En mi Buenos Aires querido
Desde quando saiu de Bauru, Guerrinha já deixava bem claro que o objetivo maior da disputa do Torneio Interligas na Argentina, o primeiro oficial do Itabom fora de território Nacional, era trazer experiência ao grupo. A julgar pela postura dos atletas, valeu.
Depois de um primeiro jogo onde praticamente assistiu a forte equipe do Peñarol de Mar Del Plata, o jovem grupo bauruense se impôs dentro de quadra e dificultou a vida do Obras Sanitarias. Tudo bem que o ginásio não recebeu um bom público – o que poderia dar um ar mais de “Libertadores” ao torneio entre argentinos e brasileiros -, mas foi de grande valia os dias que a delegação passou na capital argentina.
“Estamos jogando contra os melhores do basquete na América do Sul”, lembrou Gui, um dos garotos que parece ter aproveitado a viagem e aprendido a lição. O fato de Larry Taylor e Fernando Fischer, ambos lesionados e sem poder atuar, estarem junto com o grupo, mostra ainda mais o comprometimento da equipe com o “projeto Bauru Basket”. Tal fato foi elogiado até mesmo pelos críticos cronistas das rádios argentinas, principalmente de Mar Del Plata, que acompanharam a jornada do Peñarol. Um deles chegou a dizer no primeiro jogo que “os garotos do Bauru estavam assustados”. Não falou besteira. Não que o time estivesse com medo dos argentinos, mas foi evidente que sofreu um choque quando se deparou com uma das melhores equipes de basquete da América do Sul.
Assim, depois de cinco dias em território argentino, o Itabom/Bauru carimba seu passaporte com a marca da experiência. E vai ter que provar isso em seguida, na próxima viagem agendada para quarta-feira, quando a equipe vai a Cancún, no México, para as semifinais da Liga das Américas – a tal “Libertadores” do basquete.
Perdendo ou ganhando, o Itabom representa o basquete brasileiro mundo a fora. Leva o nome da cidade e de seus patrocinadores. Representa o País no lugar onde poderiam estar outros grandes clubes, como Flamengo e Franca. Uns por incapacidade, outros por pura desistência, não participam do torneio. Também ficaram pelo caminho na Liga das Américas. E, assim, o Itabom vai ganhando seu espaço. Com vitórias homéricas, como diante do Quimsa na Panela de Pressão, na primeira fase da Liga das Américas. Ou com derrotas difíceis de se entender, como foi na estreia do Interligas, contra o Peñarol. Não que isso seja aquela história do “importante é competir”, bem ou mal, é Bauru que representa o Brasil. Como diz Guerrinha, “eu quero ser o melhor técnico que eu possa ser, sempre”. Que Bauru seja o melhor que possa ser, sempre. Hoje, isso significa estar entre os melhores do País. Amanhã, quem sabe, o troco possa vir à altura, “mi Buenos Aires querido”.
Paixão por basquete
A paixão do argentino sem dúvidas é o futebol. Mas o basquete não fica muito atrás. O diário Olé, principal jornal esportivo do país e que tem o mesmo formato do periódico brasileiro Lance!, dedica cerca de quatro páginas por edição ao esporte da bola ao cesto. Na edição do dia 23, na sexta-feira de estreia do Interligas, uma matéria já destacava a importância do evento para as equipes argentinas: “Pela honra”. O texto lembrava que Lanús e Libertad de Sunchales haviam decepcionado e caído na chave disputada no Brasil, e que, jogando em casa, Obras e Peñarol tinham obrigação de abocanhar uma vaga. Foi o que deu.
O basquete também está na boca do povo. O taxista Roberto Antonio, quando soube que acompanhava a equipe bauruense no Interligas, prontamente destacou: “Bauru? De Leandrinho?” - ele se referia ao ala que deixou o Bauru Basket para jogar a NBA. Talvez por esta paixão existam, só em Buenos Aires, 120 equipes que disputam as ligas menores.
Gustavo Lima e Michel Teló nas paradas
Em cada viagem, fosse de van ou de táxi, uma reclamação era comum entre todos da delegação: o som. As músicas argentinas não agradaram os brasileiros. Mas eis que, de repente, o som do Patropi apareceu. Primeiro num táxi com Fernando Fischer: “Eu nem acreditei, até assustei”, comentou o jogador se referindo à música de Gustavo Lima, “Balada Boa”, aquela mesmo do “Tche Tche Rere Tche Tche Rere...Gusttavo Lima e você. Enquanto caminhava pela rua Florida, tradicional por concentrar diversas lojas e barraquinhas de ambulantes, parei quando ouvi a mesma música que Fischer havia comentado no dia anterior. Um vendedor de Cds experimentava vários títulos, mas parou no hit do “Tche Tche Rere...Tche Tche Rere”. Ontem, no confronto entre brasileiros (Paulistano e Bauru), o serviço de som entrou no clima. Mas desta vez foi Michel Teló quem apareceu. Foram três ou quatro músicas enquanto os jogadores aqueciam. Mas, acreditem, só não teve “Aí se eu te pego”.