A intenção deste artigo não é fornecer dados, análises e estatísticas que nos mostrem o empenho governamental ou civil para conter a propagação do cenário caótico, em que se encontram os três pilares básicos e fundamentais para o desenvolvimento de qualquer sociedade mundo afora: educação, saúde e infra-estrutura. A intenção é analisar o quão grave é a inexistência de um planejamento sólido que contemple toda população e não somente um planejamento que contemple uns ou outros. Essa análise é feita sobre duas óticas: a ótica estudantil e a ótica de um cidadão brasileiro.
Sendo assim, começo analisando a educação, que nos proporciona parâmetros comportamentais ao longo de nossas vidas. Educamo-nos através de nossos pais, educadores e professores de diversas escolas, que por sua vez podem ser administradas pela iniciativa pública e/ou privada e tais iniciativas são responsáveis pelo bom funcionamento e manutenção da entidade escolar. Não somente a manutenção da entidade física (construção), mas também dos membros responsáveis (professores, inspetores, diretores, etc) que dão eficácia à entidade escolar. Ou seja, se analisarmos com atenção, é notável que a não participação do governo na construção e manutenção de escolas e de seus membros é um agravante considerável para que o futuro do país seja "jogado as traças", fato esse em andamento.
Segunda análise, e nem por isso menos importante, a saúde. Existe uma infinidade de matérias nas TVs, nos jornais, nas revistas, que dizem respeito ao descaso do governo federal, estadual e municipal junto aos postos de saúde e hospitais de todo Brasil. Tantos milhões são investidos e tantos milhões são roubados (quanta ironia) e quem paga essa conta é a sociedade civil. Ora, sabemos que sem saúde não encontramos empregos, não educamos nossos filhos e tampouco pagamos nossas obrigações à república. Sendo proposital a inexistência de planejamento na saúde, por alegações oriundas de um covil, desejo do fundo do meu coração que os membros desse covil não passem perto da necessidade de usufruir da atual saúde pública nacional. Não desejo isso para meu pior inimigo!
E, por fim, analiso infra-estrutura. Todo cidadão possui direito à moradia e saneamento básico (exceto quando problemas climáticos interferem no cotidiano dos brasileiros, fato esse que explica, mas não justifica o descaso, diga-se de passagem). Conviver com "puxadinho" com esgoto aberto e com falta de água e luz é uma constância na vida de muitos brasileiros, e nem por isso estes brasileiros se envergonham de onde e como moram. Mas se enganam os letrados e intelectuais de plantão que, por essa adaptação humana ao miserável e ao inadmissível, esses brasileiros vivem bem, pois eles não vivem nada bem! Enquanto o conformismo tomar conta do povo, enquanto as palavras forem mais exaltadas que as ações e enquanto o ruim se tornar normal e aceitável, estaremos sempre fadados à ruína. Pensem nisso!
Rafael Aguiar - estudante de Relações Internacionais Iesb-Preve