09 de julho de 2026
Geral

Evento pede ?paz? no trânsito a motociclistas

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Conscientização para reduzir o número de acidentes com motos. Este foi o principal objetivo do 1º Moto & Vida, evento realizado durante toda a manhã de ontem no Parque Vitória Régia em Bauru. Horas antes, o motociclista Márcio Oleriano da Silva, 30 anos, foi encontrado morto no quilômetro 344 da rodovia da Bauru-Iacanga. Segundo testemunhas, o jovem foi visto conduzindo a moto com apenas uma das mãos antes da queda.


Domingo, sol e calor. Um dia perfeito para passear com a família e amigos. O clima agradável casou com o evento diferenciado para pedir paz no trânsito. A presença de bandas de rock que tocaram clássicos dos anos 70 e 80 e de mais de 13 motoclubes de Bauru e região com seus veículos exóticos deixaram o público de mais de 1.500 pessoas fascinado.


Logo após a apresentação da banda “X Y Z”, os pilotos Marcelo Sonna Cardoso e Beto Guizardi, do Super Motard, subiram ao palco e iniciaram as primeiras dicas de como fazer uma condução segura com motocicleta.


“A primeira coisa que eu gostaria de dizer é que a motocicleta foi criada para agilizar a vida e não a morte. Por isso, uma condução segura e concentrada é muito importante. Primeiro devemos nos atentar às posições das mãos no guidão. Elas devem estar bem seguras”.


Sonna frisou: “Quando conduzimos a moto com apenas uma das mãos, o risco de acidente aumenta muito, principalmente quando passamos por cima de algum obstáculo como, por exemplo um buraco. As duas mãos bem posicionadas dão estabilidade”, disse, enquanto Beto fazia a demonstração em cima da motocicleta ainda parada.


Os pés devem estar sempre na posição correta e não na pedaleira traseira, conforme explicou o piloto. O equipamento de segurança, como capacetes e viseiras, também devem estar em dia. “O ângulo de visão é muito importante. Muitas vezes não nos atentamos, por exemplo a uma viseira que já está velha. A troca dela custa barato e pode evitar acidentes”, acrescentou Sonna.


Para o tenente coronel Nelson Garcia Filho, a expectativa do evento foi atingida. “Conseguimos cumprir a finalidade do evento. O importante é ter mais edições e que estas sejam maiores, o dia todo”.

 

 

Padre integra motoclube


Dentre as diversas ‘figuras’ de motoclubes que participaram do evento, encontramos o padre Edson Roberto Codato, 49 anos, da paróquia São Brás de Bauru. Há 15 anos a necessidade de usar a moto para se locomover no sertão da Bahia, virou paixão.


“Eu sempre gostei de moto, mas não tinha. Quando morei na Bahia, precisava da moto para me locomover e criei gosto. Em 2004 eu construí meu próprio triciclo e depois ajudei a fundar o motoclube Esquadrão MG, quando morei em Minas Gerais. Eu costumo dizer que sou triciclista”, contou aos risos.


Além do momento de aventura com amigos e família, o motoclube tem muitas regras. “Se não cumprimos, somos expulsos. Eu costumo dizer que é uma irmandade. Temos que ter comportamento exemplar”.


O padre destaca o vestuário dos motociclistas, principalmente o colete. “O colete dos membros de motoclubes é único. Cada um tem os lugares por onde passou, suas características. Nem a própria mulher de um motociclista pode usar este seu colete”, brincou.


Conciliar as missas e os encontros com o motoclube é fácil, segundo Codato. “Vou aos encontros quando dá e também costumo rezar missas para os motociclistas”. O padre lamentou a morte do motociclista Márcio Oleriano da Silva, 30 anos, que ocorreu na noite de ontem. “É uma pena. A moto é excelente transporte, tem um bom custo benefício. O que acontece é que as pessoas pegam traquejo e acham que são profissionais. Tem que controlar a adrenalina e dirigir com segurança”, finalizou.

 

Na prática


Parte da rua em frente ao Anfiteatro do Parque Vitória Régia foi interditada e Beto Guizardi foi até lá para mostrar como as dicas funcionam na prática. Com apenas uma das mãos no guidão, a moto oscila ao passar em um obstáculo. Com as duas mãos fixas, a manobra é um sucesso.


“Antes da curva devemos desacelerar. Não devemos deixar para fazer isso quando já estamos dentro da curva. A 60 quilômetros por hora, se a percepção de obstáculo for em 0,8 segundos, a moto já percorreu seis metros. O percurso todo deve ser consciente”, finalizou.