09 de julho de 2026
Regional

ONGs querem impedir novas usinas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um trecho do rio Paranapanema tombado pelo patrimônio histórico cultural está na mira de empresas que exploram energia elétrica. Do outro lado da mesma “moeda” estão três entidades que defendem à preservação ambiental. A intenção das empresas é instalar uma pequena central hidrelétrica (PCH), mas ainda não conseguiram. Cinco leis não permitiram a instalação. 

 

Ricardo Antonio Martini Assaf, presidente da Associação de Defesa da Qualidade de Vida de Piraju, ressalta. “Já temos três usinas hidrelétricas no município. Eles querem construir uma PCH. Este projeto não é novo. Uma usina dessas vai gerar cerca de 28.5 mw/hora. Temos cinco leis não permitindo.”  

 

Ele explica que ao longo dos anos houve tombamento do rio. O plano diretor também preserva aquela área para desenvolvimento turístico e preservação ambiental, além de uma lei específica que exige que a construção de usina tem que respeitar o intervalo de 2

anos, entre a inauguração da última e da nova. “Nesse período deveríamos estudar os impactos ambientais para poder permitir ou impedir a instalação de outra usina.” 

 

Os estudos, segundo o ambientalista, nunca foram feitos e a última usina instalada tem só 1

anos. “A lei orgânica do município tem um artigo específico proibindo a construção de usinas. No local a ser alagado tem um parque municipal. Ele seria destruído. A área é de proteção integral.” 

 

O trecho que está sendo “cobiçado” pelas empresas vai da Usina Paranapanema, que fica no Centro da cidade de Piraju, fundada em 1936, uma das mais antigas, até a foz do Ribeirão dos Araras, onde  está instalada a quarta represa, a de Chavantes. “É neste último trecho que eles querem fazer uma PCH.” 

 

Defendendo a mesma bandeira da Adevida estão mais duas ONGs, a Transpira e a Teyquê-Pê. Os motivos são vários, mas o mais importante deles é o impacto ambiental, enfatiza Assaf. “Este trecho de rio tem sete quilômetros e meio. É o último trecho do Paranapanema com porte que ainda não foi mexido, tá em calha natural. Daqui até a foz não tem mais calha natural, só na nascente, mesmo assim lá é bem menor. Conseguimos indeferir o licenciamento ambiental de uma das empresas, por conta das leis municipais.”  

 

O outro motivo fundamental é que o município tem tentado desenvolver um trabalho turístico para melhorar a economia do município. “Piraju é uma estância turística. Temos três lagos onde são desenvolvidos esportes náuticos. Esse trecho é de corredeira. Aqui há prática de rafting, descida de bóia e outros. O plano diretor que foi feito em 2

2 reserva essa área para preservação ambiental e desenvolvimento turístico.” 

 

 

 

Manifestações populares

 

Manifestações constantes em contrapartida às investidas das empresas hidrelétricas. Essa é a arma das ONGs. “A empresa vem negociar com a Câmara Municipal para revogar a lei municipal, nós fazemos algum evento para marcar presença. Chegaram a oferecer uma pista de canoagem e um parque temático em troca da revogação da lei”, relata Assaf. 

 

As manifestações são públicas. “Na praça, na Câmara Municipal,  na sede da prefeitura. Fizemos uma descida de rafting e bóia. O importante é marcar presença e mostrar que não queremos mais usinas. A população dos municípios vizinhos começaram a seguir o exemplo de Piraju e estão aprovando leis que impedem a instalação de usinas. É o caso de Santa Cruz do Rio Pardo, Bernardino de Campos, Óleo e Salto Grande. O rio Pardo  é um afluente do Paranapanema” 

 

Entre Iaras, Ourinhos e Salto Grande, onde o Rio Pardo desemboca no Paranapanema, estavam previstas seis PCHs num trecho de menos de 7

quilômetros. “Todas pequenas, de 8 a 12 mw. A população desses  municípios vizinhos está se mobilizando também.”