pode ser aberta, e lá se foi o dinheiro e as compras, ficando o trauma e a frustração no lugar.
Há 19 anos ela viaja para São Paulo em busca das melhores novidades para suas clientes. E conta que vai sempre com uma lista que apelidou de “os impossíveis”, com pedidos dos mais variados. Com lista nas mãos, ela começa a busca pelos objetos. A correria é tanta que, muitas vezes, não há parada nem para o almoço. Cada minuto das sacoleiras é sagrado no mar de opões que a 25 de Março representa, onde é preciso navegar com atenção e olho clínico. “Há lutas e dificuldades, mas também há muitas vitórias”, acredita.
Se sente em “casa”
Em terra onde grande parte do comércio é dirigida por chineses, a comerciante Selina Wang se sente em casa. Nascida na ilha de Taiwan, ela veio para o Brasil com a família ainda menina, aos 12 anos de idade, e desde então vive em Bauru, onde tem comércio no minishopping da Batista de Carvalho junto do marido e dos filhos.
Selina diz que gosta muito do trabalho de compra e venda, profissão que está no sangue da família. E quase toda semana a rotina dela se mistura a de milhares de mulheres que desbravam a rua 25 de Março e seus arredores em busca dos melhores produtos e preços para a revenda: “Quase tudo que se vende no comércio popular de São Paulo vem da minha terra. Estou em casa quando negocio com os chineses”, diz.
Selina é exemplo no quesito manter a tradição. Mais do que trabalhar com produtos importados, ela mantém viva a língua oficial da China. A comunicação com a família, amigos e conterrâneos é sempre em mandarim.