07 de julho de 2026
Geral

É data, mas pode chamar de rua

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Gente nas lojas, gente nas calçadas, gente nas ruas. Um mar de gente por todos os lados. Lotada. Faça chuva, sol, calor ou frio, assim fica diariamente a rua 25 de Março e seus arredores que, juntos, formam o maior e mais famoso complexo comercial popular do País. 

 

Por ali, segundo o guia virtual da 25 de Março, passam cerca de 4

mil pessoas diariamente. Gente que vem de todo o canto do Brasil para garimpar a variedade de produtos e de preços oferecidos em larga escala. 

 

O JC foi até São Paulo com uma excursão de sacoleiras conferir o que tem a oferecer a rua batizada com a data de hoje em homenagem a promulgação da primeira Constituição Brasileira, no ano de 1824.

 

Um lugar onde é possível encontrar de tudo um pouco. Ou muito de muita coisa. A primeira impressão, logo pela manhã, é de uma rua comum do comércio popular paulistano. Lojas abrindo as portas, pouca gente pelas ruas... Mas, em poucos minutos, a correria e um batalhão de consumidores e de vendedores invadem tudo dando cor, som, cheiro e ritmo à rua, fazendo dela, o que ela mais tem a oferecer: variedade.

 

Variedade de produtos, é claro, mas também variedade de gostos, desejos, procura. Na 25 de Março as pessoas se misturam pela necessidade e prazer das compras. É possível ver desde as ilustres e fortes sacoleiras, que entram de loja em loja, atravessando as calçadas, atarefadas, ávidas pelos melhores produtos e preços, apressadas. Lá, tempo é dinheiro. E de tênis nos pés, elas conseguem como guerreiras carregar o peso das compras. 

 

Mas também é fácil encontrar senhoras bem vestidas, andando devagar, passeando pelas lojas e vendo a vida agitada que por ali existe. Famílias também vão às compras e as crianças se divertem com os artistas de rua nas calçadas.  

 

 

 

Calçadas

 

E por falar em calçadas, abrigam uma infinidade de universos paralelos: estátuas vivas, camelôs autorizados, ambulantes bolivianos que juntam seus produtos rapidamente quando a polícia passa e saem correndo para voltar segundos depois, policiais que tentam fazer a segurança das milhares de pessoas, pastores evangélicos que disputam o ouvido dos pedestres com o apelo dos moços contratados pelas lojas para “cantar” os seus produtos... E uma infinidade de caixas e sacolas nos ombros, mãos ou carrinhos dos consumidores.

 

 

 

Lojas

 

As protagonistas da rua são mesmo as lojas que atraem os consumidores e fazem ferver o caldeirão da 25. Ao primeiro olhar, elas são pequenas portas iguais umas ao lado das outras. Entretanto, ao entrar nas unidades, mostram sua extensão e infinidade de produtos. Muitas dessas lojas possuem mais de um andar.

 

Bijuterias, artigos para presente, acessórios para festas, fantasias, eletroeletrônicos, roupas, bolsas e acessórios, embalagens... É possível encontrar isso e todo o tipo imaginável de produtos importados.

 

 

 

Dois lados da mesma moeda

 

Enquanto comerciantes e consumidores pagam e recebem dentro das lojas, fora delas há moradores de ruas e dependentes químicos que preambulam em busca de um trocado para um lanche, ou mesmo para sustentar o vício. Deitados nas calçadas ou revirando o lixo, é inevitável notar que eles também fazem parte da variedade da rua 25 de Março.

 

Outro problema notado pelo JC é a falta de acessibilidade da rua mais famosa do comércio popular de São Paulo. Para todos, mas, infelizmente, nem tanto assim.  

 

 

 

Um corredor de pura história

 

Até pouco antes de 185

, a rua 25 de Março era, literalmente, um rio. Um leito do Tamanduateí, totalmente navegável, corria no atual traçado da via, recebendo as águas do rio Anhangabaú e desaguando no famoso rio Tietê. 

 

Havia ali um porto que servia de escoadouro para as mercadorias importadas, que chegavam de navio em Santos, subiam a serra de carroça e, posteriormente, pela estrada de ferro Santos-Jundiaí e alcançavam o Ipiranga. De lá, eram levadas via Tamanduateí até um porto para barcas, o chamado Porto Geral - daí o nome da conhecida ladeira. 

 

O rio foi retificado, a área da Várzea do Carmo foi drenada e surgiram as primeiras chácaras na região. A via, então, foi chamada de Rua de Baixo, dividindo a cidade em duas partes: a Alta e a Baixa. Nesse período, o comércio, comandado pelos primeiros imigrantes árabes, concentrava-se na parte de cima, mais precisamente onde hoje, está a rua Florêncio de Abreu. Com a urbanização pós-drenagem, os aluguéis começaram a subir e quem pisava lá pela primeira vez se instalava na parte baixa, onde os preços eram mais acessíveis. Chegaram os bondes e o trecho principal foi rebatizado, em 1865, como 25 de Março, homenagem à data da promulgação da primeira Constituição Brasileira, ocorrida em 1824.

 

 

 

Fonte:  www.guiada25.com.br